
O Grito dos Excluídos do ABCDMRR, vai acontecer em Rio Grande da Serra este ano. O movimento nacional que acontece todos os anos em 7 de Setembro, tem nuances próprias sobre temas sociais na região onde está na sua quinta edição, uma em cada cidade. Rio Grande da Serra foi escolhida diante da iminência de obras previstas pela Sabesp que podem trazer impactos ambientais e socioeconômicos. O vigário episcopal para a Caridade Social, da Diocese de Santo André, padre Ryan Holke, falou sobre a preocupação com o efeito das obras e de outras demandas sociais da região, como o fechamento do restaurante Nosso Prato e o fim da Tarifa Zero universal em São Caetano. Ele também fala da participação da Frente Regional de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres, diante da alta de casos feminicídio na região.
O Grito é um manifesto social, iniciado pela igreja católica há 32 anos, mas que congrega também pessoas outras religiões e busca levantar demandas sociais dando voz a movimentos sociais que focam temas da atualidade. O tema é sempre a vida e o lema deste ano é: “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, Erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania”.
“A defesa da Terra vem a ver com o extrativismo passivo da terra, produtora de água. Na região, à margem da Billings, se tentou permitir a instalação de galpões logísticos, que não criam emprego e trazem grande desmatamento. Falta participação popular nestas decisões. Por isso Rio Grande da Serra foi escolhida este ano. Essa grande obra de transposição do Rio Pequeno vê a cidade como um obstáculo a ser transposto, a realidade da cidade e os efeitos não entram na conta”, diz o padre.
Sobre a violência contra a mulher, o Holke diz que o Grito dará uma oportunidade para a reflexão sobre o porquê dos casos de violência estarem em alta. O ABC dobrou o número de feminicídios entre 2024 e 2025 e neste ano já foram pelo menos sete casos. “Temos projetos interessantes nesta área como o E Agora José, do Ministério Público. O Cristianismo tem um grande desafio quanto a esta questão e a igreja Católica tem se destacado num esforço muito grande para tratar disso e, para a igreja, não há pretexto para a diminuição da mulher”, sustenta.

Holke fala sobre duas políticas públicas extintas em São Caetano que ele considera como higienização social. Ele citou a extinção do Restaurante Nosso Prato e o fim da Tarifa Zero como política universal. “É preciso combater o discurso da exclusão, as pessoas em situação de rua existem por uma causa e a resposta poderia ser o encerramento de um projeto por outro melhor, mas vemos que se tirou um projeto para não se atender ninguém, de forma alguma. Evitar as pessoas é uma espécie de higienização. Por isso é importante ter a participação ativa da sociedade. O Grito dos Excluídos visa engajar a sociedade para que participe das discussões. De outro lado há certa má vontade do poder público de gerar participação”, diz o padre.
A programação do 5° Grito dos Excluídos do ABC ainda não está fechada. A próxima reunião de organização está marcada para o dia 25/07 ena Paróquia São Sebastião (Av. Francisco Morais Ramos, nº 40, Centro, Rio Grande da Serra). Segundo Walter Veludo Neto, integrante da Comissão de Justiça e Paz da Diocese de Santo André, a expectativa é de aumento de público como vem sendo verificado a cada edição.
“Ano passado tivemos cerca de 400 pessoas neste ano esperamos pelo menos 500 pessoas, de diferentes correntes de pensamento e de religiões. É um movimento político no sentido de organização popular e debate sobre problemas sociais, mas não é partidário. O legado que fica é que cada vez mais as pessoas vão se organizando e o grupo acumula cada vez mais pessoas e movimentos sociais”, diz Neto.
Veludo Neto diz que a característica do Grito é a diversidade de religiões e pensamentos além do debate dos temas que afligem as pessoas mais carentes. “No caso de Rio Grande da Serra a cidade temos a questão da obra de transposição do Rio Pequeno. Lembro de situações pelas quais lutamos, como o projeto Meninos e Meninas de Rua, de São Bernardo. Este ano temos também no nosso lema a questão da moradia, que está alinhada com a Campanha da Fraternidade, e ainda a vida das mulheres. É um grito de resistência da sociedade e vamos destacar a importância de denunciar a violência doméstica”, aponta.
Segundo Veludo Neto o Grito tem início com missa e depois caminhada com carro de som por trajeto definido pela organização. No caminho os representantes de movimentos sociais inscritos fazem uso da palavra. Também ocorrem apresentações culturais e o evento termina com ato interreligioso.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
