O Brasil tem uma janela de oportunidade de três anos para se tornar competitivo no mercado internacional de data centers e disputar espaço com grandes players, como os Estados Unidos. A avaliação é de Luciano Fialho, vice-presidente sênior de Desenvolvimento Corporativo e Fusões e Aquisições da Scala Data Centers.
Segundo o executivo, a oportunidade surge da limitação enfrentada por países como Estados Unidos e nações europeias, que encontram restrições energéticas para ampliar a infraestrutura do setor.
“Há uma janela de oportunidade de três anos. É a fila de conexão nos Estados Unidos e na Europa. Para você conseguir conectar um data center na infraestrutura energética, precisa de cinco a sete anos. Nos próximos três anos, haverá um gap de processamento. Se isso se confirmar, essa demanda precisa ser processada em algum outro lugar. Aí entra a oportunidade do Brasil”, disse à reportagem.
Para Fialho, o setor precisa agir rapidamente para atrair investimentos estrangeiros e garantir espaço entre mercados já consolidados. Caso contrário, a oportunidade pode ser perdida. “Para eu entregar alguma coisa daqui a dois, três anos, tem que começar hoje.”
Na avaliação do executivo, a disputa é global e envolve poucos países capazes de receber grandes investimentos em infraestrutura digital. Caso o Brasil não avance na criação de um ambiente competitivo, os recursos podem migrar para outros mercados emergentes, como Argentina e Paraguai.
Falta urgência nas discussões
O setor afirma que ainda falta um “senso de urgência” entre Executivo, Legislativo e sociedade civil sobre os impactos de uma possível perda dessa oportunidade. Entre os riscos está a redução da autonomia digital do país.
Para Charles Schramm, gerente executivo da FGV Projetos, responsável pelo estudo “Potenciais Impactos Socioeconômicos da Consolidação do Brasil como Hub Internacional de Infraestrutura Digital na Era da Inteligência Artificial”, um data center de 100 megawatts (MW) pode acrescentar R$ 1,5 bilhão ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Segundo ele, é necessário criar uma visão integrada sobre a importância dos data centers para o país.
“Precisa de um senso de urgência. E não pode mais ser de cada parte, nem individual de cada setor. Precisa ser compreendido que a pauta de data centers é essencial a todos e que a fragmentação não é nova nem benéfica”, afirmou.
Dependência externa
Fialho afirma que a demora na adoção de medidas para ampliar a competitividade pode resultar na perda de investimentos e no aumento da dependência brasileira de infraestrutura digital instalada no exterior. Segundo ele, parte dos dados consumidos no Brasil é armazenada fora do país, principalmente nos Estados Unidos.
“O Brasil importa serviços de infraestrutura digital. Se não fizermos essa infraestrutura aqui, outros países vão processar inclusive a demanda brasileira”, declarou.
O executivo defende que a expansão dos data centers seja tratada como uma questão estratégica, assim como outras infraestruturas críticas, devido à dependência crescente de serviços digitais em áreas como finanças, saúde, educação e administração pública.
Uma das vantagens brasileiras é a disponibilidade de energia elétrica, considerada essencial para a expansão dos data centers com o avanço da inteligência artificial.
Enquanto mercados desenvolvidos enfrentam restrições de oferta energética, o Brasil ainda possui capacidade para receber novos empreendimentos de grande porte.
Além dos investimentos diretos, Schramm aponta que a consolidação do país como um hub digital pode gerar ganhos de produtividade, atrair empresas de tecnologia e ampliar a formação de mão de obra especializada.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
