O envelhecimento da população já faz parte da realidade do ABC. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a região reúne 465.587 moradores com mais de 60 anos, o equivalente a cerca de 16% dos 2.789.011 habitantes. Na prática, um em cada seis moradores integra essa faixa etária. Diante desse cenário, cresce a busca por alternativas que priorizam qualidade de vida, prevenção de doenças e longevidade. Entre elas está a medicina ortomolecular, abordagem que ganhou visibilidade recentemente após o cantor Roberto Carlos revelar que faz reposição de vitaminas como parte da rotina de cuidados com a saúde.
O interesse acompanha a expansão da medicina integrativa e da saúde preventiva no Brasil. Nos últimos anos, aumentou a procura por tratamentos personalizados voltados ao equilíbrio metabólico, suplementação individualizada, performance, bem-estar e envelhecimento saudável. A tendência também acompanha um movimento mundial ligado ao conceito de wellness, que valoriza o cuidado contínuo com a saúde e substitui protocolos padronizados por condutas definidas conforme as necessidades de cada paciente.

Nesse contexto, o setor magistral ganhou protagonismo ao possibilitar a manipulação de fórmulas desenvolvidas de forma individualizada, com combinações específicas de vitaminas, minerais, aminoácidos, antioxidantes e outros ativos prescritos por profissionais da saúde.
Segundo a farmacêutica Letícia Almeida, coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento da Octalab, em Santo André, a medicina ortomolecular busca identificar desequilíbrios nutricionais que comprometem o funcionamento do organismo e complementar o tratamento médico quando há necessidade de reposição de micronutrientes.
“A medicina ortomolecular veio para ajudar a corrigir deficiências nutricionais, otimizar processos metabólicos e auxiliar nos tratamentos de diversas condições clínicas. Os nutrientes, vitaminas, minerais, aminoácidos, antioxidantes e cofatores metabólicos já fazem parte do nosso organismo, mas muitas vezes estão em deficiência”, explica.
Avaliação individual orienta cada tratamento
A deficiência desses nutrientes pode refletir no funcionamento do organismo. Inflamações, alterações metabólicas e níveis elevados de cortisol figuram entre as consequências apontadas pela farmacêutica, fatores que podem comprometer a qualidade de vida, sobretudo durante o envelhecimento. “O nosso corpo precisa dessas vitaminas, minerais e aminoácados para funcionar adequadamente. Quando existe deficiência nutricional, diversos processos deixam de ocorrer da forma correta, e é aí que a medicina ortomolecular busca restabelecer esse equilíbrio”, afirma.
Apesar do crescimento da procura, a medicina ortomolecular não constitui uma especialidade médica. Na prática, médicos de diferentes áreas podem incorporar esse recurso aos tratamentos após avaliação clínica do paciente.
Antes de qualquer indicação, o profissional realiza anamnese, analisa o histórico clínico, investiga possíveis alergias e solicita exames laboratoriais capazes de identificar carências nutricionais. Somente após essa avaliação ocorre a definição da reposição mais adequada. “Cada paciente possui uma necessidade diferente. Alguns precisam de vitamina D, outros de vitamina B12, vitamina B6, magnésio, aminoácidos ou outros nutrientes, ou seja, tudo depende dos exames e da avaliação médica”, ressalta Letícia.
Segundo a farmacêutica, essa individualização também reduz a possibilidade de reações adversas, já que os ativos utilizados fazem parte do próprio organismo. Casos de alergia costumam ser raros, embora todo tratamento dependa da avaliação clínica e do acompanhamento profissional.
Acompanhamento médico
Embora o envelhecimento concentre grande parte da procura pela medicina ortomolecular, a abordagem também pode beneficiar adultos jovens e crianças quando exames identificam deficiência de vitaminas, minerais ou aminoácidos. Letícia observa que o uso frequente de medicamentos e hábitos de vida atuais também podem favorecer desequilíbrios nutricionais, além de contribuir para processos inflamatórios relacionados, em alguns casos, à queda capilar e dermatites.
Outro ponto reforçado pela especialista diz respeito ao papel complementar da medicina ortomolecular. A proposta não substitui tratamentos convencionais nem promete resultados milagrosos, mas oferece suporte ao organismo quando existe deficiência comprovada de micronutrientes. “Existem estudos que mostram a importância da nutrição adequada de vitaminas, minerais e aminoácidos para um envelhecimento saudável. Quando o profissional identifica essas deficiências e complementa o tratamento do paciente, conseguimos otimizar diversos processos do organismo”, afirma.
A duração do tratamento varia conforme o quadro clínico de cada paciente. A depender dos resultados dos exames, a reposição pode ocorrer mensalmente, a cada três meses ou em outro intervalo definido pelo médico. O acompanhamento periódico também faz parte da estratégia, principalmente entre pessoas idosas, já que as necessidades nutricionais tendem a mudar ao longo dos anos. “Conforme envelhecemos, nosso organismo passa a exigir mais atenção, e por isso é importante realizar consultas periódicas, acompanhar os exames e verificar se existe necessidade de reposição”, diz.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
