ABC - terça-feira , 30 de junho de 2026

Empresários do ABC buscam saída para investir com taxa de juros a 14,25%

Acontecimentos recentes como a redução da Taxa Selic, a taxa básica de juros do país, para 14,25%, e a liminar contra a punição em relação a aplicação das regras da NR 1, movimentam o setor empresarial da região, principalmente a indústria. Para o empresário e diretor titular do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de Santo André, Eduardo Batistella Mazurkyewistz, a política de juros atual prejudica investimentos e a questão suspensão da punibilidade para quem não se adequar à norma regulamentadora tem objetivo de proteger e dar tempo para as empresas nesta adaptação.

“A taxa de juros nos atrapalha porque a grande engrenagem da economia é o investimento. E quando se tem uma taxa tão elevada, apesar de todo o esforço do governo, temos uma redução muito singela que não reflete na ponta, que não nos dá energia para investir a médio e longo prazo”, diz Mazurkyewistz que critica a forma como a indústria é tratada.

“Quando não temos responsabilidade fiscal, automaticamente a taxa de juros tem que ficar mais elevada para conter a inflação, aí quando você pega a indústria que é motriz, que dá o movimento para a economia, que gera emprego, receita e tributos, ela acaba sendo prejudicada por uma irresponsabilidade, o que nos incomoda e nos deixa em posição estagnada por não nos deixar investir”, completa o dirigente do Ciesp Santo André, que abrange Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.

Segundo o empresário, que concedeu entrevista ao RDtv, com a taxa de juros o empresário não tem como modernizar sua empresa ou investir em áreas para aumentar a produção. “Se não conseguimos modernizar nosso parque fabril, se não modernizar nossa operação, como nós fazemos? Isso tem que ser visto com mais cuidado. O governo protege a importação de produtos automotivos e não gera benefícios para quem produz aqui, isso é algo que incomoda muito a indústria e nos deixa indignados”, afirma.

Financiamento

Eduardo Batistella Mazurkyewistz, diretor titular do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de Santo André. (Foto: reprodução)

Para Mazurkyewistz, as linhas de financiamento com juros mais baixos, via governo são inacessíveis para as pequenas e médias indústrias e as grandes acabam se beneficiando. A pequena e média indústria, que representa quase 80% da economia, não tem incentivos nem subsídios para investir, porque não tem uma política voltada a isso.

“Empresas grandes, com faturamento de mais de R$ 500 milhões, conseguem dar garantias para captar recurso subsidiado, mas médias e pequenas não têm como ofertar garantias reais e acabamos ficando com uma indústria não competitiva, esse é o grande desafio”, analisa Mazurkyewistz.

NR 1

A juíza da 9ª Vara Cível Federal de São Paulo, Cristiane Farias Rodrigues dos Santos, concedeu liminar em 15/06 à Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) que impede a cobrança de multas às 130 mil empresas filiadas à entidade sobre novo conteúdo da NR (Norma Regulamentadora) n° 1 que trata de riscos psicossociais relacionados ao trabalho. Para o diretor titular do Ciesp andreense, as empresas precisam de mais tempo para se adaptarem à norma, por isso a suspensão das multas foi uma conquista para o setor.

“Muitas empresas não estão preparadas para atender a exigência da NR1 e o Ciesp entrou com pedido para suspender as multas, o que pode gerar problema para o empresário nesse momento. É preciso trabalhar esse tema, mas não tem como evitar, só precisamos dar tempo para as indústrias se adaptarem. Enquanto isso a liminar está fazendo grande diferença”, sustenta.

Representação

O Ciesp de Santo André, que representa também as indústrias de Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, tem buscado uma liderança para estas outras cidades da base. Nessa linha Luis Pini, da empresa Torcisão, foi escolhido para representar Ribeirão Pires no Ciesp.

Após reuniões com a participação também da Secretaria de Desenvolvimento de Ribeirão Pires, foi criado, há cerca de um ano, um grupo de empresários, sendo que Pini é uma das lideranças e por ser associado ao Ciesp foi escolhido para representar o município na regional.

“O objetivo é criar legitimidade para esse grupo, onde grande a maioria não é nosso associada, para que juntos sejamos mais fortes. Vimos nele (Pini) grande capacidade de representar. Ribeirão Pires tem muitas indústrias, mas é um pouco distante do nosso convívio e esse é um meio de trazermos esses empresários para próximo da gente. O objetivo do associativismo é trazer essa sinergia, essa conexão, entre as pessoas e esse grupo de Ribeirão faz a diferença”, explica Mazurkyewistz. Assista a entrevista completa.

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