
Por Kleber Duarte
O Dia Mundial de Prevenção de Quedas, 24 de junho, é uma campanha que carrega uma urgência social: transformar ambientes e hábitos para salvar vidas. Pequenos ajustes na rotina e no ambiente doméstico são fundamentais para garantir a independência e a longevidade dos idosos.
Sim, doméstico, uma vez que o perigo mora em casa. A maior parte dos acidentes não acontece na rua, mas dentro do próprio lar, um espaço que deveria ser sinônimo de segurança. Tapetes soltos, pisos escorregadios, calçados inadequados e locais mal iluminados estão entre os principais vilões.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), as quedas são a segunda principal causa de mortes por lesões não intencionais no mundo. Entre os idosos, o tombo vai muito além de um susto ou de um roxo na pele; ele pode resultar em fraturas graves (como a de fêmur ou do punho), longos períodos de internação, com alto índice de complicações e sequelas e, consequentemente, a perda da autonomia.
A maioria dos episódios de quedas pode ser evitada com adaptações simples na arquitetura e na rotina doméstica, com as seguintes as recomendações: ter um abajur ou interruptor de luz próximo à cama; evitar camas e poltronas excessivamente baixas; eliminar tapetes soltos ou substituí-los por modelos antiderrapantes; manter corredores e o caminho até o banheiro bem iluminados durante a noite; instalar barras de apoio no box de banho e próximo ao vaso sanitário; no banho, usar tapetes com ventosas que não deslizem quando molhadas ou com sabão; retirar fios elétricos e outros objetos das áreas de passagem; preferir pisos antiderrapantes ou utilizar faixas antiderrapantes e se tiver escada, instalar corrimão nos dois lados.
Há prevenção também nas mudanças de hábitos. Dentre elas, utilizar calçados fechados e antiderrapantes é um dos maiores aliados contra os tombos. Sandálias abertas, tipo chinelos, são extremamente perigosos. Além disso, a prática de atividades físicas que trabalhem o fortalecimento muscular e o equilíbrio (como ginásticas, hidroginástica, musculação adaptada ou fisioterapia preventiva) é fundamental. Importante também são as visitas periódicas ao médico que devem fazer parte do calendário anual de saúde.
O alerta é para que cada pessoa observe sua casa, seus hábitos e sua saúde. Prevenir uma queda não significa limitar a liberdade de quem envelhece, mas justamente o contrário: é fornecer ferramentas para preservar a independência, a confiança e a qualidade de vida. Afinal, envelhecer com segurança é um direito de todos e uma meta que pode ser alcançada com informação, atenção e cuidado contínuo.

Kleber Duarte é médico neurocirurgião e coordenador do Serviço de Neurocirurgia para Saúde Suplementar e Neurocirurgia em Dor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
