ABC - terça-feira , 20 de outubro de 2026

Campanha e menos imposto reduziriam contratos de gaveta que cidades desconhecem

Condomínio Vila Esperança, em São Bernardo. Especialista diz que a transferência de propriedade no cartório é único instrumento legal. (Foto: Divulgação)

A burocracia e o custo para a regularização da propriedade de um imóvel levaram à criação de um instrumento que, apesar de muitas vezes até aceito, não é reconhecido legalmente, o contrato de gaveta, um documento em que as partes, comprador e vendedor, firmam a transação de compra ou venda. A realidade é que o volume de contratos de gaveta não é conhecido pelas prefeituras e ele traz muitos problemas para os proprietários devido à fragilidade jurídica.

A prefeitura de São Bernardo encerrou na sexta-feira (29/05) campanha com redução da alíquota de ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis) e facilidade de pagamento parcelado, para estimular a regularização. Outra cidade da região, Diadema, ainda não tem campanha assim mas quer contratar empresa para atualização do cadastro imobiliário.

Frágil, o contrato de gaveta, pode trazer problemas para os donos de imóveis na hora de comprovar quem é o dono do imóvel, em casos de herança, na necessidade de financiamentos, indenizações sobre prejuízos que a propriedade venha a sofrer, enfim uma grande dor de cabeça. Para o professor de Direito da Fundação Santo André e especialista nas áreas imobiliária e condominial, Vander Ferreira de Andrade, a prática de um contrato particular de compra e venda sem registro em cartório, o chamado contrato de gaveta, é extremamente comum.

“O contrato de gaveta é a alcunha que esse ajuste contrato ou compromisso de compra e venda recebe, mas é irregular. Só a escritura definitiva no cartório prova a propriedade, por outro lado o contrato de gaveta existe e é praticado à exaustão no Brasil, sendo que o custo e a burocracia fazem com que as pessoas recorram a isso”, analisa.

Para o professor especialista em direito imobiliário apesar de ser irregular, o Judiciário acaba aceitando o contrato de gaveta como uma demonstração de boa fé entre vendedor e comprador. “Ele não é um nada jurídico, ele tem uma vulnerabilidade intrínseca, mas sinaliza a posse, porém não confirma a propriedade. Muitas pessoas podem estar em uma margem de tranquilidade, porém em caso de morte a sucessão deste imóvel se torna uma demanda judicial, portanto a não transferência é uma situação de risco”.

Andrade diz que o instrumento “contrato de gaveta” é amplamente usado no país, mas é irregular. (Foto: Reprodução/RDTv)

Além de programas sociais que garantem o direito à moradia e, portanto, a propriedade reconhecida no cartório, a regularização para quem já tem sua casa, através de campanhas com redução de imposto e facilidade de pagamento, é medida necessária, segundo Vander de Andrade. “Essa campanha que São Bernardo fez é uma janela a ser aproveitada, porque é uma segurança jurídica para os sucessores. No país onde é tão difícil se ter a casa própria, não é acidental que o programa federal de habitação popular se chame Minha Casa Minha Vida porque nada na vida se compara à segurança de se ter um bem imóvel”, diz o professor da FSA.

Proteção

Quem não tem a propriedade registrada em cartório, deve se proteger reunindo um acervo de documentos, segundo orienta Andrade. Entre os documentos que comprovem a propriedade podem ser juntadas as contas de água, de luz ou pedidos ao município em nome do possuidor do imóvel. “Tudo isso pode comprovar a posse e hoje se pode fazer o pedido de usucapião do imóvel até por via extrajudicial. Tem também o REURB-S um programa de regularização fundiária para áreas de interesse social, que prevê gratuidade de atos judiciais”, completa o professor.

Campanha

São Bernardo finalizou na sexta-feira (29/05) o prazo para adesão à Campanha Minha Casa no Meu Nome que garantiu benefício de redução no ITBI para quem aderisse à iniciativa, de 2,5% para 1,75%, além de facilidade de pagamento com parcelamento em até 12 vezes no cartão de crédito.  Até quarta-feira (27/05), segundo a prefeitura mais de 1.200 pessoas solicitaram adesão à campanha. Além da facilidade e a segurança legal que a medida traz a quem regulariza a titularidade do imóvel, segundo a prefeitura a campanha traz impacto positivo para a economia do município com a melhora da arrecadação e atualização do cadastro imobiliário o que contribui para melhoria da gestão.

Santo André

A prefeitura de Santo André não tem uma estimativa de quantos imóveis não estão com suas matrículas atualizadas, ou seja, transferidas para os proprietários atuais. A prefeitura diz que realiza apões permanentes de conscientização sobre a atualização cadastral e regularização imobiliária, mas não há no município medida que autorize benefício fiscal para incentivar essa regularização.

O ITBI em Ribeirão Pires corresponde a 2% do valor do imóvel, mas, segundo explica a prefeitura, nos casos de aquisição financiada pelo Sistema Financeiro da Habitação é aplicada alíquota reduzida de 0,5% exclusivamente sobre a parcela financiada, até o limite previsto na legislação municipal, incidindo a alíquota de 2% sobre o valor excedente ou não financiado. Para o exercício de 2026, o limite para aplicação da alíquota reduzida corresponde ao valor de R$ 149.414,66.

Ribeirão Pires

A prefeitura de Ribeirão Pires também não estima quantos imóveis não estão regulares quanto a titularidade e também não tem vigência de mecanismo de incentivo fiscal para estimular esse regularização. O ITBI na cidade é de 2% do valor venal do imóvel. A prefeitura sustenta que o cadastro imobiliário é atualizado diariamente.

Diadema contrata empresa para fazer atualizar cadastro imobiliário

A Prefeitura de Diadema informa que, assim como ocorre na maioria das grandes cidades, não possui um número exato e consolidado de imóveis sem transferência formal de titularidade ou mantidos por meio de contratos de gaveta.

A cidade mantém programa de Regularização Fundiária que beneficia a população de baixa renda com isenção de imposto, que tem objetivo de enfrentar a informalidade da posse. “Nas áreas contempladas pela REURB-S (Social), famílias de baixa renda têm isenção de taxas municipais e do ITBI durante o processo de regularização. Para os demais imóveis, a prefeitura mantém de forma contínua o serviço de Atualização Cadastral do IPTU, permitindo a inclusão do nome do compromissário comprador no cadastro municipal, embora a medida não substitua o registro definitivo no Cartório de Imóveis”, explica o a administração diademense, em nota.

Na cidade a alíquota do ITBI é de 2%. A prefeitura quer fazer uma revisão completa do cadastro imobiliário da cidade e para isso está em andamento uma licitação para contratar empresa especializada no assunto.

Compartilhar nas redes

beykoz escortПроститутки БишкекаUltrabetUltrabetpadişahbetFanatikbet girişizmir escortFree spins casinoBuy IvermectinjojobetMarsbahisjojobetjojobet girişjojobetUltrabetgamdom girişgamdomjojobetmatbet girişdeneme bonusu veren sitelerdeneme bonusu veren sitelerbycasinotambet girişjojobetcasibomCratosroyalbetMarsbahis Girişmadridbet blogjojobetCratosroyalbetjojobet girişavvabetbullbahisjojobetjojobetbetasusjojobetganobet girişjojobetJojobetjojobetMarsbahisMarsbahis GirişMarsbahisMarsbahiscasibombetkomselcuksportsmaç izlecanlı maç izlecanlı maç izlemaç izlejustin tvcanlı maç izlemaç izletaraftarium24taraftarium24iptv satın aljojobetjojobet girişjojobetjojobet girişjojobetjojobet girişjojobetjojobet girişjojobet girişjojobetjojobetjojobet