
O primeiro registro de febre amarela em Santo André colocou cidades do ABC em alerta e acendeu preocupação sobre a baixa cobertura vacinal na região. Levantamento feito pelo RD junto às prefeituras mostra que os municípios ainda não atingem a meta de 95% de imunização recomendada pelo Ministério da Saúde.
O caso confirmado foi divulgado no boletim epidemiológico do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) na segunda-feira (25/05). Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, a presença do vírus em primatas funciona como indicativo da circulação da doença em áreas de mata, parques e regiões próximas a corredores ecológicos.
Apesar de não haver registro de casos suspeitos ou confirmados da doença em humanos nas cidades do ABC neste ano, os dados revelam um cenário de vulnerabilidade. Em Mauá, mais de 228 mil pessoas ainda precisam receber a vacina. Em Diadema, cerca de 165 mil moradores seguem sem imunização.
Baixa cobertura vacinal preocupa
Mauá apresenta um dos cenários mais preocupantes da região. A cobertura vacinal está em 37,23%, bem abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde. Segundo a prefeitura, 135.772 pessoas já receberam a vacina dentro de um público-alvo estimado em 364.684 moradores.
Entre janeiro e maio deste ano, foram aplicadas 11.149 doses, quase o dobro do registrado no mesmo período de 2025, quando houve 5.936 imunizações.
Santo André registra cobertura de 34,21% contra a febre amarela, segundo a Secretaria de Saúde. O município possui público-alvo estimado em cerca de 777 mil pessoas. Desse total, aproximadamente 432,8 mil já foram imunizadas, enquanto outras 344,9 mil ainda não receberam a dose. De janeiro a maio de 2026, foram aplicadas 217,4 mil doses da vacina, ante 215,3 mil no mesmo período do ano passado.
Rio Grande da Serra também segue distante da meta. A administração municipal informou cobertura de 57,72% entre crianças de até nove meses, índice inferior aos 95% recomendados pelo Ministério da Saúde. Ao todo, 2.391 crianças já foram imunizadas dentro de um universo de 5.655. Nos cinco primeiros meses deste ano, foram aplicadas 1.151 doses da vacina, contra 709 no mesmo período de 2025.
Ribeirão Pires informou cobertura de 71% entre menores de um ano e afirmou não possuir casos suspeitos da doença até o momento.
Já Diadema apresenta o maior índice de cobertura vacinal entre as cidades que responderam ao levantamento. O município registra 98% de cobertura infantil entre crianças de nove meses a 23 meses e 29 dias. Já na população geral, entre nove meses e 59 anos, o índice está em 52%.
O público-alvo da vacinação na cidade é de 345.580 pessoas. Até o momento, 179.900 moradores foram imunizados, enquanto 165.680 ainda precisam receber a dose para que a meta estabelecida pelo Ministério da Saúde seja alcançada.
Entre janeiro e maio de 2026, Diadema aplicou 13.325 doses, ante 9.199 no mesmo período do ano passado.
Cidades intensificam ações
Após o alerta emitido pelo Governo do Estado, municípios do ABC intensificaram estratégias para ampliar a vacinação e reduzir o risco de circulação da doença. Em Mauá, a campanha foi reforçada com a realização de um Dia D marcado para este sábado (30), além de ações casa a casa e aplicação da vacina em áreas próximas à divisa com Santo André, onde o primata infectado foi encontrado.
Santo André mantém atendimento em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e realiza ações aos sábados por meio do programa Agiliza+Saúde. Neste sábado (30), haverá intensificação da campanha, com ampliação do público apto a receber a vacina.
Diadema ampliou a busca ativa de moradores não imunizados e de pessoas que receberam dose fracionada em 2018, além de manter vacinação em feiras livres, escolas e campanhas aos fins de semana.
Já Rio Grande da Serra promove ações extramuros, atividades em escolas, aplicação na estação de trem e divulgação nos canais oficiais da prefeitura. A vacina também segue disponível em todas as UBSs do município.
As administrações municipais também relatam preocupação com a resistência vacinal e com a falta de atualização das cadernetas de vacinação, especialmente entre adultos que acreditam já estar protegidos.
Quem deve tomar a vacina
Em Santo André, a recomendação é para aplicação a partir dos seis meses de idade. Nos demais municípios do ABC, a orientação é para pessoas a partir de nove meses que ainda não tenham esquema vacinal completo ou nunca tenham sido imunizadas.
O esquema vacinal prevê uma dose aos nove meses e reforço aos quatro anos para crianças. Pessoas que receberam apenas uma dose antes dos cinco anos devem receber reforço. Já pessoas entre 5 e 59 anos sem comprovação vacinal precisam receber dose única.
A Secretaria Estadual da Saúde também orienta que pessoas imunizadas com a dose fracionada aplicada durante a campanha de 2018 atualizem a proteção, principalmente em caso de deslocamento para áreas com circulação do vírus.
Sintomas da febre amarela
Os sintomas iniciais da febre amarela incluem febre de início súbito, calafrios, dor de cabeça intensa, dores no corpo, dores nas costas, náuseas, vômitos, fadiga e fraqueza.
A doença é transmitida por mosquitos infectados e possui ciclos silvestre e urbano. Não há transmissão direta entre pessoas nem de macacos para humanos. Os primatas funcionam como sentinelas da circulação do vírus e auxiliam autoridades sanitárias na identificação de áreas de risco.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
