O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e pré-candidato a deputado federal, Moises Selerges (PT), reforçou sua defesa pela redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e o fim da escola 6×1. Ao RDcast, o sindicalista ainda rebateu os críticos da proposta do governo Lula que não querem a votação em ano eleitoral. “Essa crítica é uma idiotice. Porque, no ano que não era eleitoral também, eles não queriam reduzir o jornal”, diz o sindicalista.
Selerges relembra que algumas indústrias da região contam com uma jornada de 40 horas semanais e que tal fato gerou um aumento de produtividade e ganhos na tecnologia. E que as críticas feitas ao projeto são as mesmas que ocorreram em 1988, ano em que a jornada foi reduzida de 48 para 44 horas. E na sua ótica, o mesmo ocorrerá com o fim da escala 6×1.
“Ah, mas e os setores aí que têm que trabalhar os sete dias da semana? E é verdade. Pega a saúde. A saúde tem que trabalhar sete dias. Eu não quero chegar lá com o meu filho enfermo e estar fechado. Eu quero que atenda. É plenamente possível os setores essenciais trabalharem sete dias, com o trabalhador tendo direito a dois dias de descanso. Eu trabalho em uma fábrica que tem setores que têm que trabalhar sete dias”, afirma.

“Tem escala, né? É, poxa, é possível. Quando o governo propõe a redução de jornada e o fim da escala 6 por 1, o governo coloca uma proposta lá, ele manda um projeto de lei, dizendo que a jornada máxima tem que ser 40. Deixar de ser 44, de ser 40. Agora, não é o governo que discute o turno de trabalho. Quem discute o turno de trabalho é o sindicato representativo da categoria. É plenamente possível”, completa o sindicalista.
A expectativa é que a Câmara dos Deputados vote a proposta até o dia 28. E entidades sindicais trabalham para que o Senado também dê o seu voto positivo antes o início da Copa do Mundo Masculina de Futebol, em 11 de junho, assim evitando um cenário de esvaziamento da pauta com o início dos jogos no Canadá, Estados Unidos e México.
Com as eleições gerais em outubro, Selerges considera que as propostas do Governo Federal possam seguir a mesma linha do que o ocorreu com o projeto que instituiu a isenção do imposto de renda para pessoas que recebem até R$ 5 mil, e que foi aprovada por unanimidade no Congresso Nacional.
“Todos os deputados votaram a favor, eu estava lá em Brasília, acompanhei a votação. Mas por quê? É porque todos achavam que o trabalhador não tinha que pagar? Não, foi porque houve pressões na rua, nas capitais do Brasil inteiro. E vocês vão se lembrar que, naquele momento, os deputados estavam preocupados com o atual da PEC e da blindagem”, comenta.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
