O Ciesp (Centro da Indústria do Estado de São Paulo) São Bernardo vai lançar o seu Comitê da Eletromobilidade, em evento que ocorrerá no dia 20 de maio, na sede da empresa Eletra. Ao RD Momento Econômico dessa quarta-feira (13/05), o diretor titular da entidade Mauro Miaguti detalhou as primeiras ações deste grupo, e comentou sobre o fim da ‘taxa das blusinhas’ e suas consequências para a indústria nacional.
O Comitê vai reunir empresas do setor automotivo e de eletrificação para debater e planejar ações que possam fazer com que o ABC tenha uma nova fase como “berço da indústria de veículos”, mas desta vez apostando na produção e na criação de uma cadeia voltada para os motores elétricos e híbridos.
“Eu comecei praticamente a conversar com todos os players do setor, empresas do setor automotivo, empresas do setor de baterias, de eletrificação, para medir um pouco a temperatura, para saber o quanto eles teriam interesse em abraçar essa causa da eletromobilidade. E foi unânime. Unânime em saber que as empresas estão fazendo coisas separadamente, cada uma está tocando os seus projetos, porém não de forma planejada, pensando ainda onde queremos chegar nos próximos 10 anos”, explica Miaguti.
O grupo fará debates e leva em conta três subcomitês. O primeiro voltado para a cadeia produtiva, primeiramente mapear as empresas e o preparo das mesmas para atender o mercado. Incluindo a possibilidade de rodada de negócios específicas que possa unir os mais diversos segmentos, entre eles, montadoras e o setor de autopeças, por exemplo. E no segundo momento, conseguir atrair mais empresas para a região.
O segundo envolve as universidades e escolas técnicas. A ideia é tentar entender por quais motivos os mais jovens estão se afastando da indústria e apostando no setor de tecnologia, principalmente visando o uso da Inteligência Artificial. A intenção é conseguir criar um plano que possa atrair novamente essa mão de obra para trabalhar em uma indústria nova.
O terceiro subcomitê trabalhará com a questão da sustentabilidade, visa a reciclagem de baterias e a possibilidade de reaproveitamento, contribuir para o meio ambiente.

“Queremos chegar a 10 anos e ser o maior produtor de veículos elétricos, porém não só veículos, queremos ter tecnologia para essa área. Quando falo em baterias, parece um sonho muito grande, porque o único fabricante de baterias no mundo é a China, mas assim, até quando vamos continuar exportando terras raras, pedras raras, minérios raros e comprando o produto acabado com valor agregado mil vezes maior? A gente vai continuar a vender soja e comprar produtos de soja com valor agregado mil vezes maior. Eu acho que o país precisa parar, e aí eu concordo com você, eu acho que nós temos que pensar em nível Brasil, de o País parar de ser fornecedor de commodities.”, comenta Mauro.
Taxa das Blusinhas
O anúncio do governo federal em zerar a cobrança da taxa de exportação para compras de produtos internacionais com o valor de até US$ 50, popularmente conhecido como ‘Taxa das Blusinhas’, acabou gerando diversas críticas do setor industrial brasileiro, principalmente por reduzir a competitividade com os produtos de outras nações.
Mauro Miaguti afirmou que não se surpreendeu com a medida, mas questiona seus benefícios. “Na realidade, como não existe uma política industrial, e não que privilegie, porque nós não queremos privilégio, nós queremos autonomia, nós queremos condições de competir de igual. Ou seja, não me surpreende, não me entristece só, não me entristece porque, mais uma vez, nós estamos perdendo oportunidades. Mais uma vez, numa negociação, por exemplo, nós estamos perdendo a oportunidade de transformar o nosso País num País realmente industrializado”, diz.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
