Eduardo é alvo recente de investigação sobre branqueamento de ativos da facção (Foto: reprodução/ Instagram/ @dutrotecampinas)
A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram nesta sexta-feira (08/05), a Operação Caronte para desarticular um grupo criminoso suspeito de lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de empresas de transporte e rodeios.
O principal alvo é Eduardo Magrini, conhecido como “Diabo Loiro”, apontado como líder do esquema e ex-padrasto do funkeiro MC Ryan SP, alvo recente de investigação sobre branqueamento de ativos da facção.
A reportagem tenta contato com a defesa de Eduardo Magrini. O espaço segue aberto.
“Diabo Loiro” foi preso em outubro do ano passado em investigação do Gaeco, braço do Ministério Público no combate ao crime organizado, por suspeita de envolvimento em um plano do PCC para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho.
A Operação Caronte cumpre 11 mandados de busca e apreensão em cidades do interior paulista, como Campinas, Atibaia, Monte Mor, Sumaré, Limeira, Mogi das Cruzes, Osasco e Taquaritinga. A Justiça também determinou bloqueio de R$ 10 milhões em contas dos investigados, além da indisponibilidade de veículos e outros bens.
Até o momento, a operação apreendeu caminhões, automóveis, dinheiro em espécie, bois e cavalos. Entre os animais recolhidos está o boi “Império”, terceiro mais bem ranqueado do Brasil.
O filho de Eduardo Magrini, Mateus Magrini, também é investigado e alvo de buscas. Segundo a investigação, ele teria movimentado recursos ilícitos por meio de uma empresa do ramo musical.
Mateus foi alvo da Operação Narco Fluxo, da Polícia Federal, ao lado de MC Ryan, em 15 de abril. O funkeiro é ex-enteado de “Diabo Loiro”.
A investigação do Gaeco aponta uma rede formada por sócios “laranjas”, empresas de transporte e uma companhia de rodeios usada para movimentar recursos do PCC. Os investigadores também indicam vínculos de Magrini com as empresas e citam ostentação de patrimônio milionário nas redes sociais.
Segundo a Promotoria, o esquema opera desde 2016. As suspeitas se intensificaram após análises fiscais e bancárias do Laboratório de Lavagem de Dinheiro do Ministério Público e relatórios do Coaf, que indicaram movimentações incompatíveis com a renda declarada.
“Diabo Loiro” é apontado como integrante relevante do PCC no interior paulista e acumula cerca de 30 anos de envolvimento com crimes, com condenações por tráfico de drogas e uso de documentos falsos desde 1998.
Nas redes sociais, antes da prisão, Magrini se apresentava como “influencer digital” e publicava fotos em viagens, rodeios e ao lado de carros de luxo.
O nome da operação faz referência a Caronte, personagem da mitologia grega responsável por transportar almas ao submundo de Hades.