Estudo recente aponta risco de perda de R$ 14,8 bilhões e 130 mil empregos formais (Foto: divulgação)
A Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers) manifesta profunda preocupação com o envio ao Congresso Nacional do projeto de lei que prevê o fim da escala 6×1. A entidade alerta que a imposição de uma regra única, sem considerar diferenças entre setores, pode gerar impactos severos no emprego e no consumo.
Estudo realizado em parceria com a Tendências Consultoria aponta que o setor de shopping centers pode perder R$ 14,8 bilhões em faturamento e registrar retração de até 12,2% no emprego formal — o equivalente a 130 mil postos de trabalho, patamar semelhante ao observado na pandemia.
Glauco Humai, presidente da Abrasce, afirma que não se pode tratar mercados com dinâmicas operacionais opostas sob a mesma régua. “Shopping centers operam em fins de semana e feriados, garantem lazer e consumo, e ignorar essa especificidade significa ignorar a realidade econômica do país”, diz. Também reforça a posição do vice-presidente Geraldo Alckmin, que destacou a necessidade de verificar especificidades e defendeu que áreas com dinâmicas próprias podem exigir regras diferenciadas ou “tratamento especial” na implementação da medida.
Impactos detalhados pelo estudo da Abrasce, com base na redução da jornada de 44 para 40 horas semanais:
Faturamento: perdas de até R$ 14,8 bilhões no primeiro ano, em nível semelhante ao registrado na pandemia;
Vulnerabilidade: pequenos negócios, com até seis funcionários e responsáveis por 56% dos lojistas em shoppings, tendem a sofrer mais, diante da menor capacidade de absorver custos;
Quiosques: impacto direto sobre cerca de 16 mil operações;
Emprego: queda estimada de 12,2% (130 mil postos de trabalho), com pressão de custos e retração da atividade;
Informalidade: aumento projetado de até 1,5% no número de trabalhadores informais no primeiro ano das novas regras.
A Abrasce defende que o debate no Legislativo considere as especificidades setoriais, preveja implementação gradual e priorize o diálogo com os segmentos afetados. O presidente afirma que o processo exige conversa, não pressa, além de estudos de impacto e estratégias robustas de transição. Sem esses elementos, o efeito tende a ser o oposto do desejado, com prejuízo ao emprego, à renda e à atividade econômica nacional.