“Cuidar da água é cuidar da vida”. Foi assim que o prefeito de Santo André, Gilvan Ferreira (Cidadania), resumiu o programa que deu início as ações do aniversário da cidade que completa 473 anos nesse 8 de abril. O programa ‘Água Limpa, Córrego Vivo’ foi anunciado para recuperar, conservar e proteger os córregos da cidade. Para a gestão, tal processos pode iniciar uma proposta mais ampla que possa trazer outros municípios para este tipo de ação.
O córrego Taioca foi o primeiro a receber a proposta de recuperação. Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Edinilson Ferreira dos Santos, houve um aumento da fiscalização em relação aos principais pontos de descarte de resíduos e entulhos no entorno. Além de investimentos em saneamento básico para todo o entorno, que ampliou o tratamento do esgoto que era jogado no local.
“Historicamente, a gente acabou utilizando esses espaços para despejo de esgoto, de lixo, ou seja, a sociedade moderna, a nossa geração, vamos dizer assim, ela ficou de costas para os córregos. Então, são espaços que as pessoas não querem frequentar, são espaços que desvalorizam a cidade, porque estão poluídos. Então, mudar esse contexto todo, ele está no bojo desse projeto. Despoluir os córregos, resgatar sua biodiversidade, sua contribuição ambiental para o espaço urbano, que é tão importante, esse é realmente o principal do nosso projeto.”, explicou em entrevista ao RDtv.
Santos explica que o tratamento do Taioca acaba beneficiando todos os seus afluentes. Tal cenário segue um caminho diferente da história dos rios de São Paulo. Quando foi adotado o plano de desenvolvimento do engenheiro Prestes Maia (1896-1965), os rios e córregos acabaram como alvo de lixo e entulho, deixando de ter a possibilidade da ciclo navegação ou mesmo da utilização para lazer da população.

A proposta também vai chegar aos córregos que estão escondidos por baixo de ruas e avenidas da cidade. Nesse caso, o uso da tecnologia será feito. “Temos um robô, um equipamento, tecnologia, que adentra nessa tubulação e ele vai percorrendo, filmando, onde a gente consegue perceber redes clandestinas ligadas na rede oficial. Então, a partir desse momento, a equipe vai em campo, seleciona o trecho e vai moradia, comércio, indústria e tem aquele trecho identificando onde pode ser que está vindo aquela contribuição irregular.”, explica.
Para outros locais
A Prefeitura de Santo André também quer apresentar o programa dentro do Consórcio Intermunicipal Grande ABC e para outros municípios. A possibilidade de mais investimentos nesse cuidado com os córregos e rios, além de ações que possam melhorar a vida dos rios que cortam mais de uma cidade, como o Tamanduateí, aumenta a esperança dos gestores em uma alteração de rota, com o desenvolvimento mais saudável e sustentável das cidades.
“Então, o Estado tem que agir também nessa parceria e córregos que estão entre divisas de municípios, não depende só de um lado da margem, depende do outro lado da margem. Agora, essa oportunidade que nós temos, que a gente tem em Santo André, é uma oportunidade que os municípios aqui da região têm, através do Integra Tietê. E aí eu sempre digo, esse programa de disposição do Córrego Tietê, ele é um programa muito acertado, porque ele pensa na integração com os demais rios.”, inicia.
“Eu só vou ter qualidade de água no Tietê, à medida que eu trato todos os afluentes do Tietê. Os afluentes estão nos municípios da região metropolitana. Então, nós estamos aqui, além do Integra Tietê, dando uma contribuição maior, que é pensar no descarte regular, pensar na reposição da mata ciliar, pensar na questão dos assoreamentos dos nossos córregos, na fiscalização do esgoto clandestino, para que a gente, de fato, contribua para todos os córregos que recepcionam as águas para os rios de Santo André.”, conclui.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
