
Nesta sexta-feira (20), o dono de uma farmácia de manipulação foi preso em flagrante após a Polícia Civil apreender cerca de 90 mil ampolas de tirzepatida, substância utilizada em medicamentos para emagrecimento, durante fiscalização no Centro de Santo André. A suspeita é de que os produtos eram comercializados de forma clandestina para clínicas de diferentes estados, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
A ação foi conduzida por equipes da Delegacia de Investigações sobre Crimes contra o Meio Ambiente, após a instauração de inquérito para apurar a venda irregular de medicamentos injetáveis para emagrecimento. O responsável pelo estabelecimento, um homem de 26 anos, foi identificado como responsável pela produção irregular da substância.
Segundo o delegado Fabio Dal Mas, a fiscalização integra um monitoramento ampliado diante do aumento da procura por medicamentos injetáveis para emagrecimento em todo o país.
Parte do material apreendido já estava embalada em caixas refrigeradas, prontas para distribuição, o que reforça a hipótese de um esquema estruturado de fornecimento irregular. A estimativa dos investigadores aponta que o valor do estoque ultrapassa R$ 100 milhões. De acordo com a apuração inicial, a tirzepatida encontrada no local teria origem na China.
Durante a fiscalização, os policiais encontraram cerca de 84 mil ampolas armazenadas em câmara fria e outras 5,3 mil fora de refrigeração. Nenhum dos produtos possuía identificação de paciente ou receita médica correspondente, exigência prevista nas normas da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para manipulação individualizada.
Segundo o delegado, a quantidade armazenada é incompatível com a atividade regular de uma farmácia de manipulação, que deve produzir medicamentos apenas sob demanda e mediante prescrição médica individualizada. O volume apreendido indica manutenção de estoque muito acima do permitido, sem comprovação de pacientes vinculados a cada unidade.
Os agentes também identificaram outras irregularidades, como a presença de insumos vencidos utilizados na fabricação de medicamentos, substâncias fracionadas sem identificação e matérias-primas com prazo de validade expirado. Parte dos produtos apresentava vencimento entre novembro de 2025 e fevereiro deste ano.
O laboratório foi interditado e lacrado pelas autoridades. O caso foi registrado como falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produtos terapêuticos ou medicinais. As investigações continuam e buscam identificar clínicas que teriam recebido os medicamentos, além de apurar possíveis prescrições indiscriminadas da substância.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
