Ribeirão Pires atravessa um período de expansão e reorganização motivado pelo crescimento populacional, pela chegada de novos empreendimentos e pela necessidade de equilibrar desenvolvimento urbano e preservação ambiental. Para responder a essas demandas, o município aposta em políticas integradas que unem habitação, clima e meio ambiente.
Essas diretrizes foram detalhadas ao RDtv pelo secretário de Clima, Meio Ambiente e Habitação, Temístocles Cristófaro, e pelo subsecretário de Fauna, Marcus Leap. Segundo Cristófaro, a cidade passou mais de uma década sem estrutura adequada para atender famílias em vulnerabilidade habitacional – cenário que começou a mudar após levantamentos que identificaram mais de 1,5 mil famílias vivendo em moradias precárias. “A partir desses dados, foi montado um planejamento capaz de integrar habitação e preservação ambiental em uma política pública única”, afirma.
O secretário destaca que Ribeirão Pires recebeu 114 unidades do Minha Casa Minha Vida e uma indicação estadual para até 400 apartamentos em modelo de venda subsidiada. Além disso, há 39 empreendimentos privados em andamento, seis deles de grande porte. A orientação atual, explica o secretário, é priorizar projetos compatíveis com a realidade socioeconômica local, evitando que a cidade se torne inacessível à maior parte da população. Cristófaro acrescenta que a expansão urbana precisa caminhar junto da oferta de serviços essenciais – saúde, educação e transporte – para garantir crescimento equilibrado.

Monitoramento da fauna
O departamento de fauna voltou ao centro das atenções após moradores registrarem animais domésticos feridos, especialmente cães, na região de Ouro Fino. Desde 21 de novembro, a Prefeitura intensificou o monitoramento no local, e a equipe identificou ferimentos compatíveis com ataques de sussuarana, felino silvestre conhecido como onça-parda. Em nota, a Secretaria afirmou que “o monitoramento segue protocolo padrão e não há motivo para pânico”.
Marcus Leap explica que Ribeirão Pires faz parte de um corredor ecológico, o que aumenta a circulação de espécies de grande porte. Ele reforça que vídeos recentes atribuídos ao município eram de outras regiões, embora a investigação de rastros e padrões de comportamento continue. “O último registro confirmado de sussuarana em Ribeirão Pires foi em 2016”, diz.
Além das ações de monitoramento, o subsecretário lembra que o município mantém programas permanentes de educação ambiental nas escolas e ações de orientação à população. “As atividades envolvem biólogos, veterinários e técnicos que também prestam apoio ao ABC por meio de um grupo regional especializado”, comenta.
Recuperação de áreas naturais
Entre os projetos estruturantes, a revitalização do lago do Jardim Boa Sorte se tornou uma referência para a cidade. Após mais de duas décadas sem manutenção, a área foi recuperada sem necessidade de supressão vegetal. Leap explica que o espaço será usado para reabilitação de animais aquáticos e semi-aquáticos atendidos pelo departamento de Bem-Estar Animal. “O local também receberá turmas escolares para atividades práticas, e sua posição isolada do tráfego garante condições seguras para pesquisa e monitoramento”, afirma.
A secretaria também ampliou o trabalho de prevenção em áreas próximas a rios e córregos após o incidente na Vila do Doce. Equipamentos de monitoramento foram instalados em diversos pontos e hoje acompanham cerca de 16 quilômetros do território. Todos os novos empreendimentos passam por análises técnicas rigorosas para garantir segurança e proteção ambiental. Cristófaro destaca que quase metade do município ainda possui cobertura vegetal nativa, fator que orienta a criação de reservas, ações de reflorestamento e recuperação de áreas sensíveis.
A gestão municipal afirma que o objetivo é permitir que Ribeirão Pires avance sem perder a identidade que atrai moradores há décadas. “A prioridade é preservar o patrimônio ambiental enquanto a cidade se adapta às novas demandas de habitação e mobilidade”, conclui o secretário.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
