
São Caetano, por meio da Secretaria de Educação, consolidou em 2025 avanço na promoção da equidade racial nas escolas da rede municipal: a criação do eixo de Educação Afro Brasileira e Indígena dentro do NAEI (Núcleo de Apoio à Educação Inclusiva).
A iniciativa integra a reestruturação do NAEI realizada neste ano e amplia sua atuação para além da educação especial, incorporando ações permanentes de enfrentamento ao racismo e valorização das identidades negras e indígenas no ambiente escolar.
A construção do novo eixo é fruto de um processo que começou com a elaboração do Currículo Municipal que já apontava a necessidade de fortalecer a educação das relações étnico-raciais. Desde então, esse movimento ganhou corpo até culminar na institucionalização do eixo em 2025, alinhado às Leis Federais nº 10.639/03 e nº 11.645/08, que determinam o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas.
“A criação do eixo é o reconhecimento de que o combate ao racismo e a valorização das identidades não podem ser ações pontuais, restritas a datas comemorativas. A política pública precisa ganhar materialidade no cotidiano pedagógico, dentro dos projetos político-pedagógicos e dos planejamentos das escolas”, explica Milene Valentir, formadora do NAEI.
Ela destaca que o município está concluindo a elaboração de uma Lei Municipal de Educação das Relações Étnico-Raciais, que estabelecerá diretrizes para toda a rede. “É o passo que reafirma o compromisso da cidade com práticas permanentes, com protocolos para mediação de casos de racismo e com ações pedagógicas que façam esse debate ampliar nas escolas.”
Além da criação da nova legislação, o eixo de Educação Afro-Brasileira e Indígena assumiu a elaboração dos Protocolos de Enfrentamento ao Racismo nas Escolas, que receberam consulta pública em junho. O documento orienta equipes gestoras, docentes e comunidade escolar sobre procedimentos de prevenção, acolhimento e tratativas em casos de discriminação racial, e fortalece uma rede de proteção e escuta ativa.
Segundo Thuany Nogueira, formadora do eixo, a atuação do núcleo corrige um cenário histórico no qual o tema era tratado de forma fragmentada. “Superar a pedagogia do evento é fundamental. A educação para as relações étnico-raciais precisa estar presente ao longo de toda a jornada pedagógica, não apenas no mês de novembro. O eixo garante formação continuada, monitoramento e avaliação das ações para que a escola avance com segurança e propriedade.”
As formações conduzidas pelo NAEI em 2025 já demonstram avanços práticos: todo o corpo gestor da rede municipal — da Educação Infantil ao Ensino Médio — passou por formação específica sobre diversidade e relações raciais.
O eixo reforça um dos princípios contemporâneos da educação inclusiva: incluir é reconhecer, valorizar e pertencer. Como define Thuany: “Se houver uma palavra para resumir o que buscamos, é pertencimento. As crianças precisam se ver, conhecer suas histórias, suas referências, suas contribuições. Isso muda a experiência escolar e muda vidas.”
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
