A Universidade Federal do ABC (UFABC) auxiliou no trabalho de atualização do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) em Mauá, entregue em outubro. Ao RDtv, o coordenador do Laboratório de Gestão de Riscos (LabGris), da Universidade Federal do ABC (UFABC), Christian Ricardo Ribeiro, ressalta a importância de um planejamento detalhado que possa entregar mais dignidade para os moradores destes locais, numa associação de ações de infraestrutura e sociais.
Feito em conjunto com o Laboratório de Justiça Territorial (LabJus), coordenado pela engenheira ambiental e urbana, Talita Gonsales, um grupo de 20 pesquisadores passaram por diversas comunidades da cidade para analisar suas condições e riscos. No caso de Mauá, o adensamento populacional e a topografia do território foram considerados como os principais desafios para o estudo.
“Nós temos ali um relevo, uma geomorfologia de morros altos, grandes anfiteatros com muita concentração de fluxo de água, declividades muito elevadas, grandes amplitudes altimétricas, um substrato também rochoso, que é desfavorável também à ocupação. Então, a combinação de todos esses fatores, aliados também, muitas vezes, à falta de programas habitacionais, à redução dos programas habitacionais nos últimos anos, isso produz um quadro em que essas áreas em situação de risco vão se proliferando ao longo do tempo”, explica.
Foram mapeadas 5.468 moradias que estão em áreas de riscos localizadas nos bairros Jardim Zaíra, Rosina, Feital e Oratório. “E aí é o seguinte, dentro dessa metodologia de mapeamento que nós adotamos, que é a metodologia utilizada oficialmente pelo Ministério das Cidades, esse mapeamento prevê a determinação de graus de risco. Então, nós trabalhamos com o grau de risco médio, que a gente costuma chamar de R2, grau de risco alto, que a gente chama de R3, e grau de risco muito alto, que nós chamamos de R4. E quando nós falamos em risco aqui, nós estamos falando basicamente de riscos geológicos, geotécnicos e riscos hidrológicos”, inicia.

O pesquisador fala da possibilidade da ocorrência de deslizamentos e de inundações e alagamentos. “E você me pergunta, qual seria a diferença? O que diferencia cada um desses graus de risco? Então, nesse grau de risco médio, que é o R2, nós tivemos um total de 3.391 residências, que nós incluímos nesse grau de risco, que vai dar 62%. O R2, que é o risco médio, ele vai se caracterizar basicamente pelo fato de que, caso haja episódios de chuvas, intensas e prolongadas, no período compreendido na próxima estação chuvosa, e mantidas as condições atuais verificadas em campo, é reduzida a possibilidade de ocorrência de eventos destrutivos”, segue o especialista.
Após esse estudo, foi feito um planejamento sobre ações para proteger as pessoas destes locais. As medidas seguem caminhos que não precisam de intervenções físicas até ações imediatas de maior proteção. Ribeiro aponta que existe a possibilidade de investimentos em proteções que não precisam afastar do local onde essa família já está habituada.
“As pessoas que acessarem os documentos do Plano Municipal de Redução de Riscos de Mauá, que é um documento público, vão verificar que nós trabalhamos numa abordagem de prevenção e de mitigação do risco. Então, você vai verificar que nós estamos fazendo ali uma série de recomendações que permitam que as pessoas sejam, elas se mantenham ali nos locais onde elas já moram, elas já estão morando ali há muito tempo, nos quais elas mantêm relações familiares, comunitárias”, comenta.
“Então, é possível, através da combinação dessas medidas estruturais e não estruturais, que eu acabei de comentar, a permanência das pessoas nesses lugares. A gente sabe que, historicamente, em muitas situações, essa tem sido uma prática recorrente do poder público no Brasil, de fazer essas remoções. Agora, nós efetivamente não trabalhamos dentro dessa abordagem”, completa Ribeiro. Assista a entrevista completa.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
