
A Secretaria de Saúde de Mauá colabora com estudo da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) que verifica a eficácia da dose fracionada da vacina contra a febre amarela, aplicada na campanha nacional de 2018. A pesquisa avalia se a proteção concedida na época permanece ativa na população.
Equipes da UBS Feital realizam busca ativa por moradores imunizados há sete anos no “Projeto Febre Amarela” para verificar a eficácia da vacina fracionada (um quinto da dose padrão).
Agora, para ajudar na finalização do estudo, estas pessoas precisam realizar nova coleta de sangue na UBS Feital, às terças-feiras, das 13h às 15h – não é preciso agendamento. Se a amostra encaminhada para análise laboratorial indicar redução da imunidade, os participantes receberão nova dose da vacina.
“Queremos entender se essa proteção segue ativa. As amostras serão analisadas para identificar se os anticorpos e células de defesa ainda estão presentes no organismo”, explica a gerente da Vigilância Epidemiológica de Mauá, Kelly Cristina Del Ré. “A participação da população é fundamental para avançarmos no conhecimento científico e garantirmos mais segurança para todos no futuro”, acrescentou.
Entre 2016 e 2018, o Brasil enfrentou o maior surto de febre amarela silvestre das últimas décadas, com impacto especialmente nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia. O vírus, transmitido por mosquitos silvestres dos gêneros Haemagogus e Sabethes, avançou para áreas onde a população urbana estava há anos sem imunização.
O risco de reurbanização da doença, com transmissão potencializada pelo Aedes aegypti (vetor transmissor da dengue, da chikungunya e do zika vírus), levou o Ministério da Saúde a promover campanha emergencial de imunização em massa. Como o país não dispunha de doses suficientes da vacina padrão (0,5 mL), foi adotado o fracionamento das doses – estratégia validada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pela Fiocruz.
Com o fracionamento, cada frasco passou a render até 25 doses, o que permitiu ampliar rapidamente a cobertura vacinal. Entre janeiro e junho de 2018, a campanha imunizou cerca de 23,8 milhões de pessoas em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, sendo a maior vacinação com dose fracionada do mundo.
Estudos posteriores realizados pela Fiocruz e por institutos internacionais comprovaram que a resposta imunológica da dose fracionada poderia durar até oito anos em grande parte dos vacinados. Agora, as pesquisas de acompanhamento estão em andamento para confirmar a duração real da proteção conferida pela vacinação de 2018.
O levantamento contribuirá para definir políticas nacionais de imunização e orientar futuras estratégias de controle da febre amarela no país. “Contamos com a colaboração das pessoas. Esse é um gesto de cidadania que ajudará a proteger não apenas quem participa, mas também as próximas gerações”, afirmou Kátia Navarro Watanabe, secretária adjunta municipal de Saúde.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
