
O prefeito de Mauá, Marcelo Oliveira, recebeu na manhã desta terça-feira (21/10), o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), apresentado por pesquisadores da Universidade Federal do ABC (UFABC).
A equipe foi representada pelo coordenador do Laboratório de Gestão de Riscos (LabGris), Christian Ricardo Ribeiro, e pela engenheira ambiental e urbana e mestranda em Planejamento Urbano e Gestão do Território, Talita Gonsales.
Ao todo, o grupo da UFABC conta com 15 pesquisadores, incluindo o coordenador do Laboratório de Justiça Territorial (LabJus), Francisco de Assis Comaru.
A atualização do PMRR integra o convênio de 18 meses firmado entre a Prefeitura de Mauá e a Secretaria Nacional de Periferias do Ministério das Cidades, com apoio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A parceria fortalece as políticas públicas voltadas à prevenção de riscos e desastres em áreas vulneráveis. Além da Secretaria de Proteção e Defesa Civil, o projeto envolve diversas pastas municipais, como Planejamento Urbano, Obras, Habitação, Assistência Social, Saúde, Educação e Segurança Pública.
Mauá está entre os 20 municípios brasileiros participantes da iniciativa. Segundo Christian Ricardo Ribeiro, o trabalho permitiu elaborar um manual de orientação para apoiar outros municípios na formulação de seus planos de redução de riscos, formar novos pesquisadores e propor ações complementares ao simples mapeamento das áreas vulneráveis.
“O processo só foi possível graças ao empenho das instituições envolvidas. O PMRR é um instrumento essencial de planejamento e exige comprometimento dos municípios para ser constantemente atualizado”, destacou o coordenador. Ele também reforçou a importância da participação dos governos estadual e federal no processo de diagnóstico e execução das medidas.
Os dados socioeconômicos do Censo 2022, que revelam situações de vulnerabilidade social, coincidem com o mapeamento das áreas de risco feito pelos pesquisadores — inicialmente por meio de imagens de drone e, depois, com análises detalhadas em campo. Essa correlação permite potencializar as políticas públicas já desenvolvidas pela Prefeitura.
“O processo de expansão urbana foi acelerado e desordenado, e o risco é resultado das escolhas da sociedade”, afirma Christian.
Os pesquisadores visitaram 5.468 moradias, principalmente nos Jardins Zaíra, Rosina, Feital e Oratório. O levantamento identificou 11 pontos com risco de cabeceira (R2), 81 setores de risco médio (R2), 82 de risco alto (R3) e 41 de risco muito alto (R4). O documento propõe intervenções para as áreas classificadas como R3 e R4, com investimento estimado em R$ 206 milhões.
Desse total, a Prefeitura já conta com recursos federais superiores a R$ 160 milhões, obtidos em parceria com o Ministério das Cidades, por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A elaboração do PMRR também envolveu a criação do Comitê Gestor do Plano, reuniões territoriais e diálogo com comunidades, lideranças locais e movimentos sociais, garantindo que o planejamento considere as realidades de cada território.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
