
A esclerose múltipla é uma doença do sistema nervoso central que afeta o cérebro e a medula espinhal. A doença ocorre quando o sistema imunológico ataca a bainha de mielina, estrutura que reveste e protege as fibras nervosas, o que compromete a comunicação entre o cérebro e o corpo. “Esse processo leva à formação de múltiplas lesões, chamadas de escleroses”, diz Kleber Duarte, Neurocirurgião HC – FMUSP.
Atualmente, há em torno de 2,8 milhões de pessoas em todo o mundo com EM. Estima-se que no Brasil, cerca de 40 mil pessoas vivam com a doença, que costuma acometer frequentemente adultos jovens na faixa etária entre os 20 e 50 anos de idade, principalmente mulheres.
Segundo o médico, a causa exata da EM ainda não é conhecida, mas uma combinação de fatores, como predisposição genética e fatores ambientais, tais como infecções virais, deficiência de vitamina D, tabagismo e obesidade estão associadas ao seu desenvolvimento.
Os sintomas característicos podem surgir de forma repentina e desaparecer espontaneamente, o que muitas vezes dificulta e atrasa o diagnóstico. “Os sintomas mais comuns incluem: fadiga intensa, alterações visuais, formigamento, dormência nos membros, fraqueza muscular, dificuldades de locomoção, problemas cognitivos, distúrbios de humor, tremores, dores na face ou no corpo, entre outros.”
O diagnóstico da esclerose múltipla é clínico, baseado nos sintomas e em exames complementares. “O principal exame utilizado é a ressonância magnética, que identifica as lesões no sistema nervoso central. Outros exames podem ser solicitados para confirmação do diagnóstico”, afirma Duarte.
A EM pode se manifestar de formas distintas, no entanto cerca de 85% dos casos de esclerose múltipla apresentam surto, evento ou sintoma repentino e remissão, mas de forma recorrente. Desta forma, os surtos melhoram após o tratamento ou espontaneamente. Geralmente ocorrem nos primeiros anos da doença – e podem ter recuperação completa ou deixar sequelas.
Os tratamentos disponíveis podem modificar o curso da doença, reduzir a frequência dos surtos e controlar os sintomas. Dentre eles, medicamentos imunomoduladores e imunossupressores, como interferons, anticorpos monoclonais e moduladores de esfingosina; terapias para controle de sintomas, como antidepressivos, relaxantes musculares e analgésicos; reabilitação multidisciplinar, com fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia e apoio psicológico.
A expectativa de vida, embora possa ser ligeiramente reduzida, tem se aproximado cada vez mais da média populacional, graças aos avanços terapêuticos. Por isso, o diagnóstico precoce pode fazer uma grande diferença, pois o início rápido do tratamento medicamentoso e acesso à equipe multiprofissional pode atrasar a progressão da doença e favorecer a redução do acúmulo de incapacidades do paciente.
Além disso, é fundamental que o paciente tenha e mantenha uma rotina de cuidados com a saúde física e mental, essencial para qualidade de vida, como descansar quando em fadiga, realizar atividade física regularmente, manter a alimentação saudável e equilibrada, evitar situações exageradas de estresse e de calor excessivo. Manter-se ativo.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
