Reali quer reeleição para concluir projetos e trabalha por metrô na cidade

O prefeito de Diadema, Mário Reali (PT), foi o entrevistado desta sexta-feira (13/07) do RDtv.

O prefeito de Diadema, Mário Reali (PT), foi o entrevistado desta sexta-feira (13/07) do RDtv. O chefe do executivo, que tenta a reeleição, afirma que quer se manter no mandato por mais quatro anos para dar prosseguimento às obras e projetos que não puderam ser concluídos nestes quase quatro anos. Entre as propostas apresentadas pelo prefeiturável estão investimentos na região leste do município, cortada pela pista da rodovia dos Imigrantes, e a luta para levar o metrô até a cidade.

“O VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) passará por São Caetano, Santo André e São Bernardo, mas vai impactar diretamente para Diadema. Vamos brigar pela extensão da linha azul do metrô do Jabaquara até Diadema. Há demanda para isso e estamos conversando com o Estado. Precisamos ter esta sintonia”, defende.

O petista, que atuou como presidente do Consórcio Intermunicipal do ABC, também defende ações integradas entre as prefeituras, principalmente com relação à mobilidade urbana.

Confira a entrevista com o prefeito:

Repórter Diário: Quais foram suas marcas nestes três anos e meio de mandato?
Mário Reali:
Diadema tem uma tradição de investimento na área de infraestrutura, principalmente na área de habitação, mas nossa grande inovação foi na Educação. Construímos novas creches, municipalizamos 10 escolas estaduais, ampliamos a oferta do atendimento à educação, junto com uniforme, merenda escolar e projeto pedagógico de qualidade. Hoje os professores têm salários melhores e condições de trabalho. Educação tem sido nossa prioridade.

RD: Sabemos da dificuldade na contratação de médicos. Como resolver esta pendência?
Reali:
A saúde nunca deixou de ser prioridade. Temos mais de 30% do orçamento investido na saúde. Temos investido na rede de atenção básica e o Quarteirão da Saúde veio para suprir demanda de alta e média complexidade. O desafio maior é a contratação dos médicos. No início do ano fizemos projeto de lei par aumentar o salário dos médicos, aprovamos 180 profissionais em um concurso e com a contratação de mais 90 médicos conseguimos repor as vagas existentes no quadro. O quadro, tanto da atenção básica quanto de urgência e emergência, está completo. Esta questão do salário é um desafio para todos os municípios do País. Precisamos ampliar a formação de médicos e precisamos ter outra dinâmica de contratação na região metropolitana. Um município aumenta o salário e perdemos médicos para ele. Temos pautado isso no Consórcio.

RD: Como o senhor avalia o equacionamento dos pagamentos dos precatórios e qual é hoje a capacidade de investimento da cidade?
Reali:
Num primeiro momento centralizamos a ação junto ao Congresso para aprovar uma Emenda Constitucional que permitisse que o pagamento dos precatórios fosse vinculado a um percentual da receita. Esta emenda foi aprovada e isso possibilitou uma reprogramação do pagamento das dívidas. Diadema está em dias com suas dívidas e isso possibilitou um replanejamento das finanças. Mesmo assim fomos atrás de recursos junto ao Governo Federal e hoje temos muitos recursos para investimento na nossa cidade. Temos uma série de investimentos na cidade com parceria com os ministérios.

RD: De quanto é o orçamento da cidade atualmente?
Reali:
O orçamento é de R$ 750 milhões.

RD: Qual a capacidade de endividamento do município?
Reali:
A capacidade de endividamento é de quase 50% do orçamento, mas nosso problema é a capacidade de investimento. Quando discutimos a participação na reforma tributária, todos entes (municípios, estados e união) tentam puxar os recursos para seu lado. Os municípios estão perdendo recursos e ganhando atribuições. Chegamos a ter 20%, 25% de capacidade de investimento. Hoje poucos têm mais de 10% da sua receita como capacidade de investimento. Diadema tem hoje 5%.

RD: Qual a importância das parcerias para conseguir recurso dos governos federal e estadual?
Reali:
É fundamental trazermos recursos de fora, assim como linhas de investimento. É importante termos fôlego para conseguirmos recursos para pagar estes investimentos também. A gestão que fizemos foi para conseguirmos garantir que a dívida consolidada permanecesse em um patamar que mantivéssemos uma capacidade de endividamento para que nos próximos governos ainda tivéssemos capacidade de investir. Hoje o grande problema que temos é a forte estrutura social. É o grande desafio. Temos 7 mil funcionários, 20 UBSs, quase 60 escolas, temos demanda para novas creches, então o custeio é muito alto. 50% da despesa vai para a folha de pagamento. Temos uma política de repor perdas salariais. Repusemos as perdas neste governo. Não acumulamos perdas salariais aos funcionários.

RD: A questão da mobilidade urbana avançou em Diadema e na região?
Reali:
Estamos avançando, mas gostaria que fosse com passos mais largos. Em 2002 Diadema tinha um terço da frota de carros que temos hoje. Passamos de 57 mil para 160 mil carros, mas este aumento aconteceu em toda a região. São Paulo tomou atitudes quanto à restrição do transporte de cargas que nos fez precisar tomar algumas atitudes também. Este tipo de coisa não pode ser feito de forma unilateral, em um único município sem ser debatido em toda a região. Com a contratação do Plano Regional de Mobilidade, vamos ter um panorama muito importante. Creio que na próxima gestão os sete prefeitos terão uma agenda importante de investimentos a serem reivindicados. Precisamos ter algumas ações do ponto de vista operacional, como semaforização integrada com outros municípios. Diadema e São Bernardo precisam ter ação integrada como centro de monitoramento de trânsito e os fiscais trabalhando também integrados. Santo André e São Caetano precisam estar neste debate também. Este tipo de assunto tem que passar pelo Consócio, nunca deve ser feito de forma isolada. Assim como o transporte coletivo. O VLT passará por São Caetano, Santo André e São Bernardo, mas vai impactar diretamente para Diadema. Vamos brigar pela extensão da linha azul do Metrô do Jabaquara até Diadema. Há demanda para isso e estamos conversando com o Estado sobre isso. Precisamos ter esta sintonia.

RD: Quais as lições que o senhor tirou do Consórcio, já que foi presidente da entidade?
Reali:
Que precisamos cada vez mais de ações integradas, com interlocução com União e Estado. Esta questão da Mobilidade pode ser a maior ação inovadora neste sentido de ação integrada.

RD: Falando um pouco de eleições, como será a participação do ex-presidente Lula na campanha do senhor?
Reali:
Tenho certeza que ele estará presente. Na última eleição ele esteve na cidade e desta vez não será diferente.

RD: O que o senhor pode falar sobre a polarização do PT e do PSDB?
Reali:
É o tradicional, mas aqui em Diadema o PSDB talvez venha na candidatura do PV.

RD: Lauro Michels (PV) é uma novidade?
Reali
: É uma novidade meio antiga, porque ele uma família que representa a oligarquia da cidade. Não vejo nada de muito novo aqui.

RD: Qual a importância da presidente Dilma Rousseff na sua eleição?
Reali:
Ela tem sido importante para o governo e o governo é muito importante para nossa eleição. Mesmo não estando presente, ela indiretamente está participando. Ela será muito citada, está muito presente.

RD: Qual a importância do PAC no seu governo?
Reali:
O PAC foi a retomada do planejamento. Nunca vi a União fazer algo assim. Estamos planejando e contando com isso. Para meu próximo governo estamos pensando muito no setor leste da nossa cidade, em atenuar esta cicatriz da Imigrantes no município, que divide a cidade. O número de investimento no setor imobiliário na nossa cidade é enorme. São cerca de 10 mil unidades habitacionais que serão construídas. Isso vai impactar a cidade, precisamos adequar a cidade a esta nova realidade. Temos gargalos de infraestrutura, então para o PAC 2 estamos pensando em intervenções no saneamento e no sistema viário para amenizarmos estes impactos.

RD: Diadema virou a página da criminalidade?
Reali:
Reduzimos os homicídios, mas nosso grande desafio é o roubo e o furto. Me reuno mensalmente com a Polícia Militar e com a Civil porque temos de estar sempre atentos, são políticas de segurança cidadã junto com políticas sociais e ações frequentes.

RD: E como estão os funcionários públicos?
Reali:
O funcionário público precisa ser valorizado para garantirmos serviço público de qualidade. Precisamos valorizar, dar incentivo, treinamento, condições de trabalho e bom salário sempre controlando a folha de pagamento. Estamos discutindo planos de carreira para o servidor ter um pensamento de crescimento e perspectiva.

RD: E como está o déficit de vagas nas creches? É possível zerar a fila de espera?
Reali:
Vamos trabalhar para ampliar o atendimento. É impossível universalizar o atendimento nas creches. Não vou prometer universalizar isso na minha campanha. Para que isso fosse possível teríamos de ter 22 mil vagas. O que está sendo discutido no Plano Nacional de Educação é ter um período para atendermos 50% da demanda. Na lista de espera temos 5 mil, mas estamos para entregar duas mil vagas. Precisaria fazer no próximo governos pelo menos 2 ou 3 mil vagas. Temos metas a serem atingidas com o Ministério Publico. Caso o Plano Nacional de Educação sega estas metas, teríamos de ter perto de 11 mil vagas.

RD: Por que o senhor quer a reeleição e quais as principais propostas?
Reali:
Nosso governo foi realizador, entregamos muitas coisas, mas muitas coisas estão ou no início ou no meio da realização. Quero concluir este plano de governo que fizemos em 2009. O que proponho é fazer este plano de trabalho, melhorar a vida das pessoas com creches, com infraestrutura, concluir este governo sem nenhum barraco de madeira, avançar na questão ambiental com a coleta de esgoto e seu tratamento. Com estas quase 10 mil unidades que serão construídas também precisaremos fazer ajustes no sistema viário. Fizemos projetos que não tinham possibilidade de financiamento, como a ciclovia, e pelo número de pessoas que a estão utilizando pretendemos aumentar isso, aumentar as opções de parques também. São várias ações, algumas foram parcialmente executada, mas para concluirmos precisaremos da reeleição. A reeleição servirá de referendo para verificar se o governante deve continuar ou não.

RD: Seu Plano de Governo está pronto?
Reali:
Está pronto e nos próximos dias poderá ser verificado no site que iremos lançar.  

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