A endometriose é uma doença que acomete mulheres desde a adolescência, e que por vezes, é normalizada como uma dor repentina que na realidade pode provocar grandes prejuízos no futuro. Para entender como ocorre essa modificação no funcionamento do organismo, ao RDtv, o cirurgião ginecológico no Hospital e Maternidade Brasil, Rogério Tadeu Felizi, explica alguns fatores de diagnóstico e prevenção da doença.
A endometriose é uma modificação no funcionamento normal do organismo em que as células do tecido que revestem o útero (endométrio), em vez de serem expulsas durante a menstruação, se movimentam no sentido oposto e caem nos ovários ou na cavidade abdominal, onde voltam a se multiplicar e a sangrar. Segundo Felizi, mulheres entre 15 a 50 anos (período fértil), têm maior tendência a desenvolver endometriose. Dentre os sintomas, a dor abdominal é a principal característica da doença, bem como dores nas relações sexuais, ardência ao urinar e dificuldades para engravidar.
Mesmo por se tratar de uma doença que pode acometer mulheres desde a juventude, o ginecologista diz que o diagnóstico tardio é um dos principais fatores que favorecem a endometriose. “Para se ter uma ideia, o diagnóstico dessa doença leva em média de oito a doze anos, o que mostra como o sintoma da dor é por vezes considerado normal e até negligenciado pelas pessoas, até mesmo pelos especialistas”, comenta.
O médico cita também que a partir da menstruação, a mulher já corre o risco de desenvolver endometriose, além de que o uso de medicamentos para reduzir as dores apenas dificulta o reconhecimento da doença.
Como tratamento, em casos leves são recomendados medicamentos para inibir o agravamento da doença, e em casos mais graves são realizadas microcirurgias que graças a tecnologia atual, possibilitam um procedimento cirúrgico pouco invasivo, com controle maior da dor e melhor retorno da paciente após a cirurgia. “Algo que podemos nos orgulhar é que esses procedimentos também são realizados através do sistema público de saúde, em que universidades parceiras oferecem estruturas capazes de dar sequência nos processos”, explica Felizi.
Para se prevenir, o especialista orienta que uma dieta equilibrada livre de carnes vermelhas, excesso de gordura e álcool, acompanhada de uma rotina de atividades físicas, formam o combo perfeito para ter uma vida saudável como um todo, levando em consideração que a obesidade e o sedentarismo são fatores de risco para desenvolver a doença.
“Antigamente havia muito preconceito e desinformação sobre a endometriose. Hoje em dia, principalmente pelas redes sociais, vemos um movimento de mulheres quebrando esse tabu de não falar da doença, depois de tanto tempo tratar como algo normal. Uma mulher que tem dor deve ser levada a sério para evitar consequências mais graves”, comenta o ginecologista.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
