Reitor da FEI diz que ABC precisa estar atento às ‘megatendências’

O RDtv tem promovido série especial para debater qual será o destino da matriz econômica do ABC, se continua baseada na indústria metalúrgica, automotiva ou em outros setores. Nesta terça-feira (17/5), o RDtv ouviu o reitor do Centro Universitário FEI, Gustavo Henrique Bolognesi Donato, que aponta a necessidade da região ficar atenta às ‘megatendências’, que são grandes eixos sociais e econômicos que desenham o desenvolvimento da indústria a longo prazo, conceito já observado pela universidade há cerca de seis anos.

O conceito de megatendências é uma iniciativa estratégica com objetivo de transformar os processos produtivos por meio da digitalização, conectividade e da exploração de novas tecnologias. “Tecnologias para saúde e bem estar são um filão enorme, nossa região começa a endereçar soluções e poderia aumentar muito a oferta, gerando novas soluções e emprego. Podemos nos inspirar nas políticas de ciências e tecnologias de inovação federal, mas esse itinerário de megatendências, áreas estratégicas aproveitando as competências da região e chegando nas tecnologias e o que precisaríamos reverter, é o caminho de prospecção das áreas de futuro”, analisa Donato.

Reitor da FEI, Gustavo Donato, fala sobre o destino da indústria no ABC, em entrevista ao RDtv (Foto Reprodução)

A desindustrialização é ponto de discussão no ABC, há cerca de uma década, pois o fato impacta a região de forma significativa. Mas a discussão ainda não definiu qual a identidade da indústria na região, o que impacta no desenvolvimento de políticas de fomento do setor.  Segundo Donato, mesmo com a desindustrialização, o ABC ainda é integrante relevante do setor industrial no Brasil. “O PIB industrial da região é o segundo do Estado e o terceiro do País. E a nossa região segue sendo uma potência, com cerca de 24 mil indústrias e o emprego industrial favorece 26% da população economicamente ativa, e o setor pode ser ainda muito mais forte”, afirma o reitor.

Para o ABC, Donato vê a necessidade de renovar as políticas públicas de atratividade às indústrias, bem como aproveitar o capital intelectual e incentivar as inovações no setor. “Essa é uma responsabilidade compartilhada pelos governos, universidades, empresas, sindicatos e associações. A FEI é muito otimista, pois temos visto um crescimento em termos absolutos de alguns setores muito fortes, que podem favorecer esse ecossistema industrial e fazer a região voltar a ter mais protagonismo no cenário industrial brasileiro”, analisa.

Sobre quais os caminhos necessários para que a região defina a sua identidade industrial e retome o protagonismo industrial no País, Donato afirma que não é necessário aguardar orientações ou definições nacionais e estaduais, e que o ABC tem condições de definir e organizar as políticas industriais. “Precisamos passar por uma reconversão industrial em vários aspectos. Temos uma necessidade de ampliação do escopo de atuação da nossa região, do seu parque fabril, das nossas empresas, das suas corporações, tanto para as demandas emergentes do mercado em que já atuamos quanto para novos mercados”, afirma o reitor e reforça que, para isso, é preciso fortalecer e requalificar a mão de obra regional, bem como investir em tecnologia, para que o parque fabril atenda diversos setores como agronegócios.

Para a adequação desses modelos econômicos, Donato defende a aproximação entre poder público, universidades e empresas. “No ABC temos a vantagem de ter o Consórcio Intermunicipal ABC, que facilita esse diálogo. Precisamos ter um alinhamento desses agentes, conversando em uníssono, conseguimos ampliar o desenvolvimento do setor de maneira mais efetiva”, aponta. Existem três barreiras que impedem o avanço, como a definição entre empresa e universidade sobre qual escopo do desenvolvimento e colaboração necessária, bem como o desalinhamento de tempo e o financiamento adequado para cada tipo de iniciativa, como reforça o gestor.

 

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