Tornar-se um milionário é o desejo de muita gente. E “Vidas em Jogo”, novela da Record que estreia no dia 3, trata os “dois lados da moeda” para quem sonha entrar no restrito “clube dos riquinhos”. Cristianne Fridman, autora do folhetim, conta a história de dez amigos que fazem um bolão para concorrer no jogo da virada de ano e acabam ganhando. “As entrevistas com os jogadores que estavam na fila prestes a fazer as suas apostas sempre me comoveram. Os olhos deles brilham”, explica a autora. Além disso, a inspiração da escritora também veio de uma história pessoal. Seu pai morreu enquanto conferia um bilhete em uma casa lotérica. Na mesma, as pessoas em torno do corpo começaram a procurar o jogo, ignorando o drama da morte. Cristianne acompanhou pessoalmente a cena, que aconteceu em uma sexta-feira 13 de 1984. “Na novela, os personagens começam a morrer pela ambição e o dinheiro não vale a vida de um ser humano!”, desabafa.
A série de assassinatos ocorrerá depois de, através de um contrato, os jogadores se comprometerem a alcançar algumas metas pessoais – como emagrecer, para a gordinha Margarida, de Amandha Lee, e criar uma cooperativa de táxi, no caso da ousada Andrea, vivida por Simone Spoladore. Depois de cumpridas, os jogadores poderão pegar a outra metade do prêmio, depositada em uma poupança. Os amigos começam a entrar em crise e uma série de assassinatos acontece para que o dinheiro reservado seja dividido por menos pessoas. “Os próprios participantes também sabotarão uns aos outros para que eles não cumpram as suas metas e assim não possam pegar a outra parte da bolada”, adianta Ricardo Petraglia, que será o aposentado Belmiro, um dos ganhadores que vê a relação com sua filha, a interesseira Fátima, de Luciana Braga, mudar depois de ficar milionário. “Ela não se dá bem com o pai, o trata mal, mas depois que ele ganha o dinheiro, resolve colar nele. Vamos colocar uma pitada de humor nela”, conta Luciana.
Além da trama financeira, a novela também traz características do folhetim clássico. O triângulo amoroso formado pelo mocinho bom-caráter Francisco, um dos ganhadores vivido por Guilherme Berenguer, a sonhadora e apaixonada mocinha Rita, de Julianne Trevisol, e a arrogante Patrícia, interpretada por Thais Fersoza, traz os elementos do “novelão”. “Ele acredita na relação dele com a Patrícia, mas a Rita sempre tenta fazê-lo abrir os olhos de que uma menina com dinheiro não ficará com o motorista da sua família”, adianta Guilherme. Os mocinhos se conhecerão no prédio abandonado que pertence a construtora da explosiva Regina, de Beth Goulart, e que foi ocupada por uma série de desabrigados. Francisco e Rita moram no edifício e resistirão, junto com os outros moradores, a sair do prédio quando Regina, que é mãe de Patrícia, resolve reavê-lo. Para isso ela contrata Cleber, miliciano representado por Sandro Rocha, que usará de violência para despejar os invasores. “Na verdade, a atitude dela é justificada, já que está em meio a uma crise na empresa. Cai o arquétipo do vilão e se mostra o lado bom e ruim do personagem”, defende Beth.
Com os despejos e outros conflitos armados que envolverão as milícias, “Vidas em Jogo” terá mais cenas de ação do se viu em sua antecessora, “Ribeirão do Tempo”. Alexandre Avancini, diretor da produção, preferiu investir em muitas externas – que incluem locações no Rio, em Belém e nos Lençóis Maranhenses – , que ocupam quase 70% do total de capítulos. “Assim possibilitamos uma linguagem mais ágil, que exige um grau de realização apurado. O resultado é de cinema”, garante “Avec”, como é chamado o diretor. “Serão 200 capítulos de aventura, amor e conflitos”, define Cristianne. “Ela disse que são 200, mas esqueceu de dizer que podem ser mais”, completa Hiran Silveira, diretor de teledramaturgia da emissora.
Quem é quem na novela “Vidas em Jogo”
Francisco (Guilherme Berenguer) – Motorista e líder de uma banda, sonha em assumir sua relação com Patricia. Renegado pela moça por ser pobre, começará a se interessar por Rita. Mas, depois que ganha na loteria, Patricia volta a correr atrás do rapaz.
Rita (Julianne Trevisol) – Apaixonada por dança, sonha em se profissionalizar na arte. Doceira como a mãe, Zizi, é batalhadora e ajuda a família. Não fala com o pai, que não a aceita como dançarina. É apaixonada por Francisco mas não demonstra.
Patrícia (Thais Fersoza) – Fútil, considera o romance com Francisco fadado ao fracasso por ele ser pobre. A história muda depois que o garoto ganha na loteria.
Regina (Beth Goulart) – Dona de uma construtora, a vilã da trama tenta despejar os moradores que invadiram um prédio pertencente a sua empresa.
Marizete (Betty Lago) – Empregada doméstica que vira uma emergente insuportável quando ganha na loteria. Sente raiva de Regina, sua patroa.
Andrea (Simone Spoladore) – Taxista, não teme rodar com o carro à noite. Depois que ganha o bolão, formará uma cooperativa de táxi.
Lucas (Marcos Pitombo) – Motorista de van, é apaixonado por Andrea. Mas verá a sua relação entrar em crise quando a mulher ganha na loteria.
Carlos (André Di Mauro) – Músico, vive com seu companheiro inseparável, o cachorro Zé. Luta pela permanência dos moradores no prédio abandonado. Também é um dos ganhadores do jogo.
Belmiro (Ricardo Petraglia) – Aposentado e presidente do Clube de Futebol e Regatas Cariocas, onde os amigos se reúnem para uma “pelada” semanal. É um dos ganhadores do bolão.
Fátima (Luciana Braga) – Tragicômica, luta pela ascensão social. Não se dá bem com Belmiro, seu pai. Mas passará a ter uma boa relação com ele depois de o pai ganhar na loteria.
Cleber (Sandro Rocha) – Miliciano que cuida do despejo dos invasores do prédio de Regina.
Dona Augusta (Denise Del Vecchio) – Mulher sofrida que cuidou do filho sozinha. Não gosta de gastar dinheiro. Será uma das ganhadoras do bolão.
Zizi (Lucinha Lins) – Doceira, mãe de Rita. Luta para que a filha volta a falar com o pai.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
