Com indiretas à Alaíde, Atila afirma que não fará vingança

Com um discurso de que “não pagará o mal com o mal”, o prefeito de Mauá, Atila Jacomussi (PSB), concedeu a primeira entrevista coletiva após retornar ao cargo, nesta quinta-feira (13). Em cerca de 40 minutos, o socialista deu uma série de indiretas à vice-prefeita, Alaíde Damo (MDB), e aos aliados que ficaram ao lado da emedebista durante os 126 dias em que ficou afastado. O chefe do Executivo mauaense afirmou que pretende retomar algumas ações de sua gestão e também criticou ações de sua antecessora.

Apesar de iniciar o discurso em tom conciliatório com todo o grupo político, Atila Jacomussi não perdeu a oportunidade de dar indiretas aos membros do governo interino de Alaíde Damo. “Eu sou o prefeito dos pobres, dos mais necessitados. Não sou prefeito do nepotismo, sou prefeito do povo”, disse o socialista em clara referência ao fato do ainda secretário de Governo, Antônio Carlos de Lima, ser sobrinho de Alaíde.

Na mesma linha, Atila afirmou que pretende retomar programas que foram paralisados pela gestão interina, como a distribuição do café da manhã do trabalhador no terminal de ônibus da região central e a reabertura do Pronto Socorro do Hospital de Clínicas Dr. Radamés Nardini. Também criticou a entrega da UBS (Unidade Básica de Saúde) do Jardim Itapark, que segundo Atila “não foi inaugurado da maneira em que deveria”. Também afirmou que nos últimos quatro meses o município perdeu R$ 10 milhões para a reforma de terminais de ônibus.

Apesar das críticas, Atila não quis fazer avaliação de governo Damo (Foto: Pedro Diogo)

Quando questionado sobre o decreto de calamidade financeira anunciado em julho, o chefe do Executivo considerou que a ação do núcleo econômico de Alaíde Damo foi uma forma de transferir responsabilidade em relação aos problemas da cidade.

Sem desculpas
“A situação econômica de Mauá nunca foi fácil. Quando assumimos nós tínhamos quase R$ 1,3 bilhão de dívidas globais, quase R$ 400 milhões em dívidas de curto prazo deixado pela administração do ex-prefeito Donisete Braga (Pros). Não estou fazendo crítica nenhuma, são os números, e em nenhum momento eu fiz uma política de transferência de responsabilidade. Em nenhum momento eu assinei um decreto de calamidade financeira. Ao invés de arrumar desculpas, eu procurei trabalhar”, afirmou.

Sobre os aliados que se mantiveram fieis à Alaíde Damo, como o secretário de Serviços Urbanos, Francisco de Carvalho Filho, o Chico do Judô (Patriota), e o chefe da Secretaria do Verde e Meio Ambiente, Márcio Canuto (PSDB), Atila afirmou que estava “surpreso” com a informação, mas negou que irá fazer qualquer tipo de movimento de “vingança”.

“Às vezes as pessoas fazem opções na vida, talvez queriam se aproximar de forma política ou não para ajudar, não sei, não vou ficar avaliando isso, tudo tem de ser feito com cautela. Mas tem uma coisa, na vida você tem de ter lado e tem de ter honestidade. Eu sou um cara que prezo pela minha palavra, a única coisa que eu tenho é minha palavra, a minha honra e minha família. Infelizmente, se algumas pessoas acharam que ficar ao lado da Alaíde era o melhor para Mauá, isso para mim não faz diferença”, disse o prefeito.

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