Ícone de beleza e sensualidade dos anos 1950 e 1960, a atriz francesa Brigitte Bardot é o tema do espetáculo Com Amor, Brigitte, que chega neste final de semana ao Teatro Municipal de Santo André. As apresentações serão realizadas no sábado (10) e domingo (11), e discutem o direito à intimidade e à vida privada dos artistas. Com texto assinado pelo dramaturgo Franz Keppler e direção de Fábio Ock, a peça faz um rápido recorte da história de Brigitte, quando passou quatro dias fechada no apartamento de um camareiro, no Rio de Janeiro, para escapar do assédio de fãs e jornalistas.
O episódio aconteceu em 1964, quando a musa francesa, interpretada por Bruna Thedy, veio ao Brasil e precisou praticamente fugir de uma perseguição que passou dos limites ainda no aeroporto. O acontecimento foi tão traumatizante para Brigitte Anne-Marie Bardot que, aos 40 anos, a atriz decidiu abandonar a carreira em nome de uma vida mais tranquila.
Carregada com teor dramático, a ideia do espetáculo, segundo Keppler, foi fazer uma peça diferente do estilo biográfico convencional, para mostrar que a violação da privacidade é prejudicial não só para pessoas famosas. “Isso tem muito a ver com o que a gente vive hoje, de como que as pessoas se relacionam depois da internet. Parece que as pessoas estão todas te olhando”, diz o escritor.
Ao contrário da história original, na qual Brigitte ficou hospedada na casa de um amigo do namorado, o dramaturgo preferiu colocar a figura de um camareiro (André Souza) para fazer o contato entre personagens de mundos diferentes. Assim, a montagem da peça desmistifica a ideia de que as celebridades são mitos à medida que você os conhece. “Ao mesmo tempo que os dois são de mundos completamente diferentes, a gente percebe que eles têm muito em comum e que existe algo que os aproxima”, explica.
Em alguns casos a situação chegava ao extremo de fãs alugarem apartamentos vizinhos para tirar fotos pelas janelas e, para Keppler, esse assédio foi tão intenso que, se fosse hoje, a atriz francesa seria o mesmo fenômeno que Amy Winehouse foi e acabaria se matando, assim como fez a cantora.
Inspiração
Por conta da fama de Brigitte, a atriz Bruna Thedy cita a responsabilidade de interpretar um personagem ainda vivo na mente das pessoas, que gera uma expectativa grande por parte do público e, inclusive, uma comparação com a original. Por causa disso, desde o início Bruna se preocupou em se inspirar na francesa, não somente imitá-la.
De acordo com Bruna, quem assiste até fala que em vários momentos consegue ver a Brigitte, mas que ao mesmo tempo é uma coisa diferente. “Eu me inspirei na energia dela, no que ela representa. Foi isso que foi me dando liberdade para criar. É um pouco mais livre”, diz. Embora seja em proporções diferentes se comparado com o que aconteceu com Brigitte, Bruna comenta que toma cuidado sempre com as coisas que fala ou faz. “Serve de lição e gera uma reflexão para o comportamento na internet. A gente nem percebe, acha que é inofensivo, mas não. Apesar de ter acontecidos nos anos 1960, ainda é uma questão muito atual”, lembra a atriz gaúcha.
Serviço:
Com Amor, Brigitte.
Teatro Municipal de Santo André.
Sábado (10), às 21h, e domingo (11), às 19h.
Ingressos de R$ 60 a R$ 30, pelo site www.bilheteriaexpress.com.br.
Classificação: 16 anos
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
