Vendas de aço inox devem subir 10% no País em 2007

As vendas de aço inoxidável no mercado interno devem crescer cerca de 10% este ano, somando 220 mil toneladas, segundo estimativas do Núcleo Inox, entidade que representa o setor. A Acesita, do grupo Arcelor Mittal, única fabricante do Brasil, ficará com uma fatia de 80% deste mercado, enquanto o restante será ocupado por material importado. Segundo o presidente da entidade, Sérgio Mendes, a indústria está sendo impulsionada pela demanda aquecida dos setores de bens de capital, automotivo, papel e celulose, açúcar e álcool e bebidas. Os resultados do segmento de distribuição, que abastecem as pequenas indústrias, acompanham esta tendência. “O ritmo histórico de crescimento é de 6% a 7% ao ano, mas o avanço da economia está ajudando muito este ano”, afirma o executivo, que é diretor comercial e de serviços da Acesita.

A expectativa é de que o aumento no volume de vendas compense a retração dos preços deste tipo de aço, que caíram para poder competir com o material importado. Este ano, a combinação entre câmbio valorizado e a escalada nos preços das matérias-primas (em especial o níquel) ampliou a participação do aço inox importado no mercado brasileiro, historicamente dominado pela Acesita. Segundo o Núcleo Inox, o produto estrangeiro já tem 20% de mercado, fatia muito superior à média histórica de 2% a 3%. “O fenômeno foi acentuado a partir de 2005 com a valorização cambial”, diz Mendes. Entre o segundo e o terceiro trimestres deste ano, a Acesita diminuiu os preço do inox de 10% a 12% no mercado interno para manter sua participação de mercado.

No mercado externo, os preços tiveram uma queda ainda mais aguda, por volta de 25% a 30%, o que acentuou a entrada de inox importado no Brasil, oriundo da China e de países europeus. Este movimento foi provocado pelas oscilações no preço da matéria-prima. O níquel, que é um importante componente do inox, bateu um recorde histórico de US$ 52 mil por tonelada em maio na Bolsa de Metais de Londres, antes de cair para US$ 27 mil em agosto. Para a Acesita, o material representou 40,6% dos custos por produto vendido. A intensa queda do metal fez com que as indústrias consumidoras e os distribuidores do aço reduzissem o ritmo de compras à espera de maiores reduções nos preços, o que deixou as usinas siderúrgicas com grandes estoques e poucos pedidos.

Atualmente, fabricantes de inox de todo o mundo estão tentando reduzir seus estoques, enquanto procuram aumentar as vendas de produtos que não levam níquel em sua composição. “Ao contrário do que ocorreu no Brasil, o mercado mundial não encontrou a demanda tão aquecida, o que deixou os fabricantes de inox estrangeiros em uma situação ainda pior”, diz. Outros fatores que protegeram a indústria brasileira, segundo ele, foram a tarifa de importação de 14% para o aço inox e os altos custos envolvidos na colocação do produto no mercado interno.

A retomada do ritmo normal de compras de inox no mundo vai depender do comportamento do preço do níquel e da demanda de cada mercado. Na Europa, os estoques já estão voltando a seus níveis históricos porque seus preços caíram tanto a ponto de espantar o interesse das usinas chinesas em abastecer o país. Os Estados Unidos está passando por um processo mais lento, segundo ele. No Brasil, os estoques também estão voltando ao normal, o que deve garantir um bom ano para o setor em 2008, caso a economia continue indo bem. “O setor não tem do que reclamar. O aumento do crédito continua impulsionando as vendas de produtos de linha branca e automóveis, importantes consumidores de aço inox”, afirma.

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