
O número de brechós ativos no Brasil cresceu 32% entre 2024 e 2025, segundo o Sebrae, e chegou a cerca de 118 mil estabelecimentos. No ABC, são 394 lojas. Em São Bernardo, o Bazar Mamãe Clory mostra que o comércio de produtos de segunda mão também pode financiar ações sociais.
Diferentemente dos brechós tradicionais, que compram peças para revenda, o espaço recebe roupas, móveis e objetos por meio de doações. Os itens são vendidos a partir de R$ 1, e a renda, de aproximadamente R$ 260 mil mensais, é destinada ao Lar da Mamãe Clory, que atende 176 crianças e adolescentes sem receber recursos públicos.
O mercado de segunda mão movimentou cerca de R$ 24 bilhões em 2025 e atrai consumidores principalmente pelos preços mais baixos. Em pesquisa do Sebrae-SP com 400 pessoas, 71% apontaram a economia como motivo para comprar em brechós. No Bazar Mamãe Clory, o dinheiro arrecadado ajuda a custear alimentação, salários dos funcionários e despesas da instituição.
O hábito também ganha espaço entre os jovens. Segundo o Boston Consulting Group, 40% dos brasileiros de 15 a 35 anos têm roupas usadas no guarda-roupa. A questão ambiental reforça a importância do reaproveitamento: o Brasil gera 170 mil toneladas de resíduos têxteis por ano, das quais apenas 20% são recicladas, de acordo com o Sebrae.
Uma cadeia de reaproveitamento
No Bazar Mamãe Clory, todas as doações passam por triagem. Roupas e calçados em bom estado são encaminhados para a loja, com preços que variam de R$ 1 a R$ 200. Peças de marca, novas ou com etiqueta são destinadas à Boutique Mamãe Clory, loja online da instituição.
Louças, bijuterias e brinquedos ficam na seção de variedades. Móveis, livros e eletroeletrônicos passam por avaliação antes de serem colocados à venda. O que não é comercializado pode ser doado a outras instituições ou vendido como sucata, gerando recursos adicionais.
“Muita coisa que chega aqui iria para o lixo. A gente dá uma segunda vida para essas peças e ainda transforma isso em cuidado para as crianças”, afirma Vanessa Aroli, coordenadora do bazar.
Da venda à manutenção do Lar
O bazar é a principal fonte de renda da instituição. Os recursos pagam refeições das crianças e dos funcionários, salários das equipes, contas de água e energia e combustível do caminhão utilizado na retirada de doações.
“Quem compra uma peça aqui está ajudando a garantir a refeição e as atividades das crianças. É consumo com propósito”, diz Vanessa.
Criado na década de 1990, o bazar acompanha a trajetória do Lar da Mamãe Clory, fundado em 1969. A instituição teve origem no trabalho de acolhimento iniciado por Clory Fagundes de Marques em 1943.
Planos de expansão para 2027
Apesar de ser a principal fonte de recursos do Lar, o bazar depende de doações constantes. Para ampliar o atendimento em 2027, a instituição planeja chegar a 300 crianças e adolescentes no contraturno escolar, inaugurar um berçário, previsto para julho, e oferecer aulas de teatro.
Para viabilizar a expansão, o Lar mantém a campanha “Vai doar? O Lar da Mamãe Clory é o lugar!”, que busca dobrar o volume de doações diárias, de cerca de 60 para 120.
“O bazar sustenta o Lar hoje, mas para crescer precisamos que mais gente doe. Cada peça que chega pode virar uma vaga a mais para uma criança”, afirma Vanessa Aroli.
Serviço
Bazar Mamãe Clory
Endereço: Rua Francisco Visentainer, 438, bairro Assunção, São Bernardo do Campo.
Funcionamento: de segunda a sábado, das 9h às 16h30.
Instagram: @bazarmamaeclory
Boutique online: @boutiquemamaeclory
Doações: podem ser entregues no Lar diariamente, das 8h às 17h. Para agendar a retirada de itens grandes, o contato é pelo WhatsApp (11) 94467-4730.
Instagram do Lar: @mamaeclory.ong
Sobre o Lar da Mamãe Clory
Fundado em 1969, em São Bernardo, o Lar da Mamãe Clory é uma instituição filantrópica que atende crianças e adolescentes no contraturno escolar, com alimentação e atividades educativas, culturais e de movimento. A organização se mantém por meio de doações, do bazar beneficente e de parcerias privadas, sem receber recursos públicos.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
