
Na quinta-feira (29/10) falhou a tentativa de leiloar o imóvel onde está o Moinho São Jorge, que fica na avenida dos Estados, no bairro Santa Terezinha, em Santo André. O prédio inativo há pelo menos duas décadas e com mais de 100 mil metros quadrados teve o leilão judicial solicitado pela Prefeitura para o pagamento de tributos em atraso. O valor inicial era de R$ 290 milhões, mas interessado na primeira hasta realizada no dia 8/10, uma nova praça aconteceu com valor de R$ 149,5 milhões e novamente não houve lances. O proprietário Jorge Chammas Neto mantém o desejo de reativar o moinho e a avaliação é a de que, com o fracasso do leilão, a negociação com a Prefeitura fica facilitada.
O representante de Neto, o advogado Leonardo Dias Batista, disse ao RD que, como o imóvel não foi arrematado o procedimento é encerrado e, se a Prefeitura desejar terá de fazer um novo pedido à Justiça. Batista admite, porém, que há outros processos em andamento por conta de dívidas municipais, mas que a intenção é negociá-las. “Estou levantado todos os processos para negociar com a Prefeitura. A gente entende que agora, que não houve interessados, a negociação fica mais fácil com a Prefeitura”, diz o advogado.
A estimativa do proprietário é de que as dívidas com o município somem aproximadamente R$ 130 milhões. Para Batista essa dívida é “pagável” se negociada a forma de pagamento. “Enquanto isso a gente trabalha para evitar novos leilões e para reativar o prédio, mas tudo no Moinho São Jorge é superlativo, tudo é muito grande e tivemos problemas de invasões e furto de fiação; só com o painel elétrico gastamos R$ 5 milhões. A nossa cabine primária é tão grande que até a Enel fotografou para estudar. A prefeitura tem que compreender isso e que tudo é pagável desde que se flexibilize”, diz o representante do empresário dono do moinho.
O Moinho São Jorge completou 75 anos este mês. As primeiras estacas fincadas para a construção do prédio foram instaladas em 1951. O moinho foi inaugurado dois anos depois. O prédio é parte da história da cidade pois, além do espaço industrial, conta com um salão de festas luxuoso que, nos anos 70 foi palco de muitas festas que reuniram políticos e membros da alta sociedade paulista. O prédio ainda conta com algumas obras de arte que inclusive fazem parte do leilão.
No ano passado, para se defender de outro processo e evitar leilão, o Moinho São Jorge depositou judicialmente R$ 244.500,00 de outra dívida de IPTU e mais R$ 7.980,00 de custas processuais e conseguiu suspender a execução daquela dívida.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
