
O saldo da balança comercial do ABC entre janeiro e setembro deste ano foi 49,8% menor do que o obtido no mesmo período de 2025. No entanto, a região se destaca ainda com um superávit, ou seja, exportando mais do que importando, de US$ 273,6 milhões, ante um resultado negativo da balança comercial paulista, que amargou US$ 9,2 bilhões de déficit este ano.
Exportação
O ABC exportou até setembro deste ano US$ 4,2 bilhões, número US$ 426,6 milhões menor que o exportado no ano passado, segundo o levantamento feito pelas diretorias regionais do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) com base no Comexstat, site oficial do governo que cuida da estatística de exportação e importação no país.
O maior crescimento na exportação da região foi o de Diadema, que passou de US$ 102,5 milhões exportados no ano passado, até setembro, para US$ 120 milhões este ano, crescimento de 17,1%. A regional do Ciesp de Santo André, que engloba também os municípios de Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, teve um crescimento de 15,6% ao subir o patamar de exportações de US$ 795,4 milhões para US$ 919,7 milhões.
A queda das exportações em São Bernardo e São Caetano forçaram um resultado negativo das exportações no ABC de 9,22%. São Bernardo exportou em 2025, até setembro, US$ 3,1 bilhões e no mesmo período deste ano US$ 2,7 bi, desempenho 12,9% menor. A maior queda proporcional das exportações foi em São Caetano, de 27,7%, resultado de US$ 583,4 milhões no ano passado versus US$ 422 milhões até setembro deste ano.
Importação
Quanto às importações, as quatro regionais do Ciesp no ABC tiveram queda, deixando o resultado regional em -3,8%. Diadema foi onde as importações cairam mais; 7%. O município importou US$ 472,3 milhões em nove meses do ano passado e neste ano US$ 439,2 milhões. As empresas de São Bernardo importaram 3,8% menos, mas ainda assim, é de longe a cidade que mais exporta e importa no ABC. Foram US$ 2,4 bilhões importados ano passado e US$ 2,3 bilhões este ano.
A regional de Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, registrou queda de 3,3%, de US$ 878,3 milhões para US$ 849,7 milhões em importações. São Caetano teve queda de 0,4%, de US$ 289,8 milhões para US$ 288,6 milhões.
Na corrente de comércio, onde importações e exportações são somadas, o único desempenho positivo foi da regional do Ciesp que engloba quatro cidades. Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra tiveram índice 5,7% maior se comparado com o ano passado. As demais tiveram índice negativo, com desta que para São Caetano com a maior queda, de 18,6%.
Saldo
No saldo Diadema e Santo André melhoraram seus saldos no comércio exterior. Diadema subiu quase US$ 50 milhões, mas ainda tem um saldo negativo de US$ 319,2 mihões. Já Santo André transformou uma balança deficitária para superavitária; em 2025 até setembro estava com US$ -82,9 milhões e este ano já está em US$ 70 milhões.
São Bernardo viu saldo da balança comercial cair de US$ 703,9 milhões para US$ 389,5 milhões e São Caetano de US$ 293,5 milhões do ano passado passou para US$ 133,3 milhões.
Para o diretor titular do Ciesp de Diadema, José Adolfo Gazabin Simões, em um ano turbulento com tarifaço imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros e a crise internacional, as indústrias da região até que se saíram bem. “O remédio é sempre amargo, mas o tarifaço fez com que as empresas se movimentassem buscando novos modelos e novos mercados. Os números mostram a diversificação de produtos e a busca por esses outros mercados”, comenta.

Falando especificamente da regional de Diadema, que conseguiu melhorar o seu saldo na balança comercial em US$ 50 milhões no ano, Simões cita a Argentina cujas exportações subiram 21% e transformou o país, que não era líder no destino dos produtos diademenses, em no maior destino para eles. Ele citou também o Egito, país que era um destino inscipiente para as exportações, mas foi onde as exportações cresceram 121%. “Em que pese o volume exportado para o Egito ainda seja pequeno, esse crescimento mostra que ainda há muito potencial a ser explorado. Eu vejo que a necessidade fez com que as empresas saíssem do lugar de conforto para a busca de outros mercados. As tarifas e os tributos ainda pensam contra a indústria brasileira, mas estou otimista de que essa curva se manterá voltada para cima”, completa.
Diadema
As exportações da regional registraram US$ 120 milhões no período, um aumento de 17,1% na comparação interanual. Já as importações somaram US$ 439,2 milhões, o que significa uma queda de 7% frente ao mesmo período do ano passado. Os principais produtos exportados foram máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos (17,9%), veículos automóveis, tratores (9,9%) e ferro fundido, ferro e aço (8,5%). Por outro lado, as importações da regional se concentraram em máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos (26,5%), plásticos e suas obras (13,4%) e instrumentos e aparelhos de óptica (11,6%). Os principais destinos dos produtos de Diadema são: Argentina, Estados Unidos, México e Paraguai. A cidade importa mais de China, Alemanha, Estados Unidos e Japão.
Santo André
As exportações da regional do Ciesp de Santo André, que reúne também Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, totalizaram US$ 919,7 milhões no período, um aumento de 15,6% na comparação interanual. Já as importações somaram US$ 849,7 milhões, o que significa uma queda de 3,3% frente ao mesmo período do ano passado. Os principais produtos exportados foram borracha e suas obras (29,1%), armas e munições (18,5%) e plásticos e suas obras (15,1%). Por outro lado, as importações da regional se concentraram em plásticos e suas obras (16,4%), borracha e suas obras (12,9%) e produtos diversos das indústrias químicas (10%). As quatro cidades exportam mais para Estados Unidos, Argentina, México e Chile.
São Bernardo
As exportações de São Bernardo totalizaram US$ 2,74 bilhões no período, um decréscimo de 12,9% na comparação interanual. Já as importações somaram US$ 2,35 bilhões, o que significa uma queda de 3,8% frente ao mesmo período do ano passado. Os principais produtos exportados foram veículos automóveis, tratores (64,7%), máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos (10%) e cobre e suas obras (8,6%). Por outro lado, as importações da regional foram principalmente de veículos automóveis, tratores (29,5%), máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos (23,2%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (10,5%). Segundo Comexstat, a cidade exporta mais para Argentina, México, Chile e Peru e importa mais de Alemanha, China, Argentina e Suécia.
São Caetano
As exportações de São Caetano totalizaram US$ 422 milhões de janeiro a setembro, um decréscimo de 27,7% na comparação com 2025. Já as importações somaram US$ 288,6 milhões, o que significa uma queda de 0,4% frente ao mesmo período do ano passado. Os principais produtos exportados foram veículos automóveis, tratores (72,6%), ferro fundido, ferro e aço (11,9%) e ferramentas, artefatos de cutelaria e talheres (4%). Por outro lado, as importações da regional foram principalmente de instrumentos e aparelhos de óptica (24,1%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (20,5%) e veículos automóveis, tratores (15,7%). Os quatro maiores destinos dos produtos sancaetanenses são: Argentina, México, Colômbia e Estados Unidos. A cidade importa mais de China, Estados Unidos, México e Coreia do Sul.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
