
A circulação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo estúdio da Band interrompeu momentaneamente o debate com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e provocou confusão na plateia, formada por apoiadores e assessores dos candidatos à Presidência, no fim da noite de domingo (18/10).
O petista fazia suas considerações finais quando o senador se movimentou para trás dele.
As regras do encontro permitiam a livre circulação dos candidatos pelo espaço, mas, desde o primeiro bloco, a equipe de Lula acusava Flávio Bolsonaro de se aproximar demais do presidente e invadir seu espaço para atrapalhá-lo nas respostas.
A mediadora Adriana Araújo pediu a Flávio Bolsonaro que deixasse Lula fazer as considerações finais sem se aproximar dele, mas precisou elevar a voz para se sobressair às manifestações do público.
Na plateia, a reação mais enérgica do lado petista veio do marqueteiro Sidônio Palmeira, que reclamava da invasão do espaço reservado a Lula por Flávio Bolsonaro. O assessor do presidente discutiu com funcionários da organização e, nos intervalos, aproximou-se de Lula para orientá-lo sobre onde se posicionar.
Do lado de Flávio Bolsonaro, o deputado federal eleito Lucas Pavanato (SP) elevou a voz e pediu a expulsão de Sidônio. Funcionários da organização precisaram intervir no embate.
A movimentação de Flávio Bolsonaro remete a uma estratégia utilizada por Donald Trump em 2016, quando concorreu à Presidência dos Estados Unidos contra Hillary Clinton. Durante a campanha, a candidata do Partido Democrata também reclamou de aproximações indevidas do adversário durante os debates na televisão.
No livro What Happened, a ex-secretária de Estado relatou ter sentido “calafrios” durante o segundo debate contra o republicano. Segundo ela, Trump passou por suas costas e respirou com força sobre seu pescoço. “Donald Trump estava ali, pairando atrás de mim. Dois dias antes, o mundo o ouvira gabar-se de apalpar mulheres”, escreveu a ex-primeira-dama dos Estados Unidos.
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