O primeiro turno das eleições 2026 terminou. O ABC terminou o pleito com um deputado federal eleito e oito deputados estaduais reeleitos. Mas olhar eleitoral desse ano não ficou apenas para a formação da “bancada do ABC”, mas também nas estratégias eleitorais visando as eleições municipais de 2028. Especialistas participaram do RD Cast dessa terça-feira (06/10) e detalharam os principais movimentos das cidades.
Para os especialistas ouvidos pela reportagem, em São Bernardo o prefeito Marcelo Lima (Podemos) conseguiu pavimentar um cenário futuro de vantagem na busca pela reeleição, a partir de uma estratégia que buscou diminuir o ímpeto de seus principais adversários na cidade.
“Tudo estava dado para o Orlando (Morando) ser candidato a prefeito de São Paulo e a Carla (Morando) ser candidata a prefeita de São Bernardo. Todos acharam que o Orlando iria explodir de votos com o Smart Sampa e eles fariam uma dobradinha para ganhar as duas cidades. A estratégia foi por água abaixo.”, iniciou Nilton Tristão, o cientista político e diretor do Instituto Opinião Pesquisa e da GovNet S/A.
“Em São Bernardo, essa derrota do Orlando pode trazê-lo para um projeto que eu acho que ele não queria mais, que era ser candidato a prefeito. Eu acho que muda um pouco a relação, se o Marcelo não estiver bem avaliado, o Orlando acaba sendo um candidato fortíssimo em São Bernardo para a próxima eleição.”, comentou o advogado e professor de Ciências Políticas e Administrativas da Universidade Metodista de São Paulo, Tunico Vieira.
São Caetano
Com a reeleição de Thiago Auricchio (PL) para deputado estadual, sendo o mais votado em São Caetano, os especialistas entendem que o ex-prefeito José Auricchio Júnior (PSD) saiu como o vencedor dessa eleição na cidade.
“O filho teve a maior votação e os candidatos apoiados pelo prefeito Tite, Orlando Morando e Carla Morando, acabaram tento as mesmas votações de quando eles não foram apoiados por ninguém. Ou seja, o apoio do Tite não significou nada no processo da eleição proporcional. Eles tiveram exatamente o mesmo voto, sendo que máquina colocou toda a força política, mobilizou vereadores, mobilizou lideranças, mobilizou secretários e assim por diante.”, aponta Tristão.
“Quem saiu ganhando lá foi o grupo político dele (Auricchio). A Regina (Maura) não foi tão bem, não foi muito expressiva. Eu não acredito que, até pela caminhada deles, sempre no mesmo projeto, eu acho que esses votos são desse grupo. Eu entendo que o Tite terá um embate forte na reeleição.”, comentou Vieira.

Santo André
Em Santo André, Nilton e Vieira apontaram sua dúvida sobre a relação política do prefeito Gilvan Ferreira (Cidadania) e o ex-prefeito e deputado federal eleito Paulo Serra (PSDB). Ferreira não participou ativamente da campanha, apesar de ter liberado o secretariado para participar.
A dúvida é sobre o racha político exposto na Câmara durante a campanha, com parte apoiando Serra e parte apoiando Orlando Morando. Para os especialistas existe espaço para um cenário que Gilvan e Paulo lutem pelo comando do Paço. Outro cenário seria ter Ana Carolina na disputa eleitoral de 2028, assim Paulo Serra não precisaria abrir mão do cargo para que Alex Manente (Cidadania) assuma como primeiro suplente.
Mauá
Sobre Mauá, os especialistas entrevistados reforçaram o cenário de polarização entre Atila Jacomussi (PRD) e o PT. No caso, a dúvida ficaria sobre quem representaria o Partido dos Trabalhadores nas urnas. Rômulo Fernandes conseguiu espaço ao ser o mais votado, mas Tristão entende que não seria o nome visto pelo prefeito Marcelo Oliveira como o favorito.
“A vitória do Rômulo é a vitória de um grupo político. Enquanto o Marcelo, no meu ponto de vista, nesse primeiro momento, saiu enfraquecido. Ele não saí cravando um candidato. Ainda não, porque tem vários personagens na disputa.”, disse o cientista político.
Ribeirão Pires
Ribeirão Pires não teve deputados eleitos, porém, viu a disputa crescer entre o grupo de Guto Volpi (PL) e de Gabriel Roncon. Nilton e Tunico concordaram que o número de votos de Clovis Volpi (PSD) para deputado estadual representou uma avaliação sobre o atual comando da Prefeitura.
Com Roncon emplacando as candidaturas de Ana Carolina Serra e Paulo Serra na cidade, ambos acreditam que o ex-vice-prefeito vai sair na frente. Porém, Tunico lembra o nome do ex-prefeito Kiko Teixeira como um possível nome na disputa municipal.
Diadema
Sobre Diadema, ambos entendem que o prefeito Taka Yamauchi (MDB) levou vantagem ao ver o PT não eleger Josa Queiroz como deputado estadual. Com este cenário, ambos entendem que o emedebista está na frente para uma possível reeleição, principalmente levando em conta a falta de uma liderança no PT da cidade nesse momento.
Mas Tunico ressalta a possibilidade de o diretório estadual do Partido dos Trabalhadores resolver trabalhar um nome na cidade para a disputa, levando em conta a importância histórica que o município tem para a legenda e os resultados no primeiro turno em que a maioria do eleitorado diademense votou em Lula, Fernando Haddad, Simone Tebet e Marina Silva.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
