
Os wind banners estiveram entre os materiais de propaganda eleitoral mais vistos nas ruas durante as eleições de 2026 no ABC. Nesta segunda-feira (05/10), um dia após o primeiro turno, bases de wind banners foram encontradas abandonadas em diferentes pontos de São Bernardo.
Além da retirada das vias públicas, os materiais precisam receber destinação adequada para evitar o descarte irregular e reduzir os impactos ambientais.
Ao RD, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) esclareceu que a ordem para retirada dos materiais deve ser direcionada aos candidatos beneficiados e identificados nas peças publicitárias. Eventuais envolvidos também poderão ser analisados posteriormente, após o direito de defesa.
Segundo o TRE-SP, partidos e candidatos podem responder por crime de desobediência caso descumpram determinação judicial para retirada de propaganda irregular. Os wind banners tiveram a utilização proibida a partir das 22h de sábado (3), véspera do primeiro turno das eleições.
O professor mestre em Tecnologias Ambientais da Fundação Santo André, João Mucciacito, afirma que o simples recolhimento dos wind banners não encerra o problema ambiental. “O fato de recolher esses banners não quer dizer que isso já seja uma solução para o problema”, afirma.
Segundo o professor, parte das estruturas é feita de PVC, material resistente e de difícil decomposição no meio ambiente. “O PVC pode ser separado do concreto, triturado e transformado em outros objetos. A parte de poliéster também pode ser reciclada e transformada em ecobags, estojos, nécessaires, sacolas ecológicas e outros produtos”, explica.
A reciclagem aparece como uma das alternativas para reduzir o impacto causado pelo descarte desses materiais. Nesse sentido, a Justiça Eleitoral mantém a campanha “Eleições Sustentáveis”, que prevê a mensuração da quantidade de materiais encaminhados para reciclagem durante as eleições e solicita, após o período eleitoral, que partidos, diretórios e candidatos informem o volume de materiais descartados corretamente.
A campanha também reúne informações sobre cooperativas e associações de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis, com o objetivo de direcionar as sobras de campanha para a reciclagem e evitar o descarte irregular.
Campanhas digitais
A redução do uso de materiais físicos nas campanhas também é discutida por ambientalistas, que defendem a diminuição da quantidade de wind banners e santinhos espalhados pelas ruas nas próximas eleições. A proposta considera tanto o impacto provocado pelo descarte quanto a ampliação do uso de plataformas digitais na comunicação eleitoral.
A discussão também se relaciona aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), especialmente ao ODS 12, que trata de consumo e produção responsáveis e prevê a redução da geração de resíduos.
Para Mucciacito, estratégias digitais podem contribuir para diminuir a quantidade de materiais descartados. “Esse tipo de propaganda já não atrai mais os eleitores da mesma forma que antes. Hoje, o eleitor procura nas mídias e nas redes sociais candidatos com os quais mais se identifica”, avalia.
Além da demora na decomposição dos materiais no meio ambiente, o professor chama atenção para os impactos provocados pelo descarte de materiais impressos. “Os santinhos, quando ficam nas calçadas, podem fazer as pessoas escorregarem. Quando se acumulam, também podem entupir pontos de drenagem”, alerta.
Denúncias
Denúncias de propaganda eleitoral irregular podem ser encaminhadas pelo aplicativo Pardal, disponível gratuitamente para celulares Android e iOS. O serviço pode ser acessado pelo site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Crimes e ilícitos eleitorais também podem ser denunciados ao Ministério Público do Estado onde ocorreram.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
