
Mulheres que enfrentam efeitos ou dificuldades de adaptação às pílulas anticoncepcionais têm recorrido ao Implanon como alternativa de longa duração. No ABC, pelo menos 3.114 inserções do implante foram realizadas na rede pública entre abril e agosto deste ano. De acordo com as prefeituras, o tempo de espera para o procedimento é de cerca de 30 dias.
Santo André concentra o maior número de inserções, com cerca de 1.500, seguido por Diadema, com 963, São Bernardo, com 640, e Rio Grande da Serra, com 11 procedimentos realizadosM auá, São Caetano e Ribeirão Pires também foram procuradas mas não responderam até o fechamento desta matéria.
Em Diadema, 577 pessoas estão na fila de espera para a colocação do Implanon. Santo André e Rio Grande da Serra informaram que não há fila de espera para o procedimento.
Método impede ovulação
O Implanon é um pequeno bastão, com cerca de 3 cm de comprimento e 2 mm de diâmetro, inserido sob a pele do braço durante uma consulta, com anestesia local. De acordo com o Ministério da Saúde, o implante pode ser utilizado por mulheres de diferentes faixas etárias e tem duração de até três anos. A eficácia é superior à de métodos como a laqueadura das trompas, o dispositivo intrauterino (DIU) e os anticoncepcionais orais.
Ao RD, o ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade Santa Helena, Juan Félix, explica que o Implanon é um implante colocado sob a pele da paciente, que libera continuamente o hormônio etonogestrel na corrente sanguínea. A substância impede a ovulação e provoca alterações no muco cervical, mecanismos que contribuem para a contracepção. “De maneira geral, recomendamos aguardar sete dias para ter a contracepção garantida de maneira mais eficaz”, afirma.
Entre as contraindicações ao uso do Implanon estão a suspeita ou confirmação de gravidez, câncer de mama, doenças agudas do fígado, sangramento vaginal sem diagnóstico e alergia a algum dos componentes do implante. O método pode ser retirado a qualquer momento, por meio de uma pequena incisão na pele, com acompanhamento do médico responsável pela indicação.
Entre as vantagens do método, o ginecologista destaca a alta eficácia, a longa duração, a praticidade e a possibilidade de retirada a qualquer momento. Felix também cita a ausência de estrogênio na composição, característica que pode permitir o uso por pacientes para as quais esse hormônio é contraindicado. “Antigamente, esse método era restrito na distribuição para pessoas em situação de rua e pessoas com uso prejudicial de álcool e outras drogas. Agora, a distribuição foi ampliada para outros grupos”, explica.
Adaptação
A não adaptação ao método também pode levar à retirada do Implanon. Alterações no padrão de sangramento estão entre as principais queixas. “Eu sempre brinco que método é igual namorado, você vai tentando acertar até o momento que você acerta”, afirma o ginecologista.
A dificuldade de adaptação a outros métodos foi justamente o que levou Rafaela Carvalho, de 21 anos, a buscar o implante. Ao RD, Rafaela conta que optou pelo Implanon após enfrentar problemas com o uso de anticoncepcionais orais. “Eu tenho trombose e cisto, o anticoncepcional estava piorando”, relata.
Apesar de considerar o método positivo e afirmar que colocaria o método novamente, Rafaela relata que sentiu dor no braço durante as primeiras semanas após a colocação. “Também tive aumento da acne e do apetite”, conta.
A experiência durante o procedimento, no entanto, foi negativa. De acordo com Rafaela, um médico teria pressionado uma profissional recém-formada que participava da colocação do implante e feito comentários depreciativos sobre sua escolha pelo método contraceptivo. “A médica pediu desculpas após o episódio e eu denunciei o profissional”, relata.
Mariza Alencar, de 35 anos, relata ao RD que também chegou ao Implanon após não se adaptar a outro método contraceptivo. “Havia colocado o DIU de Mirena, mas não me adaptei, então escolhi o Implanon, pois com método de comprimido também não é muito bom para mim”, afirma.
Mariza conta que levou cerca de dois meses entre a decisão e a realização do procedimento. “A inserção foi tranquila. O braço ficou um pouco dolorido nos primeiros dias e senti certo receio de movimentá-lo, mas não tive intercorrências”, conta.
Adolescentes também têm acesso
O Implanon apresenta eficácia superior a 99% e pode ser utilizado por adolescentes e mulheres adultas, com ou sem filhos. Para Rafaela, o método também pode ser uma alternativa para adolescentes que desejam evitar uma gravidez não planejada. “Eu indicaria, especialmente para meninas mais novas do que eu, porque as pessoas começam a vida sexual cada cedo”, afirma.
O implante, no entanto, não protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Por isso, o método deve ser associado ao uso de preservativo para a prevenção dessas doenças.
De acordo com as prefeituras do ABC, o Implanon está disponível para mulheres entre 14 e 49 anos, desde que não apresentem sangramento anormal e não estejam gestantes.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
