
Um levantamento inédito da Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, com base na PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), revela o peso crescente da população 60+ na economia das famílias brasileiras. Pessoas com 60 anos ou mais já chefiam 21,6 milhões de domicílios, o equivalente a 32% dos lares do país.
Com renda média mensal de R$3.865, a maior entre as faixas etárias analisadas, elas também participam, sozinhas ou de forma compartilhada, da gestão do orçamento em 87% dos lares onde vivem.
Os números ajudam a desconstruir a imagem de uma geração dependente: os brasileiros 60+ administram suas casas, sustentam famílias e conduzem a própria vida. E uma parcela cada vez maior está fazendo isso sozinha.
Em dez anos, o número de pessoas com 60 anos ou mais que moram sozinhas cresceu 75%, com 2,76 milhões de novos lares unipessoais entre 2015 e 2025. Hoje, 32% dos 60+ que chefiam seus domicílios vivem por conta própria.
A independência revelada pelos dados traz consigo, no entanto, um desafio menos visível. Com o avançar da idade, viver sozinho pode tornar algumas situações mais delicadas: uma queda, um mal-estar ou uma emergência podem ter consequências maiores simplesmente porque não há ninguém por perto e nem sempre é possível alcançar um telefone ou conseguir pedir ajuda.
“Os dados mostram uma geração que continua protagonista da própria vida, inclusive financeiramente, e que deseja preservar essa independência por mais tempo. Morar sozinho é cada vez mais parte dessa realidade. O desafio é garantir que essa autonomia venha acompanhada de uma rede de apoio, especialmente para aqueles momentos em que a pessoa pode precisar de ajuda e não ter ninguém por perto”, afirma Marília Berzins, especialista em gerontologia e doutora em saúde pública.
É justamente para preencher essa lacuna que a teleassistência funciona como uma retaguarda para quem vive sozinho. Por meio de um botão de emergência conectado a uma Central 24 horas, a pessoa pode pedir ajuda com um simples toque, sem precisar chegar ao telefone ou depender da presença de um familiar.
A partir do acionamento, a Central identifica o cliente e a situação, entra em contato pelo próprio equipamento e conduz o atendimento de acordo com a necessidade. Isso pode incluir avisar familiares e contatos de emergência, realizar uma avaliação médica ou mobilizar outros recursos de apoio.
“Existe uma preocupação comum entre quem mora sozinho e também entre os filhos: se algo acontecer, como essa pessoa vai pedir ajuda? A teleassistência entra aí, não para tirar a independência de ninguém, mas para garantir que, se precisar, haverá alguém disponível para ajudar. E o principal risco de uma queda não é a queda em si, é o tempo até a pessoa receber ajuda. É exatamente nesse intervalo que a gente atua”, diz Bruno Mouco, CEO da TeleHelp.
O crescimento dos lares unipessoais mostra que envelhecer com independência já é uma realidade para milhões de brasileiros. O próximo desafio é fazer com que viver sozinho não signifique estar sozinho quando uma ajuda for necessária.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
