
Antes de o dia sequer clarear, muitos feirantes já estão trabalhando entre as cidades do ABC. A rotina envolve madrugadas para compra de mercadorias, montagem das barracas e longas horas de atendimento, além de desafios como segurança e falta de estrutura. Nesta terça-feira (25/08), Dia do Feirante, a profissão ganha destaque por manter viva uma tradição que também garante renda para centenas de famílias.
A feirante Monica Yamashiro conhece a profissão desde os 11 anos, quando começou a acompanhar o pai, que vendia legumes em Santo André. Hoje, há 27 anos com a própria barraca em São Bernardo, ela mantém uma rotina de trabalho que atravessa gerações.
“Comecei a trabalhar desde os meus 11 anos na feira. Meu pai também já foi feirante, ele vendia legumes em Santo André e eu também já fui trabalhar em São Paulo com a minha prima, que também vendia pastel. Lá mesmo eu aprendi a vender pastel. Aí, casei com o pasteleiro e fazem já 27 anos que eu estou com essa barraca aqui em São Bernardo”, conta.
Segundo Monica, parte do trabalho acontece quando a maioria das pessoas ainda está dormindo. Comerciantes precisam ir a locais como o Ceagesp e o Ceasa para comprar mercadorias, enquanto quem trabalha com alimentação precisa preparar os produtos com antecedência.
“É uma vida difícil. Tem o pessoal que acorda cedo, vai para o Ceagesp fazer compras, tem o pessoal que vai para as chácaras buscar as verduras. Nós, que somos os pasteleiros, temos que fabricar os pastéis para vender no outro dia. O pessoal acha assim: ‘ah, que vida boa, trabalha das seis às duas da tarde’, mas não vê o que está por trás disso tudo”, afirma.
Em São Bernardo, Monica trabalha de quarta a domingo. Às quartas e domingos, está na feira do Baeta Neves; às quintas-feiras, na Vila Gonçalves; às sextas, no Nova Petrópolis; e aos sábados, na avenida Francisco Prestes Maia.
Mesmo com a rotina puxada, ela diz que gosta da profissão e do contato com os clientes. A possibilidade de trabalhar em diferentes locais também é apontada como um dos fatores que fazem com que ela permaneça na atividade.
“É uma vida que a gente escolheu, tem seus altos e baixos, tem seu lado ruim, seu lado bom. Eu gosto de estar na feira porque gosto do contato com o público, gosto de estar cada dia em um lugar. Se não, cai na rotina. Ficar dentro de um escritório sentado, acho que essa ideia já não seria para mim”, comenta.
Falta de estrutura é um dos desafios
Além das longas jornadas, os feirantes também enfrentam problemas relacionados à estrutura dos locais onde trabalham. Monica cita a falta de banheiros químicos e a segurança como algumas das questões que precisam de atenção.
Segundo ela, banheiros chegaram a ser instalados nas feiras de São Bernardo, mas foram retirados depois de problemas relacionados ao mau uso e danos aos equipamentos. Para a feirante, a solução também passa pela conscientização de comerciantes e frequentadores.
“Eu acho que deveria ter uma conscientização de todo mundo, tanto dos feirantes como do pessoal que frequenta a feira, para não ficar fazendo bagunça”, afirma.
Procuradas pelo RD, as Prefeituras de Mauá, Ribeirão Pires e Diadema informaram que disponibilizam banheiros e que vêm ampliando ações de segurança para os comerciantes. Santo André informou que a Craisa é o órgão municipal responsável pelo setor e que recebe constantemente comissões de feirantes para discutir questões como remanejamentos, compactação e mudanças nas feiras. As demais prefeituras foram questionadas, mas não responderam até o fechamento da reportagem.
Mais de 130 feiras movimentam o ABC
A tradição das feiras livres continua presente em diferentes bairros da região. Santo André, Diadema, Mauá e Ribeirão Pires somam mais de 130 feiras semanais, que reúnem centenas de comerciantes e atraem milhares de moradores.
Em Santo André, são 70 feiras livres distribuídas pelos bairros, de terça-feira a domingo, das 7h às 13h. A cidade também possui uma feira noturna às quartas-feiras, no Conjunto Prestes Maia, das 17h às 21h, e a Feira Orgânica do Parque Celso Daniel, às quintas-feiras, das 8h às 12h. O município estima cerca de 1 mil feirantes, entre contratados e proprietários.
Diadema conta com 27 feiras livres. Dessas, 26 funcionam de terça-feira a domingo, das 5h às 14h45, enquanto uma ocorre às quintas-feiras, das 16h às 22h. A cidade possui 339 feirantes e 198 empreendedores, e a estimativa é de que mais de 2 mil pessoas circulem pelas feiras aos finais de semana.
Em Mauá, são cerca de 35 feiras, sendo 31 diurnas e quatro noturnas. O município possui aproximadamente 300 feirantes e registra média de 13 mil pessoas por dia nas feiras.
Já Ribeirão Pires possui quatro feiras. No período da manhã, das 6h às 13h, elas são realizadas na avenida Prefeito Valdírio Prisco, às quartas-feiras e aos domingos, e no Centro Alto, aos sábados. A cidade também mantém uma feira noturna às quintas-feiras, das 17h às 22h, no Complexo Ayrton Senna.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
