
Depois de manifestações dos moradores de um bairro de São Bernardo, o governo estadual decidiu alterar o local de instalação de um dos pórticos de pedágio eletrônico (free flow) na Rodovia dos Imigrantes.
Instalado no km 29, o pórtico será mudado para um novo local ainda não definido, em ponto anterior do acesso ao bairro Pós-Balsa. A alteração evita que os moradores da região tenham de pagar pedágio diariamente para chegar ao restante da cidade. Ainda não há data para mudança. A alteração não vai interferir no início da operação do pedágio free flow no Sistema Anchieta Imigrantes, previsto para o dia 1º de agosto.
A mudança foi definida após reuniões entre a prefeitura de São Bernardo, a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), a concessionária Ecovias e a Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp).
A alteração atende a uma reivindicação dos moradores da região, que temiam prejuízos à mobilidade e custos adicionais para o acesso à urbana central de São Bernardo. O bairro está situado às margens da Represa Billings e a Imigrantes é a única ligação terrestre das comunidades à área urbana de São Bernardo do Campo.
Há também um acesso por balsa, cuja travessia é operada pela Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae). Segundo a prefeitura, a região do Pós-Balsa tem cerca de 30 mil moradores, incluindo bairros rurais, como Capivari, Curucutu, Santa Cruz, Taquacetuba e Tatetos, além de quatro aldeias indígenas: Tekoa Guvrapaiu, Tekoa Kuruay Rexakã, Tekoa Nhamandu-Mirim e Tekoa Pinheiroty.
A SPI informou, em nota conjunta com a Artesp, que irá realocar o pórtico previsto no sentido capital para um ponto mais próximo do trecho de serra, mantendo os acessos locais da região do Pós-Balsa. Enquanto a mudança é implementada, os moradores da região terão isenção da tarifa por meio de cadastro. As orientações sobre o cadastramento serão divulgadas pelos canais oficiais do governo e da concessionária.
O início da cobrança do pedágio pelo sistema free flow, previsto para 1.o de agosto, não será alterado. A prefeitura de São Bernardo esperava que a cobrança começasse com o pórtico já reposicionado, o que não vai acontecer.
Custo de R$ 20 milhões
Mudar um pórtico de lugar exige uma estratégia complexa, pois, além de toda a estrutura com câmeras, sensores e condutores de eletricidade, existe uma rede de apoio operacional instalada no local. A reportagem apurou que o custo da mudança pode chegar a R$ 20 milhões.
Também não foi definido se o governo ou a concessionária arca com esse custo, que pode gerar necessidade de reequilíbrio econômico-financeiro no contrato. A reportagem do Estadão entrou em contato com a Ecovias e aguarda retorno.
Não é a primeira vez que o governo Tarcísio faz mudanças em pedágios automáticos após pressão de moradores e prefeitos. Como noticiou o Estadão, no ano passado, o governador recuou na instalação de ao menos 13 pedágios no modelo free flow, e os pórticos que já estavam instalados acabaram transformados em pontos de monitoramento de trânsito, sem cobrança. Apenas na rodovia Raposo Tavares há cinco desses equipamentos estão sem cobrança de pedágio.
Cobrança automática começa em agosto
O pedágio free flow começa a operar a partir de 1.o de agosto na Imigrantes e também na Anchieta, que são o principal acesso às praias da Baixada Santista, no litoral de São Paulo. Os pórticos permitem que os veículos passem pelo pedágio sem parar na cabine ou reduzir a velocidade.
Com o novo sistema, a cobrança da tarifa, que atualmente é feita pelo valor total de R$ 40,60 apenas na descida da serra, terá o valor dividido e será feita na descida e na subida. Assim, o motorista vai pagar R$ 20,30 na ida e R$ 20,30 na volta.
Os pórticos eletrônicos estão instalados no km 33 da Anchieta e no km 29 da Imigrantes, nos dois sentidos. As praças atuais com cabines, que operam no km 32 da Imigrantes e no km 31 da Anchieta, serão desativadas e demolidas nos próximos meses.
A fase de testes foi realizada ao longo do mês de junho, quando os pórticos registraram a passagem de 2,5 milhões de veículos, sendo 1,9 milhão de veículos de passeio (76%) e 600 mil veículos comerciais (24%).
Segundo a Ecovias, do total de veículos, 77% tinham tag ativa – entre os veículos comerciais, esse percentual subiu para 93. A tag permite o pagamento automático da tarifa. Quem não tem o dispositivo no veículo precisa acessar a plataforma Siga Fácil do governo paulista ou procurar um dos totens da concessionária que serão instalados nas bases de atendimento ao usuário e em postos de combustíveis das duas rodovias.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
