O pré-candidato a deputado estadual, Julinho Fuzari (Republicanos), quer se diferenciar por seus projetos aprovados e que foram referências para políticas públicas no Estado e no país. Ele cita, por exemplo, projetos aprovados em São Bernardo que inspiraram leis nacionais, como o cordão de girassóis usados por portadores de TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) e autismo, lei que determina atendimento preferencial a autistas, entre outras iniciativas que nasceram no seu gabinete na Câmara de São Bernardo, onde exerce o quarto mandato como vereador, e se tornaram políticas públicas nacionais.
Fuzari já tentou uma cadeira de deputado estadual nas últimas eleições e ficou com a segunda suplência. Ele diz que, na época atuou praticamente sozinho e, mesmo assim teve bom resultado. Agora com o apoio do prefeito Marcelo Lima (Podemos) e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), acredita que seu currículo político saia de São Bernardo e isso lhe traga mais votos.
“Na última eleição para deputado faltou muito pouco, sou segundo suplente hoje na Alesp. Minha juventude me colocava nessa direção de tentar alçar outros voos, mas o meu gabinete e o que a gente queria realizar não chegavam aos quatro cantos da cidade e hoje nós fazemos parte de um grupo político captaneado pelo prefeito Marcelo Lima que nos possibilita levar a informação, as nossas realizações e o que queremos para o Estado e para a política a mais locais e por isso me sinto preparado. Levar o nosso trabalho para fora da cidade isso aumenta a nossa possibilidade de performar muito melhor na urna”, diz o vereador e pré-candidato a deputado.
Fuzari se apoia também no apoio de Tarcísio. “Foi um convite do governador, para que eu pudesse integrar o Republicanos, eu o acompanhei desde a sua chegada a São Paulo e hoje tenho possibilidade de pertencer aos quadros do governador. Temos muitas entregas, o Metrô, por exemplo. Quando o Doria enterrou o projeto do metrô entregando um prejuízo de milhões de reais, ele trocou o Metrô pelo BRT inclusive com o apoio do prefeito de São Bernardo que na época também era do PSDB (Orlando Morando). Agora o governador Tarcísio diz que o ABC terá o BRT funcionando, mas que o ABC terá também o Metrô porque merece. Ele já afirmou que as obras começarão pelo ABC”, destaca ao falar da sua proximidade com o chefe do Executivo do Estado.
Multas
Julinho Fuzari falou sobre sua luta contra os radares móveis e o projeto, de sua autoria, que proibiu em São Bernardo o uso deste tipo de equipamento. “Sou conhecido por ir atrás destas máquinas de arrecadar dinheiro escondidas atrás de árvores e postes, com o propósito de arrecadação e punir o motorista com a perda da habilitação. Hoje muita gente sobrevive da habilitação, como motorista de aplicativo, por exemplo. A isso foi colocado um fim agora com a aprovação de um projeto de minha autoria que põe fim aos radares móveis e vou legar isso para a Assembleia Legislativa também e acabar com isso em todo o Estado. Vejo como uma prática perversa de arrecadação, não sou contra radar fixo em locais necessários, bem localizado e bem sinalizado, porta de hospital, porta de escola e alguns lugares onde as pessoas abusam da velocidade, mas que tenha propósito de educar e coibir abusos”, disse o parlamentar que fez a indicação, mas o prefeito fez questão de fazer menção de quem foi o autor da indicação. “Sou um dos parlamentares que tem mais leis sancionadas em São Bernardo, porque há diálogo. Em outras gestões não havia diálogo”, destaca.

Em entrevista ao RDCast desta quinta-feira (16/07) Fuzari falou também de outro projeto de sua autoria que hoje é política pública em São Bernardo que definiu uma bolsa auxílio para os jovens que fazem o Tiro de Guerra. “Tem garoto da periferia que chega a desmaiar. Esse garoto tem que trabalhar porque a família precisa. São Bernardo é a primeira cidade da região metropolitana a ter essa bolsa, que o jovem pode usar para tomar um café da manhã, engraxar o sapato, cortar o cabelo, coisas que o serviço militar obriga, mas não subsidia. São Bernardo está dando esse exemplo de cidadania”.
Pai atípico, Fuzari disse ter conversado com o governador e que dessa conversa saiu a proposta de um Centro TEA (Transtorno do Espectro Autista) para o ABC, mas que seria construído no ABC.
Mandatos e os prefeitos
Nos seus quatro mandatos como vereador, Fuzari teve a experiência de atuar com três prefeitos de posturas completamente diferentes; Luiz Marinho (PT), Orlando Morando (à época no PSDB) e atualmente com Marcelo Lima (Podemos) de quem é líder do governo na Câmara. Ele direciona mais as críticas a Morando. “O ex-prefeito não era adepto ao diálogo e por isso errou muito, ao promover a indústria da multa e ao vender áreas públicas para pagar contas. Era um governo difícil e com isso quem perde é a cidade. Ano passado foi a cidade que mais aprovou projetos no Brasil e a maioria por unanimidade. Ontem aprovamos a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e o Plano Diretor da cidade”, destacou.
Um dos avanços do Plano Diretor elaborado pela atual gestão foi garantir a preservação das áreas de mananciais. Ele lembrou que a gestão anterior tentou permitir a construção de Centros Logísticos em área de proteção aos mananciais na região do Pós-Balsa. “O plano diretor tinha objetivo construir galpões na área de manancial, em desrespeito às tribos indígenas que estão ali, e isso foi retirado e a lei resguarda a área de manancial, qualifica áreas como o Santa Cruz, que já está urbanizado, como área urbana e não rural, para entregar o título de propriedade e chegar a infraestrutura. Esse Plano Diretor só será reavaliado daqui 15 anos. Tá regulado agora tem que investir em educação ambiental e esse debate eu quero promover na Assembleia”, diz o vereador.
Outro avanço fruto da mobilização popular e do diálogo com o governador foi a suspensão da cobrança de pedágio Free Flow no trecho da Via Anchieta, usado pelos moradores da região do pós-balsa. “O prefeito e o governador conversaram de que aquilo seria ruim para os moradores do pós-balsa, como ia fazer se a balsa entrasse em manutenção? E se tivesse uma emergência? Ficou definido que não vai ter cobrança eletrônica naquele trecho”, disse Fuzari.
Dobradas
A expectativa do Republicanos, segundo Fuzari, é fazer 12 deputados estaduais e que para a conquista de uma cadeira seriam necessários 65 mil votos. Para alcançar essa marca Fuzari fechou vários apoios e dobradas. “São várias dobradas em toda a região e apoio de lideranças. Em São Caetano temos o Marquinho Tortorello, que já foi deputado estadual por três vezes e nos declarou apoio; tem também o Adauto Reggiani que foi vereador; em Santo André o Sargento Lobo já fez e tantos outros, em Diadema também já temos políticos que estão nos apoiando. Uma base de apoio sólida. Com o apoio do governador Tarcísio e o voto em legenda tenho certeza que o Republicanos será a grande surpresa destas eleições”.

Além do Centro TEA que o Estado assinala para a região, Fuzari citou outras iniciativas relacionadas ao autismo, que surgiram no seu gabinete e viraram referência nacional. “Inserimos, por lei municipal, símbolo do autismo no atendimento preferencial criamos o dia da conscientização do autismo em São Bernardo, além da lei do colar de girassol, que chegou em Brasília e virou lei federal. As famílias tinham de crianças autistas e com TDAH não se socializavam com medo de serem julgadas pelo comportamento dos seus filhos. Com um simples cordão do pescoço começaram a ir a parque, shopping e isso é inclusão”, relata.
“Minhas leis viraram referência, como também a dos cinemas que são obrigados a terem, pelo menos uma vez por mês, o cinema para o divergente controlando luz e som. Outra lei que está sendo debatida no Congresso e que nasceu no meu gabinete, é a das sirenes das escolas; aquele barulho de entrada saída e intervalo. Imagina isso para um autista, poderia por ele em crise. Hoje em São Bernardo isso foi substituído por sinais musicais controlados por decibéis. A reflexão é a de que, se hoje as nossas leis estão impactando o Brasil, imagina eu como parlamentar do Estado, o que eu posso produzir e até onde eu posso chegar”, disse o pré-candidato.
Sobre o atendimento a neurodivergentes, Julinho Fuzari disse que ainda há muito o que fazer. “Precisa também cuidar de quem cuida porque as famílias estão fadigadas, imagina uma mãe lutar pelo tratamento do seu filho e não conseguir, não conseguir lauda-lo. E olha o quanto de entrega e dedicação que uma família atípica tem. Mulheres que tinham carreiras promissoras que abriram mão de tudo para cuidar do filho e 80% das famílias atípicas são compostas por mães solo. É preciso dar acesso à economia popular, fazer alguma coisa que possa trazer renda, o acesso a esporte adaptado também é necessário porque hoje vivemos numa nova sociedade”, analisa.
Emendas
Fuzari critica deputados que destacam seu papel parlamentar baseado apenas nas emendas enviadas aos municípios, para ele o papel do legislador estadual é muito maior. “O deputado não pode minimizar suas ações parlamentares como se fosse um office boy de luxo do Estado, ou deixa a emenda para negociar entre prefeito e governador. Pagamos muito caro para termos office boy de luxo. Precisamos de parlamentares com escuta ativa próxima da sociedade e propor leis, como a que fizemos em São Bernardo, onde o atendimento do posto da Sabesp levava horas, por lei nossa ela tem que atender em até 30 minutos, também como as propagandas enganosas no posto de combustível que o cartaz grande mostrava um preço atrativo mas na bomba é outro, isso em São Bernardo não pode mais. Essa é uma provocação que eu faço, o deputado tem o poder de impactar quem está na ponta, seja para proteger o consumidor ou promover a inclusão. Ultimamente desqualificou-se o debate”.
Por fim Fuzari falou da integração regional, entre os deputados da Bancada do ABC e ainda defendeu que estes tenham assento no Consórcio Intermunicipal para discutir emendas através da entidade regional. O debate passaria por diversas áreas. “Na segurança tem que pensar a região como um todo e não como se fosse só um cercadinho. exemplo foi o policial da Rota baleado em São Caetano, não foi em Diadema ou São Bernardo. O que nos junta é o melhor para o ABC. Queremos assento no consórcio para as emendas”, completa.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
