O pré-candidato a reeleição na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), Luiz Fernando Teixeira (PT) falou ao RDCast que defende um novo traçado para a linha 20 Rosa, do Metrô, que vai passar pelo ABC. Segundo ele o traçado previsto passa à margem das cidades e não beneficia, como deveria, a região. O deputado que visa o quarto mandato, aos 63 anos de idade, diz também que defende a reestatização da Sabesp, privatizada pelo governador que tenta a reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Para o petista, contrariando as promessas do governo, a companhia de água privatizada piorou o serviço e cobra mais caro por ele.
Na entrevista aos jornalistas Carlos Carvalho e Airton Resende, Teixeira resumiu como foram seus três mandatos, o que o levou para a política e o desafio de ser opositor, aos governadores Geraldo Alckmin, João Doria e Tarcísio, e da crise do partido que veio com o fortalecimento da direita. “Assumi em 2015 meu primeiro mandato num momento muito ruim em que, quem perdeu a eleição, não aceitava e começou um processo de tirar a presidente eleita Dilma Rousseff (PT) mas numa lógica de retirada de direitos e olha que tivemos um período de ditadura militar em que não se mexeu em um único direito trabalhista. Eu fiz uma opção de entrar numa luta pelo direito da classe trabalhadora, emancipação do direito da mulher e contra qualquer tipo de discriminação. Passei pelo pior momento da história política do Brasil, que foi a presidência do Jair Bolsonaro e, em São Paulo, o Dória, que tirou o Metrô do ABC, que começou a diminuir o tamanho do Estado, e um presidente negacionista brigando com o mundo, mortes acontecendo em plena pandemia, e agora a gente vive um outro momento de recuperação do Brasil depois de tudo que o Bolsonaro deixou”, descreve o deputado.
Para Teixeira é um momento triste para o Estado que não acompanha o crescimento do país. “São Paulo vive um total abandono administrativo, a nossa educação que era ruim sendo desmantelada pelo sucessivos governos do PSDB, desvalorização dos professores, sucateamento das nossas escolas e, agora, destruíram de vez. Para você ter uma ideia o professor não ensina mais, ele tem que ler o que está escrito numa plataforma, do jeito que está escrito. A grande realização do governo Tarcísio de Freitas foi a criação da escola cívico militar para ensinar a molecada a marchar, bater continência, ficar em sentido e discutir disciplina. Você manda teu menino para a escola para ele aprender matemática, português, para ele aprender a pensar, interpretar um texto, desenvolver seu cérebro para se formar na área educacional, mas eles acabaram com essa lógica. A lógica é de que se você não tem condições financeiras, seu filho não deve nem estar na escola. Eu estou deputado por três mandatos, na oposição e eu quero ser um deputado de situação e eu tenho muita convicção de que o professor Fernando Haddad vai vencer essa eleição e o PT será situação em São Paulo trabalhando junto com o presidente Lula em Brasília, para que a gente possa retomar São Paulo nos trilhos”, diz o pré-candidato a reeleição sobre seu desejo do quarto mandato.

Metrô
E por falar em trilhos, Luiz Fernando Teixeira, diz que o Metrô só virá efetivamente para o ABC quando a direita deixar de governar o Estado. “Eu quero o Metrô no ABC, quando diziam que ia começar o metrô eu já falava que não viria, ele só virá quando o PSDB e o Bolsonarismo deixar de governar”, ataca.
“O Metrô passa à margem de São Bernardo, passa à margem de São Caetano e não liga Santo André como deveria ser ligado, então não é um Metrô acessível, como era previsto com a linha 15, aquele traçado sim ligava São Caetano, cortava Santo André, cortava São Bernardo e tinha previsão de chegar em Diadema. Não é isso que está sendo proposto no estudo da linha 20 Rosa”, analisa o deputado.
Ao relatar que o Estado tem ficado atrás de outras partes do país em diversas áreas, Luiz Fernando considera que, se governado pelo PT, que tem como pré-candidato Fernando Haddad, o território paulista experimentaria um novo modelo de gestão que poderia fazer São Paulo se desenvolver mais. “Eu sou de uma geração onde São Paulo era a locomotiva do país, era Estado forte onde nós tínhamos a melhor educação, era seguro, desenvolvido, hoje anda para trás, enquanto o Brasil cresce a nível de 3% a 4% e São Paulo cresce 1,5%. O Brasil gerando emprego em todas as áreas e São Paulo gerando menos, então o Estado precisa de um governo que desenvolva e gere emprego e desenvolvimento econômico”.
O pré-candidato a reeleição diz ser importante a participação do presidente Lula na eleição de deputados em São Paulo e lembrou que ele fará, em São Bernardo, o lançamento da campanha à reeleição para a presidência. Para Luiz Fernando a figura do presidente vai contribuir para a previsão que o partido tem de aumentar a bancada petista na Alesp, hoje composta por 11 parlamentares. “Hoje nós estamos trabalhando para eleger de 12 a 15 deputados. O PSDB tem no Brasil 11 deputados, aqui elegemos 11 só do PT”, compara. Sobre a bancada do ABC, Luiz Fernando diz que é a maior bancada regional da Assembleia. “A candidatura do Fernando Haddad também ajuda muito, porque o PT tinha 10 deputados estaduais eleitos em 2018 e com a candidatura do Lula e do Haddad e fomos para 18 e hoje a gente tem previsão de chegar a 22. O PT nunca partiu de um patamar tão alto como estamos partindo nesta eleição”, calcula.
“O presidente Lula é daqui, ele vai lançar a sua candidatura aqui em São Bernardo, se fez aqui, fundou o maior partido de esquerda democrático do mundo em São Bernardo, montou a maior central de trabalhadores do mundo que é a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e tem uma dívida com São Bernardo de gratidão muito grande, ele quer desenvolver São Bernardo, Santo André, Diadema, o berço do PT é o ABC e não é à toa que governamos tantas vezes Santo André, São Bernardo, Diadema, Mauá, nós governamos Ribeirão Pires. Vamos ganhar essa eleição para o governo do Estado e essa relação Lula e Haddad será muito benéfica para o Brasil, o Estado e para a nossa região do ABC”, diz o pré-candidato.
Para Luiz Fernando Teixeira, nunca o PT esteve tão perto de conquistar o Estado mais rico do país. “Precisamos deixar um legado importante e acho que nunca estivemos tão perto, tão próximos de governar o Estado. O que nos diferencia é o crescimento nosso no interior do Estado. Hoje estamos com, segundo as pesquisas, em torno de 40% das intenções de voto, isso é no interior também. As pesquisas mostram empate em São Paulo com o Tarcísio. Houve um crescimento muito grande de aceitação do presidente Lula no interior. O eleitor conservador do interior hoje pode comparar o governo Bolsonaro da fome e do desemprego com o governo combatendo a fome, com o desenvolvimento e com a melhoria de vida da classe trabalhadora. O rico nunca ganhou tanto dinheiro como ganha quando o PT governa porque gera emprego e mais gente passa a consumir”.
Reindustrialização do ABC
“Na nossa região temos um debate muito forte, só não temos um governo do Estado que corrobora com isso”, sustenta Luiz Fernando Teixeira. “O grande feito do presidente Lula, foi a geração de emprego durante o seu governo. Hoje o Brasil vive a melhor taxa de emprego da história, só que São Paulo não acompanhou e o ABC também não. A região passa por um momento triste de desindustrialização graças aos governos estaduais, governos Doria e Tarcísio de Freitas. Trabalhamos para trazer empresas chinesas para produzirem aqui, o governador mal quis olhar para o assunto. A indústria é a que gera os melhores empregos e o melhor tributo para as cidades. Traz o serviço gera ISS (Imposto Sobre Serviços), de 5%, mas quando traz a indústria ela gera IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e gera o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) que em São Paulo é de 18%. A BYD quis vender carro aqui e foi se instalar na Bahia porque o governo de São Paulo não quis oferecer qualquer tipo de atrativo para novos investimentos. A nossa luta é para que todos os que querem vender para nós, produzam aqui. Foi assim que o ministro Luiz Marinho atuou com a Saab, queriam vender o (caça) Griffen e veio para cá, com um pedaço da produção em São Bernardo”, aponta o pré-candidato.
Segurança
Na oposição, Teixeira critica a forma como o governador Tarcísio de Freitas conduz a área de segurança, logo a área mais publicizada do atual governo. “Fizemos um debate a nível nacional oferecido ao Congresso onde se nacionalizava a segurança pública unindo o Exército às polícias estaduais e municipais, aí o governador de São Paulo, licencia o seu secretário, um capitão da Polícia Militar, para não deixar aprovar o pacote do governo federal, precisamos ter a União e o Estado para re-desenvolvermos São Paulo, sobretudo o ABC”, diz Luiz Fernando que lembrou também da alta de feminicídios que vem assolando também a região. “Estamos batendo recorde em feminicídio. Não existe um Estado que mata mais mulheres que São Paulo, e o governador Tarcísio diminuiu recurso da pasta que defende as mulheres”.
Reestatização
Luiz Fernando Teixeira é um defensor da reestatização da Sabesp. “No mundo onde privatizou não deu certo nem com a água, nem com a energia. Muita coisa o próprio PT privatizou quando governo, mas tem coisas que o PT sempre foi contra. Quando o Paulo Serra passou o Semasa para a Sabesp eu gravei um vídeo contra ele porque eu sabia que quem ia pagar caro era a população de Santo André. A água era cuidada pelo Estado, a Sabesp sempre foi uma empresa superavitária, dava lucros bilionárias, R$ 3 bilhões de lucro, a terceira melhor do mundo, com uma tarifa social importante. Com a privatização não venho nenhum benefício, zero. O social diminuiu muito e a qualidade do serviço caiu demais. Temos feito denúncias ao Ministério Público pela omissão do Estado. O governador disse que ia melhorar e piorou. Eu vou assumir de público que vou lutar muito pela reestatização da Sabesp, porque Estados Unidos, México, Canadá, França, Itália e Inglaterra privatizaram e hoje estão reestatizando porque não deu certo”, declara.
Além da Sabesp ele diz que a Enel pode seguir o mesmo caminho. “Vai vencer o contrato da ENEL em 2028 eu fui um dos que pediu a cassação desse contrato, acho que tem que ser reestatizado”.
Bancada do ABC
Para Luiz Fernando Teixeira as diferenças ideológicas impedem que os deputados da região se unam pela região. Na conta do petista são 10 deputados da região porque ele inclui aqueles cujas agremiações religiosas da região lhes convertem votos, caso do pastor Oseias Madureira (PL) ligado à Assembleia de Deus e Altair de Morais (Republicanos) da Igreja Universal. Eles fariam parte da bancada do ABC ao lado dos deputados Luiz Fernando, Teonílio Barba e Rômulo Fernandes, todos do PT, e Carla Morando (PSD), Ana Carolina Serra (PSDB), Átila Jacomussi (PRD),Tiago Auricchio (PL) e Ediane Maria (PSol).
O petista disse que já propôs à Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André) um fórum regular com deputados do ABC tanto estaduais como federais e não teve retorno. Ele avalia que o próprio Consórcio Intermunicipal pode estabelecer uma agenda com as duas esferas legislativas para viabilizar pautas históricas da região como o Metrô, a estadualização dos hospitais Nardini, em Mauá, e de Clínicas, em São Bernardo. “Nunca ninguém juntou esse pessoal seja numa associação comercial ou no consórcio para uma reunião a cada mês ou 40 dias, discutir o traçado do metrô, a estadualização do Nardini, do Hospital de Clínicas de São Bernardo. Os hospitais estão prontos, mas a manutenção é caríssima. Eu tentei esse processo de união que eu acho necessário, mas o ABC deixa de evoluir pela omissão dos deputados em se juntarem por diferenças ideológicas. Os representantes devem se unir e mesmo sendo apoio do governador dizer que vão obstruir os projetos do governo se o ABC não estiver colocado”.
Eleição municipal
Candidato do PT nas eleições de 2024, à prefeitura de São Bernardo, Luiz Fernando Teixeira ficou em terceiro lugar. Ele disse que mantém um bom contato com o prefeito eleito, Marcelo Oliveira (Podemos), que encaminha emendas parlamentares e chegou a levar o prefeito à presença do presidente Lula num pedido de mais recursos para o município. Da mesma forma, nesta tentativa de reeleição ele quer manter o pensamento republicano para ajudar, não o prefeito, mas a cidade. “Vou completar 64 anos de idade e não tenho tempo para errar, se sair quero sair de cabeça erguida, ciente que fiz o que estava certo”, conclui.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
