
Por Gustavo Alonge Furtado
A impressionante audiência alcançada pela CazéTV nas transmissões esportivas dos últimos anos não representa apenas um fenômeno do entretenimento digital. A Copa do Mundo simboliza uma transformação profunda na forma como as pessoas consomem informação, entretenimento e conteúdo. Mais do que um caso de sucesso individual, o crescimento do influenciador revela uma mudança estrutural que empresas e marcas já não podem se dar ao luxo de ignorar.
Há mais de uma década, especialistas em marketing digital, tecnologia e inovação afirmam que a internet mudaria radicalmente a forma de comunicação entre empresas e consumidores. Ainda assim, muitos empresários resistiram à ideia de que as plataformas digitais poderiam competir de igual para igual com os meios tradicionais. Hoje, essa discussão praticamente não existe mais. A transformação aconteceu.
O sucesso das transmissões da CazéTV mostra o poder que uma única pessoa pode ter na criação e distribuição de conteúdo. Em determinados eventos, suas lives alcançaram audiências que rivalizam ou superam veículos tradicionais de comunicação. Evidentemente, esse resultado não surgiu da noite para o dia. Foi construído ao longo dos anos, com autenticidade, linguagem adequada ao público e uma compreensão profunda dos hábitos da audiência digital.
Mas o principal aprendizado não está nos números extraordinários de um influenciador. A verdadeira mensagem é outra: as pessoas estão no YouTube. E se as pessoas estão ali, as marcas também precisam estar.
Ainda hoje, a maioria das empresas trata o YouTube como um canal secundário ou complementar. Muitas sequer possuem uma estratégia consistente de produção de conteúdo. Essa ausência representa uma oportunidade desperdiçada. O YouTube deixou de ser apenas uma plataforma de vídeos para se tornar um dos maiores ambientes de construção de autoridade, relacionamento e geração de negócios do mundo.
Não se trata de transformar empresários em influenciadores digitais ou de reproduzir fórmulas de sucesso alheias. O objetivo é compreender onde está a atenção do consumidor. Em um cenário cada vez mais competitivo, conquistar atenção tornou-se um dos ativos mais valiosos para qualquer organização.
A revolução digital não é mais uma previsão. É uma realidade consolidada. E ela tende a se acelerar com o avanço da inteligência artificial, que está ampliando ainda mais a capacidade de criação, distribuição e personalização de conteúdo. Empresas que demorarem para compreender essa nova dinâmica poderão perder espaço para concorrentes mais ágeis e conectados com o comportamento do público.
O caso CazéTV funciona, portanto, como um alerta. Tecnologia e internet deixaram de ser opções estratégicas para se tornarem necessidades fundamentais. Estar presente nos ambientes digitais onde as pessoas passam seu tempo não é mais um diferencial competitivo. É uma condição para continuar relevante.
No futuro próximo, a disputa entre empresas não será apenas por preço, produto ou serviço. Será também por atenção, influência e autoridade. E aqueles que entenderem primeiro essa mudança estarão em posição privilegiada para liderar seus mercados. Os que insistirem em ignorá-la correrão o risco de assistir, da arquibancada, ao crescimento de concorrentes que souberam ocupar os espaços digitais antes deles.

Gustavo Alonge Furtado especialista em Marketing Digital e diretor da Engajatech
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
