Em 2027, o Brasil será sede da Copa do Mundo Feminina de Futebol. Mas, apesar de ser potência histórica da modalidade – com três medalhas de prata olímpicas (2004, 2008 e 2024) e o vice-campeonato mundial conquistado em 2007 – o país ainda enfrenta desafios para ampliar as oportunidades destinadas às meninas que sonham em seguir carreira no esporte mais popular do mundo.
Em São Bernardo, a Academia de Futebol Feminino (Acaff) busca transformar essa realidade. Atualmente, o projeto atende cerca de 850 garotas e se tornou referência na formação esportiva e social de meninas da região. Ao RDtv, o fundador da iniciativa, Isaque Guimarães, conta como tudo começou e os desafios enfrentados para manter o trabalho.
“As coisas aconteceram naturalmente. Começamos em uma quadra pequena, com apoio da I9 Trade Marketing Digital, uma agência de marketing de São Caetano, que até hoje nos ajuda. Eles custeavam o aluguel da quadra para que a gente não precisasse cobrar das meninas, ou cobrasse apenas um valor simbólico. No início, a contribuição era de R$ 20 para ajudar na manutenção de bolas, coletes e outros materiais. Conforme o projeto foi crescendo, fomos contando também com a ajuda dos pais para conseguir mantê-lo”, explica.

O projeto começou em 2015 com 15 meninas sendo atendidas. O principal ponto era conseguir dar as oportunidades para as garotas jogarem o futebol sem precisar dividir o espaço com os meninos, algo que muitas vezes resultada em falta de prioridade para elas. Em 2017, o Crec Baetinha foi disponibilizado para as aulas.
A expectativa interna era de que em cinco anos o projeto atendesse 150 meninas. Porém, o número foi alcançado e superado em 2020 quando 350 garotas atuavam. Outras 500 entraram em 2025.
Além do apoio para o projeto, Isaque fala da necessidade da região contar com mais times que possam atuar nos festivais e demais torneios femininos, assim criando mais oportunidades para que as meninas possam entrar em um esporte ainda tão dominado pelos homens.
“Hoje a gente tem dois clubes, que é o Grêmio Mauaense e tem o Santo André, que representa o futebol paulista. Mas fora disso você não vê nenhuma outra equipe. Então o São Bernardo hoje não tem uma equipe que representa a cidade, o Diadema também não tem uma equipe que representa a cidade. Isso faz com que nossas atletas hoje busquem oportunidades de fora da região. A gente tem inúmeras meninas que passaram pela Acaff que hoje configura clubes de fora. Meninas que estão no Centro Olímpico, meninas que estão no São Paulo, no Corinthians, no Audax. Então é triste ver que a gente tem um celeiro e tem uma magnitude de meninas jogando aqui no ABC e a gente não tem meninas representando a cidade, nenhuma cidade aqui do ABC.”, comenta.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
