Com a circulação mais intensa de vírus respiratórios durante o inverno, municípios do ABC intensificaram estratégias para prevenir a bronquiolite, infecção que acomete principalmente crianças pequenas e pode evoluir para quadros graves. Além de campanhas de conscientização, cidades da região ampliaram a aplicação da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) em gestantes a partir da 28ª semana de gravidez e do anticorpo monoclonal destinado a bebês prematuros ou com condições específicas de saúde.
Para o pediatra e professor de Pediatria do Centro Universitário FMABC, Valter Pinho, a prevenção merece atenção especial porque os primeiros meses de vida representam o período de maior vulnerabilidade. Segundo o médico, quando a gestante recebe a vacina com pelo menos 14 dias de antecedência do parto, os anticorpos produzidos passam ao bebê pela placenta e oferecem proteção justamente na fase em que o risco de complicações é mais elevado.

Situação nas cidades
Em São Bernardo, a Secretaria de Saúde registrou 130 casos de bronquiolite até maio deste ano. Desse total, 72 pacientes precisaram de internação, dos quais 66 tinham até 2 anos de idade. O município informou que não houve óbitos relacionados à doença e destacou o avanço da imunização, com 3.905 doses da vacina contra o VSR aplicadas em gestantes e outras 520 doses de nirsevimabe destinadas a bebês prematuros e crianças com comorbidades.
Diadema também apresentou números expressivos. O município contabilizou 198 internações por bronquiolite em 2024, já no ano passado foram 224 e outras 81 até o momento em 2026. A maioria dos pacientes tinha menos de 2 anos de idade: 189 em 2024, 220 em 2025 e 77 neste ano. Além disso, 24 crianças precisaram de transferência para atendimento especializado em 2026. Na frente preventiva, a cidade já aplicou 1.534 doses da vacina contra o VSR em gestantes e 103 doses de nirsevimabe, além de manter campanhas para ampliar a cobertura vacinal.
Em Ribeirão Pires, a UPA Santa Luzia registrou crescimento no número de atendimentos relacionados à bronquiolite. Foram 42 ocorrências em 2024, 104 em 2025 e 66 até maio de 2026. De acordo com a administração municipal, a maior parte dos casos envolve crianças pequenas, grupo mais suscetível às complicações provocadas pelo VSR. A vacinação para gestantes começou em dezembro de 2025 e integra um conjunto de medidas que inclui orientações sobre higiene das mãos, etiqueta respiratória e busca precoce por atendimento médico diante de sinais de agravamento.
Já em Rio Grande da Serra, o levantamento disponível desde março de 2025 não identificou internações por bronquiolite na unidade monitorada. O município informou a aplicação de 196 doses do imunizante contra o VSR entre dezembro de 2025 e maio de 2026, destinadas a gestantes a partir da 28ª semana de gestação. Também reforçou ações de vacinação, inclusive em escolas, atualização das cadernetas infantis, orientações nas Unidades Básicas de Saúde e visitas domiciliares realizadas por agentes comunitários.
As prefeituras de Santo André, São Caetano e Mauá não responderam até o fechamento da reportagem.
Bronquiolite e bronquite não são a mesma doença
Apesar da semelhança na denominação, bronquiolite e bronquite possuem características distintas. Conforme explica Valter Pinho, a bronquiolite afeta os bronquíolos, pequenas estruturas das vias respiratórias, e costuma atingir principalmente bebês, muitas vezes após infecção pelo vírus sincicial respiratório. A bronquite, por sua vez, relaciona-se à inflamação de brônquios de maior calibre e pode ter diferentes causas, inclusive crises asmáticas. O médico ressalta que um episódio de bronquiolite não significa, necessariamente, que a criança desenvolverá asma no futuro, embora alguns pacientes apresentem chiados recorrentes após quadros mais severos.
Sintomas exigem atenção rápida e prevenção é essencial
Nos estágios iniciais, a bronquiolite costuma provocar sintomas semelhantes aos de um resfriado, como coriza, tosse e febre. A evolução do quadro, entretanto, pode ocorrer de forma rápida em bebês pequenos. Por isso, Valter Pinho recomenda atenção a sinais como dificuldade para respirar, chiado no peito, recusa das mamadas e esforço respiratório.
O médico também orienta que famílias evitem expor recém-nascidos e lactentes a ambientes fechados e com grande circulação de pessoas durante períodos de maior transmissão viral. A higiene frequente das mãos e o afastamento de pessoas gripadas representam medidas importantes para reduzir o risco de infecção. “Um bebê de poucos meses não deve ficar em locais com aglomeração. Quanto menor a exposição aos vírus respiratórios nessa fase, maior a proteção contra complicações”, afirma o especialista.
Além dos cuidados cotidianos, Pinho destaca que a vacinação materna apresenta resultados expressivos na redução de casos graves. Segundo ele, estudos apontam diminuição de aproximadamente 75% nas internações e na necessidade de terapia intensiva entre bebês protegidos pelos anticorpos transferidos durante a gestação.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
