
Dados obtidos pelo RD junto ao Ministério da Saúde apontam aumento de 64,7% nos atendimentos ambulatoriais relacionados à obesidade infantil no ABC. Os procedimentos realizados pelo SUS com pacientes de até 12 anos na região passaram de 34 em 2024 para 56 em 2025.
Entre os municípios da região, Rio Grande da Serra apresentou o maior número de registros, com 23 casos em 2024 e 32 em 2025. No mesmo período, São Bernardo passou de um atendimento para sete.
São Caetano saiu de zero atendimento para cinco registros. Santo André e Ribeirão Pires não tiveram registros em 2024 e passaram a contabilizar dois atendimentos cada.
Mauá foi o único município a registrar queda, de 10 para oito atendimentos. O levantamento não inclui dados de Diadema, já que o Ministério da Saúde não apontou registros para o município no período analisado.

Ultraprocessados, sedentarismo e muita tela
A obesidade infantil é multifatorial e está diretamente associada aos hábitos de vida. Ao RD, a pediatra e professora do Centro Universitário FMABC Denise Schoeps destaca que três fatores se sobressaem no aumento dos casos: alimentação ultraprocessada, sedentarismo e excesso de tempo de tela.
Segundo Denise, a combinação desses fatores faz com que a criança consuma mais energia do que gasta, além de trazer impactos no desenvolvimento emocional, social e neurológico. “Não é possível apontar apenas um vilão. A alimentação ultraprocessada, junto com o tempo de tela e o sedentarismo formam os principais agravantes”, explica.
Denise reforça que a alimentação caseira ainda é a base de uma dieta saudável. “A grande batalha é voltar a cozinhar em casa, voltar a comer comida caseira, arroz, feijão, proteína e legumes”, afirma.
A pediatra orienta que a criança faça cerca de cinco refeições ao dia e mantenha uma dieta variada, com frutas. “O suco natural deve ser evitado, porque concentra açúcar e, consequentemente, tem aproximadamente o dobro de calorias. O ideal é consumir a fruta”, ressalta.
Diagnóstico
Embora a maioria dos casos esteja ligada a hábitos de vida, a pediatra lembra que algumas doenças podem estar associadas ao ganho de peso, como hipotireoidismo e diabetes tipo 2. “Existem casos específicos em que a obesidade infantil surge devido a outras doenças e que precisam de avaliação médica diferenciada, porque, em alguns casos, é necessário o uso de medicamentos”, afirma.
O diagnóstico da obesidade infantil é realizado com base no IMC (Índice de Massa Corporal), avaliado em consultas e comparado às curvas de crescimento da Organização Mundial da Saúde (OMS). A avaliação profissional pode ser realizada por pediatras ou nutricionistas.
Sono influencia no crescimento e metabolismo
A pediatra também destaca a importância da rotina familiar, com horários de sono e alimentação. “A criança precisa ter rotina de sono, rotina de horário de comer e o mínimo de tempo de tela possível”, diz.
Segundo a médica, o sono tem papel fundamental no crescimento e no metabolismo infantil. “O hormônio do crescimento é liberado durante a noite. A criança que não dorme bem pode não crescer bem e ainda ficar mais cansada”, explica.
O uso de telas deve ser evitado, principalmente, antes de dormir, pois estimula o cérebro da criança e atrapalha o relaxamento. “O hormônio de crescimento tem vários picos de liberação, e o primeiro começa em torno das 22h. A liberação é muito maior quando a criança dorme”, reforça.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
