ABC - domingo , 12 de julho de 2026

Emprego formal no ABC cresce 8,3% no trimestre, mas inadimplência salta 16% em março

Dados revelam um cenário de endividamento prolongado da população (Foto: banco de imagens)

A inadimplência avançou de forma acelerada no ABC e cresce acima das médias estadual e nacional. Levantamento do SPC Brasil mostra que o número de moradores inadimplentes na região aumentou 15,74% em março de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado. O índice supera tanto a média do Sudeste (8,97%) quanto a nacional (9,54%). Enquanto isso, a região celebra a criação de 9.777 novos postos de trabalho no primeiro trimestre (alta de 8,34% frente a 2025).

Apesar disso, a inadimplência não recua. O perfil do devedor atual confirma que estar negativado não significa estar sem recursos: 66,12% das dívidas na região estão concentradas em bancos, setor que exige comprovação de renda para a concessão de crédito. O ticket médio da dívida por consumidor no ABC atingiu R$ 5.659,04.

Na comparação mensal, entre fevereiro e março deste ano, o total de inadimplentes no ABC também apresentou avanço de 0,70%, acima da média registrada na região Sudeste, de 0,44%, reforçando a tendência de crescimento do endividamento.

Os dados revelam ainda um cenário de inadimplência prolongada. Atualmente, cada consumidor negativado do ABC deve, em média, R$ 5.659,04, enquanto o tempo médio de atraso chega a 28,2 meses — o equivalente a mais de dois anos.

Além do aumento no número de inadimplentes, o volume de dívidas em atraso também disparou. Em março, o crescimento foi de 25,96% em relação ao mesmo mês de 2025, índice bem acima da média do Sudeste (17,24%) e do Brasil (17,31%).

O levantamento aponta que os consumidores entre 50 e 64 anos concentram a maior parcela das inadimplências da região, representam 24,72% do total. Em seguida aparecem as faixas de 40 a 49 anos (23,89%) e de 30 a 39 anos (23,09%). A idade média dos inadimplentes é de 48,3 anos.

Equilíbrio entre homens e mulheres

Os dados também mostram equilíbrio entre homens e mulheres no perfil dos consumidores negativados. As mulheres representam 50,63% dos inadimplentes da região, enquanto os homens correspondem a 49,37%.

Outro dado que chama atenção é o perfil das dívidas. Embora haja consumidores com débitos elevados, 40,27% dos inadimplentes acumulam dívidas de até R$ 1 mil. Dentro desse grupo, quase 30% possuem pendências de até R$ 500.

Ao mesmo tempo, mais de um terço dos devedores (33,75%) está com contas atrasadas entre um e três anos, o que indica dificuldade prolongada para reorganizar as finanças.

O setor bancário lidera com ampla folga entre os principais credores, concentra 66,12% das dívidas em atraso registradas no ABC. Na sequência aparecem contas de água e luz (18,25%), outros segmentos (9,28%), comunicação (4,31%) e comércio (2,05%).

Para Damásio, o cenário reafirma a necessidade do pacto com a educação financeira nas empresas e como etapa para acordos público Foto: reprodução/RDtv)

Para Alexandre Damasio Coelho, presidente da CDL São Caetano, esse cenário exige uma mudança de postura do setor produtivo. “Essa nova perspectiva do inadimplente com renda no ABC reafirma a necessidade do pacto com a educação financeira nas empresas e como etapa para acordos públicos. A concessão de crédito mais seletiva será a sobrevivência das empresas, a aplicação de uma cobrança mais inteligente é a diferença entre sucesso e continuar sem receber”, afirma.

O relatório também mostra que cada inadimplente da região possui, em média, 2,4 dívidas em aberto, número acima das médias do Sudeste e do País, o que reforça o cenário de comprometimento financeiro das famílias da região.

O ciclo da reincidência e o consumidor estrategista

O fenômeno é agravado pela reincidência, que atingiu 85,34% em março, segundo a pesquisa. Isso significa que quase 9 em cada 10 novos negativados já estiveram no cadastro nos últimos 12 meses. Destes, 19,49% haviam conseguido limpar o nome, mas retornaram à inadimplência em um intervalo médio de apenas 74,1 dias.

Como economistas e lideranças apontam, o consumidor tornou-se um “estrategista”: com o orçamento comprimido por juros altos e inflação, ele utiliza sua renda para priorizar serviços essenciais (água e luz representam 18,25% das dívidas) e escolhe quais débitos bancários renegociar conforme a facilidade oferecida pelas plataformas de cobrança. 

“O ABC registra, atualmente, um paradoxo do crédito, comenta o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de São Caetano, Alexandre Damásio.

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