
Com um tumor agressivo e crescendo rapidamente na boca, o senhor Antônio Coelho da Silva, de 77 anos, está internado no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, onde a família diz que precisou brigar por atendimento, para a limpeza das feridas e pela atenção de um médico especialista. O caso do idoso é exemplo de pacientes que perambulam por serviços de saúde sem diagnóstico e tratamentos precisos. Ele passou por outros atendimentos até chegar ao hospital andreense, encaminhado pela Cross (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde).
Em nota encaminhada através da Secretaria Estadual da Saúde, o Hospital Estadual Mário Covas sustenta que Silva segue internado, estável e recebendo assistência integral por equipes multidisciplinares. “A unidade ressalta que as equipes multiprofissionais necessárias para os atendimentos estão disponíveis na própria unidade. O paciente deu entrada no pronto-socorro na última sexta-feira (8) e, como já realiza acompanhamento oncológico no hospital, foi avaliado pela equipe de Oncologia Clínica ainda no mesmo dia. Durante a assistência, também recebeu atendimento da equipe de Cirurgia Geral, responsável pelo procedimento de limpeza da região bucal acometida, além das demais condutas médicas pertinentes ao quadro clínico apresentado”.
A família nega o atendimento tenha sido eficiente quanto à limpeza dos ferimentos, a família aponta que a demora na limpeza levou ao surgimento de larvas e os profissionais da enfermagem não limparam totalmente os ferimentos. Reclama ainda que o idoso é mantido amarrado à caa sem necessidade, pois não apresenta comportamento de risco e está consciente. Segundo Claudecir Coelho, filho do paciente, a família, que é de Osasco, na Grande São Paulo, foi encaminhada para o Mário Covas através do sistema Cross, porque na cidade onde moram não há atendimento especializado. Ele passaria em consulta somente no próximo dia 25.
“Eu falei com a atendente que meu pai não ia aguentar até lá, pois o câncer está enorme, cresceu muito nos últimos dias e a ferida está rasgando a boca dele e infeccionou, disse que meu pai não aguentaria até o dia 25. Aí eu vim no hospital na sexta-feira de madrugada e só atenderam ele as 17hs, isso depois que meu irmão fez um escândalo. Ele passou o sábado e o domingo na maca, no corredor, e demoraram para limpar as feridas. Desde então ele está internado, do mesmo jeito, ninguém fala se ele vai fazer radioterapia, quimioterapia ou cirurgia”, descreve Claudecir Coelho.
O filho diz que o pai só recebe atenção de estagiários. “Nenhum especialista falou sobre como vai ser o tratamento dele, só passa estagiário. Disseram que querem uma reunião com a família, mas até agora nada. Parece que não querem gastar tempo com um idoso, mas meu pai é pessoa muito ativa, um mês atrás ele estava tocando a vida normal e ainda cuidava da minha mãe. Mas ele foi piorando, até perder peso e ficar assim. Demoraram para colocar uma sonda para ele se alimentar, por isso ele está mais fraco, mesmo assim ele fica amarrado na cama. Ele não está agitado nem violento, ele só quer levantar para ir no banheiro, porque não quer usar fralda”, completa o filho do paciente.
Além da Secretaria Estadual da Saúde, a Fundação do ABC, gestora do Hospital Mário Covas, também foi procurada pela reportagem e não se manifestou sobre o caso. A FUABC disse apenas que as informações seriam concentradas na pasta da saúde.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
