Universidades do Brasil, Argentina, Estados Unidos e Europa se reuniram nesta semana para debater a cultura empreendedora nessas instituições. Ao RDtv desta sexta-feira (19/09), o Prof. Dr. Ricardo Reolon Jorge, do curso de Engenharia de Gestão da Universidade Federal do ABC (UFABC), coordenou o evento e ressaltou a importância do ensino sobre o empreendedorismo para os universitários e a necessidade de avanços para investimentos em novas ideias.
“O empreendedorismo, diferentemente do que muitos de nós pensamos, ele não é uma coisa nata, não é? Embora muitas pessoas se arrisquem e percorram esse caminho de ser empreendedor como uma forma natural de personalidade empreendedora.”, inicia.
“Mas o empreendedorismo também pode ser ensinado, não é? Você pode estimular o caráter empreendedor das pessoas. Isso é muito importante, principalmente quando estamos falando de alunos de graduação, pessoas de alto nível, que estão se preparando para o mercado e que encontram no empreendedorismo uma alternativa a, por exemplo, uma carreira executiva numa empresa.”, segue.

No caso da UFABC, a ideia é que alunos de todos os cursos possam ter acesso a disciplina de empreendedorismo, inclusive de cursos que a princípio não estariam relacionados como Filosofia, Geografia e História. “Desenvolvem produtos que tragam soluções inteligentes e úteis à sociedade, e, com isso, no final do dia, gerar uma nota fiscal ou uma fatura, que, de fato, o empreendedorismo tem, do que nós estamos falando aqui, tem um caráter de geração de negócios, geração de empregos e crescimento social.”, diz o professor.
Sobre a comparação do cenário no Brasil e em outros países, Jorge deixa claro que o Brasil está bem avançado sobre a inclusão deste tema nas universidades, mesmo com o desafio de um cenário econômico complexo em decorrência das leis e da alta taxa de juros. Mas o principal desafio está no estímulo para que os alunos sigam neste caminho do empreendedorismo, principalmente após alguma ideia não ser efetivada.
“No Brasil, o empreendedor que falha, muitas vezes, ele é tido como um fracassado. Uma pessoa que tentou e não deu certo. Isso é péssimo para a nossa cultura, porque isso desestimula o empreendedor a continuar as suas tentativas até que ele atinja, crie um negócio que pode ser um grande negócio, tanto para ele como para a sociedade, na criação de empregos e geração de valor com produtos e serviços diferenciados.”, diz.
Outro desafio está na busca de investidores privados que possam apostar em ideias que são apresentadas nas universidades. O alto risco deste tipo de investimento acaba afastando o dinheiro dessas novas empresas. Mas Ricardo ressalta que este desafio acaba sendo global.
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