
O ABC tem, pelo menos, 348 escolas municipais com ensino em período integral, número que corresponde a seis municípios (Mauá não informou) e a maior parte das unidades é creches ou pré-escola. Na rede estadual, desde 2023, apenas duas escolas entraram no PEI (Programa de Ensino Integral) e hoje são 104 com horário estendido. Para o especialista em educação André Stábile, diretor do Instituto Educacionista e ex-secretário de Educação de São Caetano, o Estado e o ABC estagnaram na evolução do ensino integral. O número de estudantes na modalidade nas redes estadual e municipais pouco avançou nos últimos dois anos, a maior parte disso está ligada à creche e pré-escola.
“Estamos estagnados com esse atraso. As escolas em tempo parcial são uma perversidade contra o desenvolvimento da aprendizagem. Estamos gravemente atrasados”, diz Stábile. Para o especialista, investir no ensino integral no Fundamental I, II e Médio seria o mínimo como acontecem em países que prezam pela educação. O número de escolas em tempo integral no Brasil se manteve em patamares muito baixos enquanto o mundo já superou esse debate, com escolas de ensino fundamental e médio em tempo integral.
“Isso acontece porque a complexidade dos séculos 20 e 21 demonstrou que cobrir os conhecimentos, desde a alfabetização, passando pelos conhecimentos socioemocionais, e outra habilidades, não dá para fazer em tempo parcial, não é só um conteúdo raso de decoreba; o aluno precisa ter tempo, refletir e precisa da integração de outras políticas públicas no ambiente escolar”, diz o educador.
André Stábile diz que centros educacionais com diversas atividades contribuem para a evolução dos alunos em várias áreas do conhecimento. “As crianças precisam ter, além da escola, um suporte para sua saúde, alimentação e assistência social, além disso as escolas em tempo integral podem propiciar todas as atividades culturais e também de esportes, além de despertar a consciência ambiental. Isso tudo não dá para fazer em quatro horas, com um intervalo no meio. Só existem escolas assim (período parcial) por falta de um plano nacional de educação que transforme essas escolas em colégios federais de período integral”, afirma.
Estado
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) informa que, no ABC, há 104 escolas participantes do PEI, mas apenas duas a mais do que em 2024 e 2023. Nessas escolas, estão matriculados cerca de 46,8 mil estudantes. Segundo a secretaria, para uma escola aderir ao PEI é necessário um processo. “É necessária uma escuta qualificada da comunidade escolar, com a apresentação de todas as características e explicações sobre o Programa. Após isso, a documentação é enviada à Unidade Regional de Ensino, que realiza a análise e validação. O documento é então encaminhado à Seduc-SP, que avalia as mudanças pedagógicas e de carga horária, e emitir um parecer sobre a adesão”, informa nota da pasta.
A Seduc-SP informa, ainda, que deseja continuar com o projeto de expansão do ensino em tempo integral, com ampliação da oferta para mais escolas em 2026″, diz. Atualmente são 17 escolas PEI em Diadema, nove em Mauá, outras nove em Ribeirão Pires, 30 em Santo André, 35 em São Bernardo e quatro em São Caetano.
Santo André

Nas redes municipais se observa também que a maior parte das unidades com ensino em tempo integral é creche e pré-escola, que atendem alunos de até cinco anos de idade. Santo André possui 51 unidades com oferta de atendimento de período integral, que incluem creches, Emeis e Emeiefs. Em 2023, o atendimento em período integral das crianças (0 a 3 anos) era de 48%, das crianças de 4 e 5 anos o atendimento integral representava 1% e das crianças do ensino fundamental eram de 7%.
Em 2024, ainda em Santo André, o atendimento em período integral na faixa (0 a 3 anos) passou para 53%, das crianças de 4 e 5 anos o atendimento integral passou para 3% e das crianças do ensino fundamental 6%. Em 2025, o atendimento em período integral das crianças (0 a 3 anos) passou para 57%, das crianças de 4 e 5 anos o atendimento integral passou para 4% e das crianças do ensino fundamental se mantiveram em 6%”, detalha nota da Prefeitura ao dizer que a demanda é estável. “Atualmente o atendimento de período integral é estabelecido em territórios onde a demanda de acesso encontra-se acomodada e estável, o que possibilitando a ampliação do tempo em que a criança fica na escola”, diz o comunicado.
São Bernardo
A Prefeitura de São Bernardo diz que são 105 EMEBs e 45 creches conveniadas ao município, total de 150 escolas em período integral. O número representa aumento na oferta de vagas para o período integral. Em 2023 foram 23.933 matriculados, no ano passado, 25.916 e, em 2025, até o momento, são 28.128 estudantes matriculados em período integral, nas faixas etárias de creche ao ensino fundamental”, conta o município sobre a evolução desse período.
São Bernardo analisa fatores, como o número de estudantes matriculados e a ocupação das unidades, para definir pelo período integral. “A partir dessas informações, os dados são encaminhados à área pedagógica, que avalia as condições de infraestrutura e a disponibilidade de espaços nos prédios escolares, o que possibilita a definição de quais escolas poderão ofertar o atendimento em tempo integral”, diz a Prefeitura.
São Caetano
A Prefeitura de São Caetano diz que no início do ano foi implementado o Programa Aprender Mais, que reformulou e reorganizou o Ensino Integral no município. A ação surgiu a partir de escuta de famílias de estudantes e da comunidade escolar, para aprimorar a oferta nas escolas. “Atualmente são 46 escolas de educação infantil e 9 escolas de ensino fundamental I que oferecem educação em tempo integral”, completa a nota.
Diadema
Em Diadema são 39 creches e 21 escolas de ensino fundamental que oferecem educação integral, estas por meio do programa Novo Mais Educação. A Prefeitura diz que o número de escolas com esse período estendido está estável desde 2023. O município tem 8.122 alunos nas creches e 7.838 no ensino fundamental em período integral. A Prefeitura diz que tem previsão de fortalecimento do programa Novo Mais Educação, por meio do estabelecimento de convênios e parcerias que ampliem as oportunidades educativas.
Ribeirão Pires
Ribeirão Pires possui 22 unidades escolares na modalidade de ensino integral. A Prefeitura diz que houve um aumento do número de alunos neste tipo de carga horária de ensino. Em 2023 tinha 2.012 alunos em ensino integral, em 2024, eram 2.287 e em 2025, até o momento, 2.300 alunos. A Secretaria de Educação monitora as demandas e estuda possibilidades de adequações no atendimento em tempo integral, de forma a garantir a qualidade da oferta já existente e alinhar eventuais ajustes às necessidades da comunidade escolar.
Rio Grande da Serra
Em Rio Grande da Serra 10 escolas funcionam em regime integral. A Prefeitura cita aumento nos atendimentos de alunos do ensino integral; eram 548 alunos em 2023 e hoje são 653. A Prefeitura diz que há estudos para ampliação do programa e avalia os critérios, espaços e as demandas.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
