O Campus Diadema da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em conjunto com o Centro da Indústria do Estado de São Paulo (Ciesp) Diadema, estão avançando na criação do projeto piloto de inovação dentro da proposta I am Verde. Em entrevista ao RD Momento Econômico desta segunda-feira (07/07), o professor doutor Raúl Bonne Hernández ressaltou a importância da propositura que é o desenvolvimento de produtos químicos a partir de ações sustentáveis.
“O projeto I Am Verde, que exatamente é um projeto para desenvolvimento de produtos químicos inovadores a partir de residuais e reciclagem de residuais ou de biomassa de origem natural, e que tem também como meta exatamente a criação de um centro de inovações abertas para múltiplas aplicações verdes e que permita beneficiar todo o ecossistema acadêmico-empresarial da região do ABC e um pouco além disso.”, explica.
O projeto conta com colaboração da Universidade Federal do ABC (UFABC), da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), dos Senais de São Paulo e Santa Catarina, da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC e a empresa Insider. Além de apoio do Finep, CNPq, Fapesp e da Prefeitura de Diadema.
Nas últimas semanas, cinco empresas foram visitadas para que as equipes pudessem conhecer o seu dia a dia e avançar na proposta do projeto piloto e o desenvolvimento de cada ação. Hernández aponta que entre os principais desafios para tirar o projeto do papel está o diálogo para convencer todo o setor químico e petroquímico sobre as melhores decisões que devem ser tomadas.

“A própria Petrobras também tem iniciativas de caráter sustentável, mas a gente acredita que, se conseguimos trazer esses atores para dentro do projeto, de conjunto com o poder público e outras empresas da região, será importante na mudança comportamental dos principais tomadores de decisões exatamente para poder emplacar uma agenda sustentável realmente efetiva. Estamos cientes que muitas das soluções que a gente pode implementar não passam unicamente e exclusivamente pelo canal tecnológico, passam pelo canal comportamental. Ou seja, os tomadores de decisões, conforme tinha expressado anteriormente, precisam entender a necessidade de exatamente incluir e executar ações que deem outro caráter.”, segue o especialista.
A ideia é que a próxima etapa do projeto possa identificar quais são os mecanismos de financiamento que podem viabilizar uma pauta de inovação ou uma pauta sustentável. A intenção é que o I am Verde possa facilitar essa parte por causa da ajuda na estruturação de uma proposta.
Para Raúl, o investimento neste tipo de tecnologia pode ser benéfico para todo o setor, principalmente visando o atual momento da economia.
“O Brasil, nas últimas décadas, sempre tem classificado entre as dez economias que mais comercializa produtos químicos farmacêuticos. Comercializa. Isso não quer dizer que desenvolve produtos químicos farmacêuticos, que inovam produtos químicos farmacêuticos e que exportam novos produtos químicos farmacêuticos. O que quer dizer isso? A gente está falando de uma situação que chegou praticamente a 95% de importações. Ou seja, se você tem uma indústria básica, como a indústria química farmacêutica, que depende de 95% dos insumos importados, você tem um segmento de nossa economia que é absolutamente dependente de importações.”, aponta.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
