Não sou fantoche do PT, desabafa Raimundo Salles

“Avaliei que não tinha mais o que fazer na Secretaria. Não sou fantoche do PT”, desabafa Salles.

O secretário de Cultura de Santo André, Raimundo Salles (PDT), pediu demissão do cargo nesta quinta-feira (09/10). O principal motivo, segundo Salles, é o esvaziamento da Secretaria por integrantes do grupo petista no governo e apontou o secretário de Orçamento e Planejamento Alberto Alves de Souza como o seu principal algoz.

“Avaliei que não tinha mais o que fazer na Secretaria. Não sou fantoche do PT”, desabafa Salles. “Minaram minhas ações na Secretaria, tirando a gestão do Carnaval, do Festival de Paranapiacaba e do Teatro Conchita de Moraes, da reforma do Cine Teatro Carlos Gomes, além retirarem a obra do artista Luiz Sacilotto, do Centro, sem a minha consulta”, diz Salles ao listar exemplos de interferências de petistas na gestão da Secretaria de Cultura.

Com o rompimento, Salles sinalizou que é pré-candidato a prefeito em 2016 e que vai apoiar o candidato à Presidência da República, Aécio Neves (PSDB). “Não tenho nada contra o prefeito Carlos Grana, mas penso diferente do PT sobre ações políticas desenvolvidas, por exemplo, nas áreas de Saúde e Educação. Deixo o governo tranquilo por ter cumprido o acordo político de não ter lançado candidatura à Assembleia e ter apoiado a eleição do deputado estadual eleito Luiz Turco (PT).

Livre das amarras petistas, Salles disse que tem – além do PDT – três partidos fechados com sua pré-candidatura e que possui uma chapa com 62 candidatos a vereador. Para deputado federal, o pedetista disse que apoiou a eleição do deputado federal Alex Manente (PPS), campeão de votos em São Bernardo e São Caetano. Foram 122.663 na região e 14.663 em Santo André. O relacionamento de Manente com Salles é estreito e mantém a sua esposa Glaucia Taraskevicius como presidente do PPS andreense.

Primeiro racha

Raimundo Salles, terceiro colocado nas eleições de 2012, apoiou a chapa vitoriosa do prefeito Carlos Grana (PT) no segundo turno contra o ex-prefeito Aidan Ravin (PSB). A saída do secretário representa o primeiro racha na política de coalizão de partidos do governo Grana. E também marca a segunda baixa na formação inicial. Em junho passado, o secretário de Comunicação, Leandro Laranjeira – não filiado ao PT -, deixou o posto alegando motivos pessoais.

Salles diz que há 30 dias pediu demissão e que vinha negociando com o Carlos Grana a saída do governo. “Acho que minha missão de ser secretário chegou ao fim. Já são 12 anos no exercício em cargos públicos nos governos de Mauá, São Bernardo e São Paulo”, diz o ex-secretário.

O prefeito Carlos Grana foi procurado para se manifestar, mas a assessoria de imprensa informou que ele irá comentar o assunto somente após ser publicado o ato de exoneração, que será veiculado nesta sexta-feira (10).
 

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