Rotina atarefada pode levar ao estresse

Mulheres têm maior tendência ao estresse que os homens

A inserção da mulher no mercado de trabalho trouxe mudanças profundas e uma necessidade de adaptação constante. O fato de ter que trabalhar e ainda acumular as funções de cuidar da casa e dos filhos acaba gerando estresse.

Pesquisas indicam que as mulheres têm uma incidência maior do distúrbio do que os homens. Toda a sobrecarga com o acúmulo de funções faz com que a mulher se sinta pressionada, pois tem que se dedicar a ser uma boa mãe, boa esposa, amante, parceira, amiga, profissional competente, manter ampla rede social, corpo sarado, casa impecável e atualizada com os últimos recursos tecnológicos e notícias.

Segundo pesquisa do Centro Psicológico de Controle do Estresse, o problema atinge cerca de 65% das mulheres entre 15 e 28 anos, enquanto o número de homens da mesma faixa etária é de 35%. Nas mulheres acima de 40 anos, o valor vai para 60%.

Dormir, trabalhar, se alimentar, sem falar nas horas de trânsito, que causam ainda mais estresse, o tempo livre da mulher se reduz a praticamente quatro horas por dia. No tempo que sobra, ela ainda precisa fazer a lição com os filhos, brincar com eles, assistir um filme, cozinhar, cuidar da casa, namorar, sair com os amigos, ler um livro, academia, ligar para a família, cuidar da saúde, depilação e todos os imprevistos que devem ser equilibrados neste pequeno espaço de tempo.

“Num ritmo desses, com a tamanha exigência e a cobrança colocada, o estresse é resultado certo”, opina Aretusa dos Passos Baechtold, psicóloga do Instituto Psicológico de Controle do Estresse Dra. Marilda Lipp – IPCS.

Aretusa detalha os principais sintomas do estresse na mulher. “Os sintomas podem ser físicos, psicológicos e as consequências certamente afetam os relacionamentos”, afirma. Acrescenta que o cansaço, a tensão muscular e a alteração do sono, do apetite e da memória são os principais sintomas físicos. Já os psicológicos são o desânimo e a vontade de fugir dos compromissos.

No trabalho, sob um longo período de estresse, aparecem os problemas pessoais e interpessoais: menos eficiência; atrasos e faltas são mais frequentes; conflitos ou irritabilidade com colegas; crescente dificuldade de raciocínio e sensação de incapacidade.

No lar, o estresse pode ser expresso no conflito com os filhos e parceiro: reclamam que ela se tornou impaciente; se tornou mais sensível ao barulho e as atividades das crianças; grita e bate nelas com mais frequência; fica distante do parceiro e aumentam os conflitos entre o casal. “O estresse é contagiante. Uma mãe, profissional estressada, tem maior chance de passar o problema para as pessoas do seu convívio”, afirma Aretusa.

O estresse prolongado pode levar a mulher a desenvolver ou agravar doenças como a hipertensão, úlceras, infertilidade, tensão pré-menstrual e ansiedade. Outros distúrbios associados ao estresse relatados mais frequentemente pelas mulheres incluem: anorexia, bulimia, ansiedade e depressão.

Identificar os sinais do estresse, de onde ele vem e desenvolver estratégias positivas de enfrentamento são passos importantes para enfrentar o problema. “A administração do tempo é uma das principais ferramentas de combate ao estresse. Às vezes a mulher prepara uma agenda muito justa com seus afazeres, e um imprevisto atrapalha tudo”,explica a psicóloga. Para a doutora, umas das saídas é saber até onde vai o seu limite.

Pesquisas nesse sentido demonstram que quando submetidas a programas de treino de controle do stress adaptado para atender as suas dificuldades ocorrem mudanças significativas, favorecendo uma melhor qualidade de vida para si mesmas e para suas famílias.  

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