ABC - quarta-feira , 29 de maio de 2024

Gianlucca tem primeiro dia de aula presencial em escola estadual de Santo André

Cátia, Renato e Gianlucca Trevelin, chegam à escola estadual em Santo André para o primeiro dia de aula presencial do menino. (Foto: Reprodução)

Após mais uma luta da família, Gianlucca Trevelin, de 11 anos, teve nesta terça-feira (09/04) seu primeiro dia de aula presencial na escola estadual José Augusto de Azevedo Antunes, que fica no bairro Casa Branca, em Santo André. Gianlucca é portador de AME (Atrofia Muscular Espinhal) uma doença rara que enfraquece os músculos e impede seus movimentos. O RD já retratou as batalhas travadas pela família por medicamentos e também por aulas na rede municipal.

A família, neste ano, passou por novas dificuldades com a migração do menino para a rede estadual. Com quase três meses de atraso as aulas finalmente começaram para Gianlucca. Segundo os pais a criança é agora a primeira no Estado a ter aulas nos dois formatos; quatro vezes por semana com professor que vai até sua casa e aulas presenciais na escola uma vez por semana.

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Os pais Renato e Cátia Trevelin contam que o dia de aula na escola sempre foi o mais feliz para Gianlucca e que nos últimos dias a ansiedade foi grande pelo primeiro dia na nova escola. “Ele não queria dormir e também acordou mais cedo nestes dias”, disse Cátia. Mas a espera finalmente terminou. Perto das 13h desta terça-feira Gianlucca chegou à escola com os pais e sua cuidadora para o primeiro dia de aula presencial.

A direção do colégio e alguns alunos que estudaram com ele na rede municipal o aguardavam na porta. Ele entrou direto para a sua sala de aula. A acessibilidade foi garantida para a cadeira de rodas com a sala no piso térreo onde um espaço foi preparado caso ele precise de troca de fralda e até uma carteira maior, especialmente feita para cadeirantes foi providenciada.

Desde o dia 1° deste mês Gianlucca passou a ter aulas com professores que o atendem em casa. O dia marcado para a aula presencial é toda terça-feira. A conquista não foi fácil os pais tiveram que cobrar o Estado. “Eles queriam que meu filho ou tivesse aula só em casa ou só na escola. Dei entrada na documentação do meu filho em fevereiro e chegou março e ele ainda não tinha começado as aulas. Chamaram a gente para conversar na Diretoria de Ensino e queriam que a gente optasse, eu disse que parecia que o Estado não queria ter uma criança com deficiência na escola, pois não estava preparado para esse atendimento”, relata o pai.

“Eu sei que depois da movimentação que fizemos e o apoio da imprensa o Estado nos garantiu as aulas em casa e na escola. Depois disso já conversamos com pelo menos 10 famílias que estão em situação parecida e que nos perguntaram se tinham direito também”, relata Renato Trevelin.

Gianlucca na saída da escola. (Foto: Álbum de família)

Gianlucca entrou na EE José Augusto de Azevedo Antunes com os pais e a cuidadora. Cerca de 20 minutos depois os pais saíram e conversaram com o RD. Relataram que estão tranquilos pois o ambiente escolar é bom para a criança. “Ele ficou cinco anos na rede municipal e quando ia para a escola sempre foram os dias mais felizes da vida dele. Nesse tempo todo nunca tivemos nenhum chamado por ele ter passado mal na escola. Gianlucca ganhou um lugar logo na primeira fila, onde foi colocada sua carteira especial. A sala tem cerca de 35 alunos. “É importante a aula presencial não apenas para o Gianlucca, mas para as outras crianças também, essa socialização é muito importante as crianças saberem ligar com os diferentes, é importante para a formação”, destaca o pai.

A secretaria estadual de Educação diz que Gianlucca não é o único no Estado a ter os dois tipos de atendimento, mas não informou quantos mais contam com esse tipo de aulas. A pasta disse ainda que as condições da escola foram favoráveis, que a sala de aula foi transferida para o térreo, onde já há banheiro adaptado e ainda confirmou a cessão de uma sala apenas para as trocas, caso Gianlucca precise.

A luta da família, no entanto, segue na busca pelos direitos da criança. Agora os pais buscam explicações para o aumento de 25% na mensalidade do convênio médico, além dos aumentos anteriores que foram superiores a 20%.

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